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Do camarim para o palco

Encontro marcado. A razão é que havia um papo bastante necessário. Papos necessários eram raros entre nós. Sempre que encontrávamos, a amizade e o partilhar a vida fluíam naturalmente. Dessa vez, não!

Almoçamos e o “start” fora dado. Eu comecei a ouvir aquilo que eu nunca imaginara, pelo menos vindo dessa pessoa!

Crise! Eu tô cansado de esconder o que tá acontecendo aqui dentro. Preciso falar! Você e as pessoas, olham para a minha vida e acham que está tudo certo, mas não… Há muita coisa que tenho carregado e que está me fazendo questionar tudo o que eu tenho vivido como cristão!

Estava inaugurado o papo. Alguém que, ao longo dos anos, havia construído (pelo menos para mim) a imagem de um cristão “inabalável”, agora estava em crise. Eu precisava ressignificar a minha imagem, porque o termo “inabalável” já não o descrevia tão bem.

A crise era gigantesca. As perguntas que antes estavam no “camarim do coração”, começaram a se apresentar no “palco da vida”, porque a boca fala do que o camarim tá cheio.

Por que a porta é tão estreita? Por que a vida cristã é um convite para negar o que é natural? Por que tantas privações? Por que são tantos os nossos rituais (Reunião, reunião e mais reunião)? Por que viver com Cristo parece atrapalhar meu plano de carreira? Por que alguns cristãos ficam com um “medinho medíocre” de pensar? Por que ler a Bíblia já não é mais prazeroso? E a tal da volta de Cristo (já são mais de 2000 anos)? Por que a diferença da influência de Jesus no mundo ocidental e no mundo oriental? E o que falar das atrocidades promovidas por Deus no Antigo Testamento? E a influência da cultura naquilo que chamamos de princípios atemporais? Será que daqui a 200 anos, os cristãos da geração futura vão viver exatamente como eu vivo, ou a cultura nos define bem mais do que a gente quer admitir? E esse papo sobre a Grande Comissão e a responsabilidade de anunciar o Evangelho? Se a coisa que eu mais abomino é ser inconveniente com alguém, por que eu preciso lutar para que as pessoas mudem para a “minha” verdade (Porque nós, cristãos, somos aqueles que afirmam que temos a verdade nas mãos)? Por que eu fui abordado na rua por um cristão que resolveu me evangelizar e, ao dizer que eu já era cristão, ele parece não ter dado a mínima para o meu comentário e começou a empurrar o Evangelho goela abaixo? Eu não tive muito tempo para pensar na vida, muito menos vivê-la! Aceitei a Cristo muito novo. E se tudo isso foi uma grande lavagem cerebral?

O papo havia sido realmente necessário! Eu subi na minha moto e não conseguia parar de orar por aquele amigo, enquanto voltava para minha casa.

A sensação era de que uma velha e antiquada estrutura estava sendo completamente rasgada. Aquele meu amigo tão “inabalável” não poderia continuar a mesma pessoa. Porque ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo exige odres novos! Sempre.

“Tô sentindo que o Senhor tem coisas novas para ele, Deus! Ele acha que tudo isso é uma grande lavagem cerebral, mas vai ser maravilhoso brindar com alegria a delícia do bom vinho que vem por aí…”, orava o autor do post, enquanto dirigia sua moto.

Um grande abraço!!!

Esse post é uma singela homenagem ao meu amigo em crise! Eu continuo orando (todo o tempo) pela sua vida, meu jovem! A gente podia comprar taças novas, hein? Hehehehe.