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A lógica da Esperança

Esperança só faz sentido no contexto cristão, sem o qual ela perde o seu significado. É uma das três virtudes que organizam a existência cristã.

Dito isso, lembrei-me de uma conversa recente que tivemos eu e o Homero. Falávamos a respeito do quanto essa geração que se encontra entre os 20 e 30 anos é ansiosa em vários aspectos, especialmente na área sentimental/relacional, onde também me incluo. O curioso é notar que essa ansiedade revela uma carência afetiva que nos leva a tomar decisões meio precipitadas.

É que o homem e a mulher contemporâneos tem dificuldades com projetos de longo prazo. Afinal, ninguém gosta de esperar por nada, certo? A mera demora no whatsapp já configura grande ofensa. Imagine se a espera for por coisas mais importantes? Então, o sofrimento será ainda maior. Chamamos de PRESENTISMO aquilo que desvela nossa relação desequilibrada com o tempo.

Surge a seguinte questão: como lidamos internamente com o tempo?

O presentismo não deveria ser parte da vida do cristão, para quem o tempo já se encerrou em Cristo. A contagem e a percepção do tempo para os que estão firmados em Jesus são diferentes, porque cheias de Esperança.

Note que a Esperança é o que está adiante de nós, é o que nos leva a caminhar para um futuro que existe, que é certo e que legitima a jornada, porque é algo melhor do que existe hoje.

A Esperança nos faz lidar do jeito certo com o tempo e ajusta a nossa forma de viver ao relógio divino. Ter esperança envolve convicção e paciência. Portanto, é algo tão importante que não pode ser apenas um sentimento, mas a virtude em torno da qual devemos organizar nossa existência.

A ansiedade e a carência na área sentimental/relacional ficam mais evidentes no momento em que desejamos tudo para ontem, quando buscamos pretensiosa e incansavelmente pelo outro ou outroS. Importante mesmo é orar, discernir e ter foco.

Não queremos com isso defender que a Esperança é uma postura passiva, antes é atitude, é o que temos dito: uma atividade de descanso no Senhor. Tudo o que aqui escrevemos serve para todas as dimensões da vida, embora tenhamos elegido apenas uma para melhor compreensão.

A esperança cristã não é falta, é expectativa. Ela ajuda o cristão a desenvolver uma estrutura moral de paciência, a lidar com sentimentos, com a frustração e contribui para a reinterpretação do sofrimento.

Olhe pra Jesus e lembre-se para onde você tem caminhado e que a Esperança fecha o quadro de nossas vidas, dá sentido para as coisas e nos leva a ter uma gratidão autêntica.

Rotina

Segunda-feira, primeiras horas da manhã. O despertador do celular toca, João acorda um pouco assustado. Desliga logo o despertador do tablet para não ouvir seu barulho irritante. O motorista da empresa de transporte liga, ele atende e diz que já vai descer. Entra no carro com destino a Confins, assim como na semana anterior. Lá, despeço-se do motorista e caminha em direção à fila para o despacho de bagagem. Não vai para a fila do “cliente fidelidade” porque todo mundo que voa no primeiro horário de segunda tem este atendimento “prioritário” e a outra fila sempre está menor. A atendente pergunta “qual destino, senhor?”, ele responde e logo ela completa “documento, por favor?”. Apresenta. E confere: “meu fidelidade está pontuado?”. Ela lhe pede o número e responde que sim. Ao final ela deseja “boa viagem”. (Esta semana para seu espanto, ela soltou um “boa viagem, Joãozinho!”, toda íntima). Arrasta-se com sono até a sala de embarque. Vai direto ao segundo rapaz na porta. Ele sempre está disponível enquanto seu colega segue atendendo à fila de sonolentos. Na fila do raio-x descalça os sapatos de segurança para não apitar – eles tem biqueira de aço. Passa da porta. Calçado novamente vai para a lanchonete tomar o café da manhã. Sempre pega o lanche e caminha em direção ao avião. Dorme um sono profundo até o destino final, qualquer que seja. No desembarque quase sempre um senhor à espera com uma plaquinha na mão com seu nome. E sugere que pode carregar sua bagagem. Ele responde que “não, pode deixar, está tranquilo”. Entra no carro e faz o questionário-de-segunda-de-manhã sobre o que o senhor sabe da empresa onde vai trabalhar, do hotel em que vai ficar hospedado e alguns detalhes da cidade (onde pode correr e onde comer à noite, por exemplo). Segunda-feira = rotina.

João trabalho viajando e a cada semana está, via de regra, num lugar diferente, com pessoas diferentes, numa empresa com ramo de atividade diferente. Ainda assim há uma rotina.

Algumas pessoas conseguem lidar muito bem com estas repetições de fatos através dos dias. Outras não. Acho que nosso personagem se enquadra neste segundo tipo. No começo de algo novo ele procura um pouco de estabilidade em que possa se firmar. Após encontrar, começa a observar que tudo é a mesma coisa. Se não tem uma novidade, algo diferente, logo se cansa.

Assim como segundas-feiras pela manhã são enfadonhas para ele, a leitura da bíblia e os tempos de oração também tendem a ser. Que fazer para conseguir manter o ritmo? Criatividade? Não sabemos! Há alguns anos ele cultiva o hábito de tentar estar com Deus durante todo o tempo do dia (orações curtas e leitura dos versículos dos grupos do whatsapp são os instrumentos favoritos). Isto ainda não seria suficiente para que ele sinta que tem priorizado seu relacionamento com Jesus. João só se sente em paz comigo mesmo após ter sentado quieto no seu quarto (ainda que) por cinco minutos para ler e orar. Sozinho, sem barulho, sem distrações.

Pois é, mais de uma década após ter iniciado suas tentativas de tempos diários com Deus (com qualidade) nosso amigo João ainda não encontrou o ideal. Ele passa por fases boas em que um capítulo por dia e dois minutos de oração são suficientes para notar Deus mais próximo. Em outros momentos, no entanto, ainda que eu lute, deixa de procurar Deus um dia, dois dias e quando percebe já faz uma semana, talvez duas, que não tem o tempo que gostaria.

João compartilha conosco suas dificuldades. Sabemos que ele não está só nesta batalha, então usa o espaço deste post para pedir sua contribuição para que sua experiência o acrescente. E não só a ele, para que auxilie a outros que, como ele, tem dificuldade de manter a rotina de relacionamento diário com Deus por meio das disciplinas espirituais.

Forte abraço, até a próxima!

Um convite à esperança

Nos últimos dias voltei a ouvi um CD do qual gosto muito. É o Ventura dos Los Hermanos. Tem uma coletânea realmente boa de músicas que raramente podem ser ouvidas juntas num único disco. Este ano completam dez anos de lançamento do CD. Ao ouvir pensei no tempo que se passou e lembrei muito das coisas que vivia naquele momento, há dez anos… Recordo-me de ter sido um tempo de muita luta. Não que eu não tivesse lutado depois e que não tivesse ouvido o CD em outros momentos, mas naquela época era algo diferente.

Venturaclique para ouvir o CD online

Em 2003 eu começara a trabalhar como caixa numa administradora de imóveis. Minha cabeça, no entanto, estava muito distante de lá. Por este motivo deixava de lado pequenos, mas importantes, detalhes praticamente todos os dias. E exatamente todos os dias ouvia os gritos da minha chefe. Quem chegava para pagar o aluguel me achava uma pessoa normal, mas quem via de trás do balcão teria certeza de que eu era um louco. Papéis de lembrete espalhados por todos os cantos para que não cometesse os mesmos erros que já havia cometido. Lembretes do tipo “conferir se o cheque está assinado” demonstravam meu grau de atenção com o trabalho. Um belo dia levei todos ao delírio quando cheguei na reunião de oração do saudoso Grupo do Gutierrez com o pedido de que Deus interviesse porque meu caixa do mês estava com uma diferença nas contas, alto em torno de R$20.000,00, se não me falha a memória.

Naquele agosto frio eu também chorava o término de um namoro que fora muito curto e muito intenso. Estive envolvido, percebi o quanto não tínhamos muito em comum e, mesmo tendo tomado a atitude do término, sofria amargamente.

Vivia também naquele ano o desafio de cursar um pré-vestibular. Desafio porque passara os três anos anteriores apenas indo nas aulas e sequer sabia o que era um átomo. A dificuldade era grande porque abandonava todos os projetos aos quais me propunha pelo caminho. Minha vontade fraca fazia com que não perseverasse em muita coisa e logo na primeira dificuldade sentia preguiça de seguir adiante. Todo dia passava uma ideia nova na minha cabeça, todo dia sentia vontade de começar algo novo. Chegar ao último dia de aula no cursinho seria em si uma grande vitória.

Em casa carregava a responsabilidade de ajudar nas despesas. Fazia o que podia, e não era muita coisa. Ainda com a mente adolescente me preocupava mais com as festas de fim de semana do que com qualquer outra coisa que na prática fosse mais importante. Não sabia muito bem o que seriam dos anos seguintes, muito menos do que seria de mim hoje. Tinha lá no fundo uma certeza de que Deus estava comigo e mesmo que tudo estivesse caminhando tão mal aquilo tudo seria usado para glorificá-lo no futuro.

Pois bem, o ano terminou e logo apareceu um emprego diferente, em que pude ser melhor sucedido. Cresci e aprendi muita coisa sobre o valor do trabalho de lá pra cá. Esqueci a garota e arrumei algumas outras com quem me preocupar ao longo desses anos (rs). O sonho do vestibular permanecer vivo foi realmente a vitória de 2003. E permaneceu tão vivo que foi levado para 2004 e 2005, quando finalmente fui aprovado. Estudei, formei, tenho um ótimo emprego e posso fazer mais pela minha família do que fazia naquela época. Os projetos novos continuam a minar na minha cabeça todo o tempo e descobri que isto é bom, que é meu perfil. Aprendi a filtrá-los e a colocar em prática um de cada vez, com a ajuda de pessoas que podem dar continuidade para que haja espaço para o surgimento de novas e novas ideias. Até hoje gosto muito de ir a festas, mas aprendi a valorizar o que há de mais importante na vida além delas.

Passou-se uma década inteira. Chorei e lutei muito neste tempo. O que pude perceber é que Deus tem construído de maneira muito legal minha história. De todas as transformações a mais profunda, sem dúvida, foi interna. Vejo que meu caráter tem sido transformado. Ouço de forma mais clara a voz de Deus com sua vontade nem sempre compreendida, mas sempre perfeita. Sinto hoje uma liberdade que é indescritível. Liberdade de mim mesmo, dos meus medos, dos meus conflitos. Me conheci mais ao longo desse tempo e vejo o quanto ainda precisa ser transformado.

Ainda luto, ainda choro, mas há claramente um convite de Deus para que continue no caminho, e é isto que divido com você através deste texto. Assim como me sinto convidado quero também lhe convidar a olhar para trás e ver o que Deus fez por você nos últimos tempos. Se Deus não fez nada quero deixar o convite para que você se entregue nas suas mãos e permitir que ele o faça.

A boa obra nas nossas vidas só será completa no dia de Cristo, que até lá possamos continuar na labuta de sermos discípulos de Jesus e ter a imensa oportunidade de conviver de perto com ele dia após dia. Forte abraço!

Tempo

Aproveitando o momento de reflexão pela virada do ano, hoje tomarei a liberdade de deixar uma letra de música questionar você, seu ano, sua vida! Com vocês “Time” da melhor banda do mundo: “Pink Floyd”:

“Indo embora os momentos que formam um dia monótono
Você desperdiça e perde as horas de uma maneira descontrolada
Perambulando num pedaço de terra na sua cidade natal
Esperando alguém ou algo que venha mostrar-lhe o caminho

 

Cansado de deitar-se na luz do sol, ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa e há tempo para matar hoje
E depois, um dia você descobrirá que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr, você perdeu o tiro de partida

 

E você corre e corre para alcançar o sol mas ele está se pondo
E girando ao redor da Terra para nascer atrás de você outra vez
O sol é o mesmo de uma forma relativa, mas você está mais velho
Com pouco fôlego e um dia mais próximo da morte

 

Cada ano está ficando mais curto, você parece nunca ter tempo.
Planos que dão em nada ou em meia página de linhas rabiscadas
Aguentando em desespero quieto é o jeito inglês
O tempo se foi, a canção terminou, pensei que tivesse algo mais a dizer”
A letra me pega muito, mas creio que a resposta para um melhor aproveitamento do tempo é a resposta do seguinte verso:

“Esperando alguém ou algo que venha mostrar-lhe o caminho”

Porque temos tantas dificuldades de crer e seguir no autor da seguinte frase: (?)

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai sem passar por mim” (Jesus Cristo em João 14:6)

 

Um feliz ano novo e uma vida cheia de significados, aventuras e amor!

Abraço e até a próxima!

 

Dize-me onde está teu tempo e eu te direi quem és

“Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante” (Antoine de Saint-Exupéry)

Você é aquilo que você cita, você é aquilo que lê, você é aquilo com o qual gasta tempo. Isso é o que alimenta o que sai do seu corpo, que direciona suas energias e seu foco.

Uma vez, uma professora de sociologia nos fez contabilizar durante 1 semana todo o tempo que gastávamos e com qual tipo de atividade. O resultado me mostrou coisas importantes sobre a minha vida e sobre o meu uso do tempo. Como você organiza seu tempo, sua vida e sua energia diz muito sobre você. Tempo, vida e energia nós temos de sobra – ainda mais os jovens. Falta de tempo nunca foi desculpa pra nada, a não ser para falta de prioridade.

Não nos culpemos: o ritmo de vida moderno nos impõe muitas obrigações e afazeres. Mas cabe a nós decidir se será o ritmo de vida, a urgência das coisas e o atropelamento dos fatos que guiará a nossa vida e as nossas decisões. De atropelos em atropelos, de correrias em correrias, aquilo que era importante mesmo pode ficar de lado. E nesse meio tempo, aquela sua rosa, que você queria tanto cultivar, pode morrer.

Aquilo que tem importância na sua vida o tem porque você lhe dedica tempo e atenção. O que você tem deixado importar na sua vida? O que você quer que importe na sua vida? Se a resposta a uma pergunta é diferente da outra, convido você, leitor, a refletir sobre os seus rumos de agora em diante.

Voltei a caminhar

Há algum tempo torci o pé em um buraco na rua e quase caí. Não houve um tombo, um vexame público que desse causa à gargalhada alheia. Aliás, quase ninguém viu, só os que estavam mais próximos naquele momento. No impulso e por vergonha quis seguir adiante, como se nada tivesse acontecido. Não deu certo, a dor era grande. Abaixei, coloquei a mão no pé, suspenso no ar, e bem devagar tentei apoiá-lo novamente ao chão. Saí mancando, pois não poderia parar minha vida por conta de uma simples torção. O dia e os muitos compromissos seguiram normalmente, não pude, entretanto, deixar de sentir o pé latente todo o tempo, agravado pelo inchaço que advindo da torção. De vez em quando a dor cessava e me esquecia dela. Mas, ao tentar caminhar normalmente, o pé acusava a lesão que ali se instalara. A torção não foi suficiente para que restassem hematomas, muito menos feridas abertas na pele. Ainda assim, o simples fato de meu pé ter se retorcido já foi suficiente para tirar minha vida do eixo. Foi forte ao ponto de questionar a Deus se ele realmente guiava meus passos. Como foi que não consegui me livrar do buraco?

No outro dia fui lembrado do incidente logo ao me levantar e passar pela desagradável situação de tentar me apoiar no pé contundido. Resolvi ir ao médico. Uma radiografia foi tirada e houve a comprovação de que não havia fraturado nenhum osso. Sei que não, caso contrário não teria saído andando da cena do acontecido. Restava a dor, mesmo sem fratura. Tomei os analgésicos e antinflamatórios receitados. Manquei por um bom tempo, sempre reclamando com Deus. Passaram-se uma semana, duas, já não era tão forte assim, mas permanecia o incômodo. Procurei novamente um especialista, que apenas me receitou mais analgésicos e disse que só o amigo tempo ajudaria na cura. Fui em outros dois, três amigos que conheciam do assunto. Todos repetiram o que já havia ouvido. O incomodo permanecia. Já estava chato conviver com o andar manco. Já estava cansativo falar da dor para todos os meus amigos. Estava ruim não acreditar que Deus continuava ao meu redor, cuidando do meu caminhar.

Passado mais algum tempo pude perceber que o incomodo na verdade estava muito distante de uma dor e que representava apenas uma insegurança. O trauma me impedia de lembrar como era bom andar sem ter de me preocupar com o acontecido. Outro amigo próximo de mim também torceu o pé e pouco tempo depois voltara a caminhar com a mesma firmeza com que o fazia antes da quase-queda. Foi ele quem me alertou para meu medo. É… não teve jeito – percebi que não havia mais espaço para insegurança. O tempo (ou a falta dele) exigia que colocasse o pé no chão e andasse a passos largos, até mesmo que corresse. Quis esperar mais um pouco, testar a Deus para ver se realmente estava por perto. Descobri logo que ao esperar decidia por não voltar a caminhar. Vi que Deus se preocupava com meus passos, que não foi ele quem criou os buracos da vida e que ia cuidar de mim, quer confiasse ou não. E assim cheguei ao ponto de entrega dos pés ao Pai, assim que hoje tenho decidido: voltei a caminhar e seja o que Deus quiser, literalmente.

Tradição e contradição

2000 anos atrás, mulher com cabelo curto era prostituta;

700 anos atrás, ousar ler a bíblia sem ser padre nem era cogitado;

600 anos atrás, quem tomava banho com freqüência era morto pela inquisição;

500 anos atrás, índio não era humano;

400 anos atrás, negro não tinha alma;

300 anos atrás, as pessoas se tratavam com sanguessugas;

200 anos atrás, não existia infância, as crianças eram “adultos-miniatura”;

100 anos atrás, não seria mal-visto espancar um gay;

90 anos atrás, mulher de calça era macho;

80 anos atrás, lugar de mulher era na cozinha;

70 anos atrás, biquini era pouca-vergonha;

60 anos atrás, ninguém falava em meio-ambiente…

 

Fico pensando: quando meus bisnetos ouvirem falar de sua querida bisavó, o que pensarão de mim? Quais atitudes que para mim hoje são completamente normais soarão para eles como profundamente conservadoras, reacionárias ou simplesmente muito estranhas?

É muito difícil notar suas próprias tradições ou contradições. Às vezes só o observador externo as vê.

Precisamos estar mais atentos às diversas mudanças do mundo aí fora. E assim como a humanidade mudou ao longo dos anos, você também mudou e mudará ao longo dos anos. Nosso Deus é único e atemporal. Nós não.

A memória e o tempo

Nosso cérebro é seletivo. O tempo passa e muita coisa ruim fica para trás, felizmente. Se não fosse assim jamais conseguiríamos prosseguir. Ele faz questão de guardar uma coisa e outra que foi muito ruim, como uma espécie de alerta, para que evitemos aquele tipo de situação a todo custo. Tenho pensado no quanto é bom deixar para trás algumas coisas e, melhor ainda, lembrar de muitas outras.

Em determinadas fases da minha vida fico aprisionado no lembrar de coisas que gostaria de esquecer e no ter dificuldade em recordar outras, tão importantes para meu prosseguir diário. É que os momentos ruins parecem não ter fim e os bons, na maioria das vezes, só são bons mesmo depois que passam. Filosofei a respeito disso com meu amigo Salomão (não o da Bíblia) há alguns anos. Falávamos sobre nossa percepção do tempo. Quando passamos por algo chato queremos que o tempo avance como se apertássemos a tecla para adiantar e assim temos maior percepção sobre a existência do tempo e de que ele tem seu próprio caminhar, independente de nossa vontade. Já quando vivenciamos situações verdadeiramente agradáveis, o momento em si é tão prazeroso que não nos permite preocupações alheias à ele, como o tempo.

Para mim, hoje é tempo de deixar de lado velhas angústias e alguns desentendimentos – de deixar que meu cérebro selecione coisas melhores. É tempo também de relembrar minha história de vida, minhas lutas e principalmente as vitórias que Deus me proporcionou – é tempo de reviver o que foi bom como incentivo para ir adiante! E para você, hoje é tempo de quê?

Recomeço

O primeiro dia!! O que você fará diferente neste ano?

A ideia de ciclo que a contagem do tempo nos dá penso ser muito benéfica. Dá uma sensação de liberdade do passado: posso fazer diferente! Posso melhorar! Posso deixar os erros para trás! E de fato podemos, até certo ponto.

Que neste ano você não deixe Deus em segundo plano.

Que neste ano você planeje a sua vida. Realize-os. Avalie os erros e acertos. E aja diferente nos novos planos. #PDCA

Que você possa valorizar as pessoas e o tempo com elas. Mais do que as atividades e os bens. Lute para a agenda não engolir a família e os amigos.

Dedique-se mais no seu trabalho.

E preocupe-se menos.

Para onde formos, com o Senhor vamos.

Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Sl 16:2 (NVI)

Don´t be so hard on yourself

“Don´t be so hard on yourself”
“Não seja tão duro consigo mesmo”
(Don´t cry – Seal)

 

Nesse semestre, estudei bastante sobre política econômica do Brasil. Na boa, tem horas que dava vontade de pegar o ministro da economia da época pelo pescoço e mostrar pra ele: “Você não tá vendo que essa medida que você vai tomar agora vai avacalhar o país em tais e tais quesitos no futuro??”

Quem nunca leu alguma história de Jesus em que os discípulos não conseguem entender algo que Ele disse e pensou: “Como você não entende o que Jesus está falando? Está tão claro!”

O nosso julgamento em relação ao passado se dá com o entendimento que temos hoje. Como é que os discípulos iam entender se ainda não estavam prontos? Como querer julgar hoje o passado com o entendimento do presente? Como é que o governo ia advinhar perfeitamente o efeito das suas ações? Não podemos ser condescendentes com o erro, obviamente, mas é impossível prever todos os efeitos e acertar todas as vezes.

“E por quê você está falando de política econômica e da bíblia, Ana?” Porque às vezes fazemos exatamente a mesma coisa conosco (ou com o outro. Imagina se não é petulância minha querer julgar o que fez um ministro da economia!). Olhamos para o passado e nos julgamos. “Como eu fui estúpida o suficiente para fazer/crer/largar/aceitar isso? Como pude ser tão burra? Como eu não vi em que ia dar?” Sim, claro. Erros servem para que aprendamos com os mesmos, para que cresçamos e não caiamos mais nas mesmas coisas. Mas não nos martirizemos com os erros do passado. Como é que você poderia saber de todas as conseqüências dos seus atos? Você poderia estar tendo a melhor das intenções no momento…

Podemos aprender com o passado, mas não querer que, com o entendimento de hoje, tivéssemos agido diferente no passado. Você era diferente, pensava diferente, tinha uma compreensão diferente e nem tinha todo o conhecimento dos resultados das suas ações antigas como tem hoje. Hoje os resultados nos parecem claros, mas à época não eram.

Aproveite a experiência como um aprendizado, não como um fardo de o que você deveria ter feito e não fez. “Não seja tão duro consigo mesmo”. Nem com os outros. Cito JK para terminar. Quando acusado de mudar de opinião, ele dizia: “Não me cobrem coerência. Eu não tenho compromisso com o erro”. Ainda bem que temos a opção de mudar. Hoje.