Trabalho Menor

Semana passada entreouvi a conversa de duas caixas em um grande supermercado enquanto era atendido. Uma comentou um pouco surpresa que o gerente estava varrendo o chão. A outra argumentou que ele como chefe deveria dar o exemplo mas que ela mesma nunca varreria ali: “eu não varro nem em casa”, completou.

A execução destes “trabalhos menores” no emprego sempre foi uma coisa à qual sou atento. Meus pais sempre diziam que as pessoas que pensam pequeno não admitem fazê-los.

Em contextos “mais altos”, há aquela história antiga de que “estagiário tem que pegar cafezinho na empresa”. Muitas empresas pecam pela forma como concebem o papel do estagiário na organização – pior para elas – mas acredito que a indignação das pessoas ao passarem por situações como esta deve-se ao fato de se sentirem menos dignas com a atividade.

 

Não julgo quem pensa assim. Não julgo mas não apoio.

Não julgo porque de fato realizar um trabalho “menor” é a função de pessoas que são menos prezadas. Não apoio um, porque se tem alguém que poderia buscar cafezinho esse alguém é o estagiário (falo por estagiário que sou) e dois, porque não deveria ser o trabalho que torna uma pessoa menos ou mais prezada. Nada, na verdade, deveria ter este poder.

Bom, mas como vivemos em um mundo da realidade e não da verdade, é isso que torna uma pessoa menos prezada para várias pessoas. E não vou tirar o meu da reta. Vou apenas lembrar a execução de um trabalho menor.

Um homem que de fato era menosprezado por muitos.

Uma ceia.

Uma bacia.

Uma toalha.

Já sabe.

É necessário ter uma certa segurança interna para poder se submeter ao trabalho de um escravo.

5 comentários sobre “Trabalho Menor

  1. Gostei muito Vidigas. Pra meio entendedor uma toalha é servo. Talvez esse seja o primeiro principio de um alguém que quer ser o primeiro.

    Abraços

  2. “não deveria ser o trabalho que torna uma pessoa menos ou mais prezada”

    mas é. quanta gente aí fora tem o trabalho que não temos, não queremos ter, não queremos que nossos filhos tenham, mas queremos que continue existindo?

    Jesus é mesmo o cara…

  3. “É necessário ter uma certa segurança interna para poder se submeter ao trabalho de um escravo.”

    Foi assim com Jesus… Que possa ser assim, também, com a gente, Vidiga’s…

    Abração!!!

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