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O Equilibrista

“Há uma linha tênue entre a genialidade e a loucura” – O Equilibrista

Assisti a esse filme no cinema essa semana e achei bastante interessante. Conta a história de um equilibrista francês, Philippe Petit, que, não satisfeito em atravessar num arame de uma torre da Notredame em Paris para a outra, passou anos e anos arquitetando um meticuloso plano, junto com seus amigos, para atravessar de uma (in memoriam) torre gêmea do World Trade Center pra outra. Isso na década de 70. Na foto do cartaz, uma suposta visão de Philippe ao cumprir seu feito:

O Equilibrista
O Equilibrista

O filme é maravilhoso pelas imagens do equilibrista em Notredame e nas Torres Gêmeas, mas mais ainda pela riqueza das falas dos entrevistados.

Como deve ser do conhecimento de vocês, escalar esse tipo de prédio/monumento é ilegal em diversos países. Obviamente, Philippe foi preso. E não só isso, foi levado a um manicômio, já que quando a imprensa e a polícia perguntou o porque de ele ter feito aquilo e ele disse que não havia porquê. Se não há um porquê, ele tem que ser louco mesmo, não? 

Mas uma fala dele no filme muito me chamou a atenção: “Os americanos são assim:  pegam um momento magnífico, esplendoroso e têm que descobrir o porquê. Perguntam em tom de repreensão “por que?”. Tem que haver sempre um porquê?” Às vezes criamos perguntas onde não existem. Pensamos demais. Questionamos excessivamente coisas para as quais não encontraremos respostas (por que Deus fez o céu azul?, adão tinha umbigo?, elvis morreu?) Às vezes nos cabe apenas aproveitar um momento.

Acho que dá pra nos questionar em outros quesitos também…  O que é normal? É colocar-se num arame sem proteção alguma a 450m de altura do chão ou viver dentro do WTC (se ainda houvesse) num ritmo alucinado (e porque não suicida), em busca de $ e mais $?

Lembro ainda de O Alienista e de Simão Bacamarte, personagem principal desse livro (uma vez interpretado por dois grandes amigos meus): o dito médico ultra-qualificado e racional acaba se trancando no manicômio da cidade, por perceber que no fim das contas ele era o único normal da cidade e todos os demais eram loucos. Será que era assim mesmo?

Termino parodiando Eduardo Viveiros de Castro: “No mundo, todo mundo é louco, exceto quem não é”.

Ele assopra onde quer

“Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá”
(Gilberto Gil)

Como dito em um post anterior, faço uma matéria X de Antropologia. Ou pelo menos era o que eu achava. Eis que descubro no domingo último que minha matrícula está trancada nessa disciplina. O que aconteceu é que, no início do semestre, pedi pra trancarem uma matéria Y e trancaram a X, já que os códigos das disciplinas eram muito parecidos. Ótimo: faltando menos de 1 semana pro fim do semestre, descubro que tomarei bomba na matéria Y em que estou matriculada mas que não estou fazendo e fiz tudo da matéria X sem ser pontuada.

Sou uma pessoa muito preocupada, ainda mais no tocante a assuntos acadêmicos. Mas, num pleno domingo, não havia nada que pudesse ser feito.  Na segunda eu iria tentar resolver, mas preocupar não adiantaria. Orei muito, conversei com pessoas e, incrivelmente, acabei me acalmando, confiando. Fiquei muito feliz de ter deixado Deus cuidar das coisas, de não preocupar. E acabou que – bem, a “saga” não acabou ainda – parece que as coisas vão se resolver – isso se a moça da fafich que cuida desses assuntos voltar de férias logo -, coisa que eu achava meio impossível.

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, com oração e súplicas, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus que excede todo o entendimento guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Filipenses, 4:6-7) Viver o Fp 4:6-7 é sempre um desafio pra mim. Mas, como disse meu amigo Rafa, é o que Deus espera de nós, justamente por saber o quão libertador isso é. Ele quer cuidar de nós, quer ele mesmo carregar nossos fardos no nosso lugar. Em alguns momentos, temos vontade de “desentregar”, pegar as coisas de volta, tentar tomar conta delas. Mas a entrega deve ser um exercício diário, ou até mais que isso.

Entregar o futuro, entregar a vida: por quê?

Ultimamente, a frase que eu mais tenho dito é: “como é difícil formar!”. Para uma pessoa não decidida no campo profissional como eu, fico super perdida sobre o que fazer, como fazer, quando fazer… As oportunidades surgem, os prazos urgem…

Pensando nessas coisas e tendo que tomar diversas decisões profissionais nos últimos dias, lembrei de uma parte do Evangelho de João, do capítulo 3, a qual discutimos numa reunião de Alvo da Mocidade recentemente, que conta quando Nicodemos, um fariseu, questiona Jesus sobre nascer de novo e Jesus diz assim: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” Bem enigmática essa frase, não? Eu acho. Ao falar do vento, ao meu ver, Ele queria dizer que a vida de quem é nascido do Espírito Santo é direcionada por Ele, controlada por Ele. É muitas vezes imprevisível e nem pode ser colocada numa caixinha, “esmiuçada”, “rotulada”, “prevista”. Não é “humanamente controlável”. É uma aventura.

Céu de Cabo Frio
Céu de Cabo Frio, RJ

De fato, não só “o vento” é imprevisível, mas tudo na vida, nós caminhando com Deus ou não. Não temos controle sobre os dias de vida que temos, sobre possíveis acidentes, infortúnios, encontros, presentes, oportunidades… Ninguém consegue prever o futuro, só a mãe Diná, a sorte do orkut e os econometristas neoclássicos. Existe uma coisa chamada “incerteza” no mundo, como já diria Keynes (copiando de Marx! hehe): não temos garantia de que as coisas se realizarão como as planejamos.

Se o mundo em que vivemos é de imprevisibilidade, se não temos garantias 100% das coisas, porque não confiar e entregar nossas decisões àquele que, “imprevisivelmente” tem a visão de tudo e sabe o melhor pra nossa vida?

Viver é de qualquer forma uma aventura. Por que não, então, entregar nosso futuro, nossas decisões a Deus, que é quem sabe pra onde vamos e quer nos conduzir? Tentar controlá-las nós mesmos só nos trará sofrimento, angústia e frustração.

(Esse post é em homenagem à Nati Gesualdi. Obrigada por tudo, amiga!)