Unidade na diversidade

Quando penso no tema “Trindade” entendo que podemos ficar falando de teorias sobre teorias que, muitas vezes, não levam a lugar nenhum. Por isso decidi dividir esse texto em duas pequenas idéias: 1- uma rápida leitura sobre a trindade, 2- de que forma a trindade afeta minha vida e a comunidade em que estou inserido.

1- Em João 10:38 – “O Pai está em mim, e eu no Pai” – a palvra grega para essa unidade da trindade é perichoresis cujo significado é semelhante ao de uma dança ou coreografia. Dentro dessa idéia fico imaginando a trindade de mãos dadas, formando um círculo eterno  onde há alegria, amor, ritmo, unidade  e apoio.  Apesar de toda a unidade, vejo um Deus que vive em comunidade, com, inclusive, a diversidade. Um Deus uno e diverso ao mesmo tempo. Isso me mostra uma característica importante de Deus: o nosso Deus é um Deus relacional, que vive em comunidade! O que mais me chama atenção é ver uma unidade que não funde, ou seja, não há fusão de identidades, muito pelo contrário, há enriquecimento de identidade.

Escultura de Ciranda

2- Mas o melhor vem agora!!! Esse círculo dançante eterno está aberto para nos receber! Trazemos a imago Dei, isto é, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Como diz Dallas Willard: “Todo círculo humano está fadado à dissolução se não estiver sustentado na vida do único círculo genuinamente auto-suficiente, o do Pai, Filho e Espírito Santo. Esse círculo é o único auto-suficiente no sentido verdadeiro e completo. E todos os círculos quebrados necessitam, basicamente, encontrar cura ali, e em nenhum outro lugar” (Renovação do coração – pag.214). Portanto, à medida que nos aproximamos de Deus, em seu círculo dançante, participamos dessa dimensão trinitária. Somos chamados a viver um aprendizado continuo de amar o diferente para com ele experimentar unidade e intimidade.

Marido e mulher se tornam um, mas continuam dois. Somos um só corpo, mas muitos membros. Isso não significa uma fusão com perda de identidade. Pelo contrário, quanto mais sou um com Deus, com minha esposa e com meu irmão em Cristo, mais sou eu e mais o outro é ele, sem confusão de identidades.

Que a trindade nos ensine a ser Igreja, que ama de forma inclusiva, respeitando as diferenças e a singularidade! Que a trindade nos ensine a sermos Pais, esposos (as), filhos (as), com relações saudáveis, que enfatiza a comunhão e o serviço desinteressado e em amor!

Como você tem vivido nessa dança? Conte um pouco de sua experiência com a trindade e de que forma ela tem influenciado sua relações!

Abraço e até a próxima!!!

Homero Castro

Sobre Homero Castro

Nome: Homero Resende Castro Nasci em 1979 em Belém do Pará, moro em Belo Horizonte desde 1989. Sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1999 trabalho como missionário na associação Alvo da mocidade. Eu e minha maravilhosa esposa, Camila temos duas filhinhas lindonas, Helena e Elisa, e uma sapeca cadela chamada Leona.

5 comentários sobre “Unidade na diversidade

  1. “Um Deus uno e diverso ao mesmo tempo. Isso me mostra uma característica importante de Deus: o nosso Deus é um Deus relacional, que vive em comunidade! O que mais me chama atenção é ver uma unidade que não funde, ou seja, não há fusão de identidades, muito pelo contrário, há enriquecimento de identidade.”….Essa frase particularmente me chamou mta atenção. Talvez pq eu seja uma pessoa q tenho tendencia a me isolar das pessoas e do mundo e qdo me relaciono quero que os outros sejam da forma q eu desejo, moldá-los, ter a tenção deles exclusiva para mim. Ai vem o relaciona-se sem perder a identidade. Ralacionar-se, nunca tinha pensado na trindade dessa forma, como uma relação, um Deus sociável que é o que é e naum se deixa perder, pelo contrário se enriquece com a relação com as outras duas figuras….isso me chamou mta atenção. Parabens….excelente texto….vc conseguiu se superar mais uma vez.

  2. Homero, gostei muito mesmo do texto! Achei ótimo o fato de ser tão prático e ao mesmo tempo um pouco teórico, como você falou. Muito doido isso de trazermos a unidade e a diversidade de Deus para os nossos relacionamentos uns com os outros e com o próprio Deus Pai, Filho e ES.

    Uma aplicação prática do que você disse dialoga com o seu post anterior sobre a caricatura do amor, relacionamentos que aniquilam as identidades pessoais, algo muito sério e que é muito triste de se ver, como há tantas pessoas que se submetem a coisas terríveis para manter um relacionamento doentio…

    Diego, muito legais também as suas colocações, legal também que você tenha se aberto, falano um pouco da sua tendência em moldar e em se isolar. Um livro muito doido e que prolonga mais o discurso (embora usando ficção, numa narrativa ótima) é o tão falado A Cabana, acho que você ia gostar, se é que já não leu.

    Abraços

  3. Diego muito legal seu comentário! Espero que a Trindade nos ensine a viver de forma relacional!!
    Vidigal você é um amigo que me motiva a “dançar no círculo de amor” da trindade!
    Abraços

  4. Homero, ainda não tinha lido seu post, só li agora…
    Que legal, ow! Adorei as idéias! Ser um mas dois ao mesmo tempo, ser três mas um ao mesmo tempo… Mto legal…
    Gostei mto desse trecho aqui:
    “Todo círculo humano está fadado à dissolução se não estiver sustentado na vida do único círculo genuinamente auto-suficiente, o do Pai, Filho e Espírito Santo. Esse círculo é o único auto-suficiente no sentido verdadeiro e completo. E todos os círculos quebrados necessitam, basicamente, encontrar cura ali, e em nenhum outro lugar” (Renovação do coração – pag.214). Portanto, à medida que nos aproximamos de Deus, em seu círculo dançante, participamos dessa dimensão trinitária.
    Quero mto que meus relacionamentos tenham a trindade como base…

  5. Belíssimo texto! Deus uno e trino! Nao há como entender! Mas da não inteligibilidade do tema, emerge a grande lição divina para nós: se quisermos ser como Cristo a pluralidade deve fazer parte de nossa essencia.

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