Última prova na faculdade

Sexta-feira, uma faculdade relativamente vazia. Julho avançava e eu ali estava para terminar uma etapa ímpar da minha vida com uma prova. Estava muito cansado dos últimos dias de estudos, aliás, dos últimos cinco anos de estudos, ou de frequentar a faculdade, ou de ter de ir de vez em quando à sala de aula para responder à chamada que o professor fazia. O cansaço era o fato! Passaram pela minha mente os anos desde o primeiro período. Lembrei-me de quanto era ruim estudar à noite e porque havia me mudado para o turno da manhã. Lembrei-me dos anos de movimento estudantil ao lado dos “maconheiros dos direitos humanos”. A memória me trouxe à mente as muitas pessoas que conheci, apesar de nunca ter aprendido a grande maioria de seus nomes. Em meio a tanta lembrança, esqueci que era hora de fazer prova e da matéria que ali estava diante dos meus olhos. Lembrei do que me era exigido naquele momento – a formatura!

Era em dupla, e mais uma vez ajudei um amigo e fui ajudado por ele. Naquela hora tão difícil, ele estava ali com um pouco da sua força e eu com um pouco da minha. Somamos esforços para conseguir avançar nas questões. Fizemos isto em boa parte do curso, agregamos nossos dons para suprir as necessidades um do outro. A faculdade seria outra sem o amigo.

A prova exigia muito de nós. Era preciso fundamentar a resposta de acordo com os artigos do Código Civil. E fiz aquilo que o Professor Manoel, o portuga, tanto ironizava – fiquei perdido com o Código na mão, folheando-o de um lado a outro em busca de algo que complementasse o que escrevia. Em parte, tenho a alegria de não ter ficado tão perdido durante o curso em busca de respostas, visto que já conhecia a Deus muito antes de ser um aluno daquela faculdade. E como pesou ter a experiência anterior àquela etapa.

Errei na prova, mas ainda não havia passado à caneta. Pude usar livremente minha borracha que acompanha a lapiseira. Sempre a economizei por ela ser melhor do que aquelas que nunca tem fim e que com o tempo perdem o poder de apagar. Tinha pouco o que apagar da vida naquele momento. A prova de ser filho de Deus sempre esteve diante de mim. À caneta escrevi com minha liberdade o que acredito ser o cristianismo. Seria hipocrisia dizer a você que não carecia de desmanchar alguns pecados, já perdoados por Deus àquela altura.

O tempo se esgotara, tive que entregar a prova no estado em que se encontrava. Infelizmente o prazo foi curto para tudo quanto gostaria de ter feito não só naquela prova, mas também durante os cinco anos de curso. Quis ter falado mais do amigo Jesus aos amigos que fiz. Tinha o sonho de plantar ali um grupinho de estudos da Bíblia nos moldes que acredito ser o ideal. Gostaria de ter feito mais pesquisa, mas de extensão, mais de monitoria. Gostaria de não ter feito tanto estágio, sempre tão cansativo apesar de todo o aprendizado.

A professora recolheu a prova e desejou boa sorte. Vou precisar mais do que de sorte. Vou precisar de contar com tudo quanto pude ganhar nos cinco anos de Universidade, mais, com tudo quanto pude crescer como homem e como filho de Deus durante este período. Foi tempo de muita luta e de experiências de fé, de conhecer melhor Aquele que fez mais que uma prova final de faculdade, que provou sua existência e amor nestes anos em cada uma das experiências por mim vividas.

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

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