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O trapezista

Ele parecia louco. Juntava-se aos seus companheiros e dava o “start”. Dança aérea! Os voadores pairavam no ar e tudo representava perigo, até o momento em que eram agarrados pelas fortes mãos de seus parceiros.

TrapezistaO extraordinário começa aqui! Antes de ser pego, precisa soltar as mãos daquilo que lhe traz segurança. É necessário desafiar o vazio do espaço. Viver com essa disposição para soltar é um dos maiores desafios que enfrentamos. O grande paradoxo é este: ao soltar, recebemos! Aqueles que tentam evitar todo o risco, os que tentam garantir que seu coração não seja quebrado, terminam num inferno criado por eles mesmos.

“Amar é, antes de tudo, ficar vulnerável… Se você quer, com certeza, manter [seu coração] intacto, então não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente com distrações e pequenos luxos; evite todos os embaraços; tranque-o na segurança do cofre de seu egoísmo. Mas nesse cofre – seguro, escuro, inerte e sem ar – seu coração mudará. Ele não se quebrará! Tornar-se-á inquebrável, impenetrável, irredimível… O único lugar fora do Céu onde você pode ficar absolutamente livre do perigo de amar é o Inferno.” (C.S.Lewis – Os quatro amores)

Certa vez, um trapezista profissional confidenciou: “Todos me aplaudem porque, quando dou aqueles saltos e piruetas, eles acham que sou um herói. Mas o verdadeiro herói é quem me pega. A única coisa que eu preciso fazer é estender as mãos e confiar; confiar que ele vai estar lá para levar-me de volta para cima.”

Assim é a vida de cada cristão. Como trapezistas, soltamos as mãos e esperamos Aquele que sempre estará lá para nos segurar. Com o tempo, aprendemos que o herói é Ele e que não existe sensação mais prazerosa do que voar livremente! Talvez seja por isso que, em Cristo, somos chamados de loucos…

E aí? Vamos soltar as mãos? 

Um grande abraço!!!

 

Aquilo que une o popular: a alegria do circo

Nas últimas semanas da primavera, apenas o que se ouvia em Pádova era a intensa propaganda da chegada do Circo di Peruggia. Era sem dúvida o melhor circo da Itália naquele ano de 1974, talvez por isso a população encontrava-se alvorotada. Não havia quem não gostasse do espetáculo circense porque alcançava crianças e adultos, sem distinção de credo, cor e classe social. Pádova era uma cidade pequena da região do Vêneto, havia pouco movimento ali, o que garantia a certeza de aquele seria o acontecimento do ano.

O circo é assim mesmo. Desperta curiosidade, atrai as pessoas, é um mundo mágico, enfim. Contudo, o melhor do circo é seu espaço democrático, tanto para quem prestigia o espetáculo quanto para quem participa ativamente. O que faz do show inesquecível? O fato de atingir não somente todas as idades, mas a multiplicidade de gostos e necessidades.

São propositadamente muitas as atrações. Há o palhaço com sua alegria e irreverência, os malabaristas que desafiam a lei da gravidade juntamente com os trapezistas, os domadores de animais silvestres, o globo da morte para as motocicletas e para quem gosta dos desafios…Uma enormidade de chamativos que não cumprem outra função senão integrar, unir e associar. Quando se está de frente para o espetáculo e se observa atento toda aquela alegria não há outra preocupação a não ser entreter-se.

Imagine, então, quando os palhaços chamam o público para participar? Alguns saem da platéia e passam a compor o majestoso circo. E o mais maravilhoso é que nesse momento as diferenças somem. A nobreza não se distingue da plebe, o pai volta a ser criança e esta assume plenamente sua pura essência.

O verão chegou e foi o que ocorreu em Pádova naquele ano de 74. Sucesso absoluto do espetáculo do circo…

PS.: A história ainda continua… Em breve novas impressões, novas cenas do novo circo. Um forte abraço