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A viagem

Uma viagem incrível! Caminhos e paisagens nunca antes explorados por eles. De início tímido, ainda um pouco sem jeito, a aventura começara. Se puseram em várias situações desnecessárias por conta da comum imaturidade para com a vida. A juventude apronta essas coisas… Dificuldades infantis, soluções imaturas e aprendizados eternos. Uma grande amizade que, criada nos padrões do Reino, ou buscando os padrões deste, se tornou importante, ou até mesmo fundamental para a vida de cada um. Ao mais experiente deles, ainda que muitas vezes apenas em idade, cabiam algumas decisões, conselhos e exortações pontuais. Daquele que passou a ser visto como referência os jovens aprenderam um pouco mais sobre a vida, sobre ser cauteloso, sobre misericórdia e sobre como buscar ao Pai, enquanto ele, daqueles que passaram a ser vistos como filhos, aprendeu a se apaixonar pela vida, a ser mais ousado e corajoso, a buscar e pular dos lugares mais altos, a valorizar cada amizade e a dar a vida por elas.

As trilhas os levaram a lugares maravilhosos. Às vezes era muito difícil de se chegar ao destino, mas o que este os reservava fazia valer todo o esforço. Sentiram frio na alma, e tiveram que se aquecer, se ajudar, se unir. Às vezes um ficava pelo caminho, um pouco mais afastado, e era preciso parar, gritar e esperar.

Traziam consigo marcas e machucados, que vez ou outra doem, impedem movimentos, dificultam a caminhada. Nessas horas a mão e o impulso do companheiro eram importantes para se chegar aos lugares mais altos.

Pode-se dizer que por pouco não se perderam. O caminho era ainda desconhecido, e se torna mais difícil quando várias opções se apresentam à sua frente e você tem que escolher por alguma delas. Desviaram-se, caíram em buracos, erraram a trilha e se perderam. Mas nunca foi tarde para voltar! O sol a pino dava a cada um deles a chance de dar meia volta e retornar ao caminho correto, aquele que os levaria para a casa.

E a amizade cresceu, se desenvolveu. Os meninos foram se tornando homens. Pai e filhos se tornaram irmãos, companheiros na caminhada da vida.

Muitos anos se passaram, até que decidimos viajar juntos. Chagamos na Serra do Cipó! De lá, decidimos nos aventurar e seguir viagem, de carona, para a Lapinha da Serra. Armamos acampamento, organizamos as nossas coisas. Conversamos, confessamos uns aos outros os nossos pecados, buscamos juntos ao nosso Deus, descobrimos juntos um pouco mais sobre Ele e um pouco mais sobre nós mesmos. Colocamos algumas coisas no lugar, tomamos decisões juntos, pulamos da pedra e nos colocamos de volta no Caminho (sabe, é sempre muito importante se avaliar, dar meia volta, e retomar o Caminho).

Os pirralhos do meu primeiro grupinho se tornaram meus amigos! Os meus “filhos” se tornaram meus “irmãos”. Olhar para a nossa história me faz agradecer a Deus pelo privilégio que é poder cuidar e participar de outras vidas, mesmo não sendo nada merecedor disso. Olhar pra vida deles me faz querer viver isso com mais pessoas, me faz querer continuar “indo e fazendo discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer tudo o que Jesus nos ordenou”.

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Caras, olhar para a vida de vocês me faz ver que Deus é real, e que realmente não existe maior amor do que dar a vida pelos irmãos. Que juntos nos tornemos discípulos cada vez mais parecidos do nosso Mestre.

 

O que os romanos fizeram com meu caráter

Nestas férias fiz um mochilão pela Europa. De todos os lugares que visitei, em Roma tive a melhor experiência: clima bom, belas paisagens, muita história e cultura, ótima comida. Mas os romanos… PÉSSIMA GENTE!! Acho que nesta cidade, mesmo tendo ficado uma semana, nunca fui bem tratado pelas pessoas, no máximo elas foram um pouco legais e, no mínimo, descaradamente estúpidas.

Audrey Hepburn saboreia um gelato na Piazza de Spagna no filme "Roman Holidays" (A Princesa e o Plebeu)

Resumindo, o ditado “Em Roma, aja como os romanos” parecia-me dizer: “rebaixe-se ao nível deles”. E eu, justamente eu, amante das palavras de John Powell, eu que escrevi aqui que não devemos deixar que o outro determine o modo como vamos agir, eu que sou calmo e controlado, já estava quase trocando o “ator, não reator” pelo “devolva na mesma moeda”.

Em poucas palavras: me tiraram do sério de verdade.

Uma vez numa sorveteria foram tão impacientes que depois fiquei imaginando maneiras de retribuir o favor e várias vezes vislumbrei-me jogando minha casquinha no chão da loja por mero desaforo. Sim, a experiência na Caput Mundi estava me transformando.

Entendi então o que era, de fato, ser o cliente atencioso do jornaleiro mal-humorado. Acho que no Brasil sou em geral bem atendido e bem tratado sempre que, quando, eventualmente há uma exceção esta é fácil de ser superada ou relevada. Os romanos me deram uma prova de fogo e confesso que não sei dizer ainda quais foram os resultados: se me senti pisado demais e tornei-me menos paciente ou se posso dizer que hoje tenho um caráter melhor e que sou mais livre ainda para ser o ator.

Não sei dizer bem claro, o que foi que os romanos fizeram com meu caráter e, na verdade, acho que o certo não seria culpá-los e a mim somente. Sou, ironicamente, porém, um pouco grato pelo treinamento intensivo e involuntário.

Tenho que terminar da mesma forma que o post-irmão (Ator e Não Reator): Quando insultado, não respondia com insultos e quando sofria não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente.

Possamos cada vez mais ser como Jesus.

Nota: Deve haver romanos legais e tudo mais e toda generalização é burra. Só que eu não vi nenhum. Agora falando sério: não gosto de preconceito, acho que outra pessoa poderá ter outra experiência com o povo de lá, igual tivemos ótima experiência com os parisienses, ao contrário de todo estereótipo e expectativa.