Um convite à esperança

Nos últimos dias voltei a ouvi um CD do qual gosto muito. É o Ventura dos Los Hermanos. Tem uma coletânea realmente boa de músicas que raramente podem ser ouvidas juntas num único disco. Este ano completam dez anos de lançamento do CD. Ao ouvir pensei no tempo que se passou e lembrei muito das coisas que vivia naquele momento, há dez anos… Recordo-me de ter sido um tempo de muita luta. Não que eu não tivesse lutado depois e que não tivesse ouvido o CD em outros momentos, mas naquela época era algo diferente.

Venturaclique para ouvir o CD online

Em 2003 eu começara a trabalhar como caixa numa administradora de imóveis. Minha cabeça, no entanto, estava muito distante de lá. Por este motivo deixava de lado pequenos, mas importantes, detalhes praticamente todos os dias. E exatamente todos os dias ouvia os gritos da minha chefe. Quem chegava para pagar o aluguel me achava uma pessoa normal, mas quem via de trás do balcão teria certeza de que eu era um louco. Papéis de lembrete espalhados por todos os cantos para que não cometesse os mesmos erros que já havia cometido. Lembretes do tipo “conferir se o cheque está assinado” demonstravam meu grau de atenção com o trabalho. Um belo dia levei todos ao delírio quando cheguei na reunião de oração do saudoso Grupo do Gutierrez com o pedido de que Deus interviesse porque meu caixa do mês estava com uma diferença nas contas, alto em torno de R$20.000,00, se não me falha a memória.

Naquele agosto frio eu também chorava o término de um namoro que fora muito curto e muito intenso. Estive envolvido, percebi o quanto não tínhamos muito em comum e, mesmo tendo tomado a atitude do término, sofria amargamente.

Vivia também naquele ano o desafio de cursar um pré-vestibular. Desafio porque passara os três anos anteriores apenas indo nas aulas e sequer sabia o que era um átomo. A dificuldade era grande porque abandonava todos os projetos aos quais me propunha pelo caminho. Minha vontade fraca fazia com que não perseverasse em muita coisa e logo na primeira dificuldade sentia preguiça de seguir adiante. Todo dia passava uma ideia nova na minha cabeça, todo dia sentia vontade de começar algo novo. Chegar ao último dia de aula no cursinho seria em si uma grande vitória.

Em casa carregava a responsabilidade de ajudar nas despesas. Fazia o que podia, e não era muita coisa. Ainda com a mente adolescente me preocupava mais com as festas de fim de semana do que com qualquer outra coisa que na prática fosse mais importante. Não sabia muito bem o que seriam dos anos seguintes, muito menos do que seria de mim hoje. Tinha lá no fundo uma certeza de que Deus estava comigo e mesmo que tudo estivesse caminhando tão mal aquilo tudo seria usado para glorificá-lo no futuro.

Pois bem, o ano terminou e logo apareceu um emprego diferente, em que pude ser melhor sucedido. Cresci e aprendi muita coisa sobre o valor do trabalho de lá pra cá. Esqueci a garota e arrumei algumas outras com quem me preocupar ao longo desses anos (rs). O sonho do vestibular permanecer vivo foi realmente a vitória de 2003. E permaneceu tão vivo que foi levado para 2004 e 2005, quando finalmente fui aprovado. Estudei, formei, tenho um ótimo emprego e posso fazer mais pela minha família do que fazia naquela época. Os projetos novos continuam a minar na minha cabeça todo o tempo e descobri que isto é bom, que é meu perfil. Aprendi a filtrá-los e a colocar em prática um de cada vez, com a ajuda de pessoas que podem dar continuidade para que haja espaço para o surgimento de novas e novas ideias. Até hoje gosto muito de ir a festas, mas aprendi a valorizar o que há de mais importante na vida além delas.

Passou-se uma década inteira. Chorei e lutei muito neste tempo. O que pude perceber é que Deus tem construído de maneira muito legal minha história. De todas as transformações a mais profunda, sem dúvida, foi interna. Vejo que meu caráter tem sido transformado. Ouço de forma mais clara a voz de Deus com sua vontade nem sempre compreendida, mas sempre perfeita. Sinto hoje uma liberdade que é indescritível. Liberdade de mim mesmo, dos meus medos, dos meus conflitos. Me conheci mais ao longo desse tempo e vejo o quanto ainda precisa ser transformado.

Ainda luto, ainda choro, mas há claramente um convite de Deus para que continue no caminho, e é isto que divido com você através deste texto. Assim como me sinto convidado quero também lhe convidar a olhar para trás e ver o que Deus fez por você nos últimos tempos. Se Deus não fez nada quero deixar o convite para que você se entregue nas suas mãos e permitir que ele o faça.

A boa obra nas nossas vidas só será completa no dia de Cristo, que até lá possamos continuar na labuta de sermos discípulos de Jesus e ter a imensa oportunidade de conviver de perto com ele dia após dia. Forte abraço!

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

3 comentários sobre “Um convite à esperança

  1. Amigo,
    Foi bom ter caminhado com você ao longo de alguns desses dez anos! Que continuemos caminhando pelo único caminho que faz sentido nessa vida – Jesus!
    Eu tenho também pensado nos 20 anos que completei esse ano de vida cristã! Quanta coisa mudou! Muito mesmo! E pensar nos sonhos

  2. Continuando:
    E pensar nos sonhos que eu tinha quando adolescente de 16 anos que pela primeira vez conheceu uma represa numa fazenda… É, Deus já trabalhou muito! Mas ainda tem muito para fazer na minha vida! Agradeço sua amizade e a reflexão de lembrar do que Deus já fez! Sempre temos que recordar para agradecer e continuar na caminhada. Abraço, Tati.

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