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Viver é sofrer, inevitavelmente e vice-versa

Fui desafiado a preparar um estudo sobre sofrimento. Foi fácil. Falar sobre sofrimento é falar sobre mim e sobre você. Sem dúvidas, uma das melhores palavras para descrever o nosso mundo é sofrimento. Nenhuma outra experiência humana tem mais potencial de nos lançar ao universo das crises, dúvidas, descrenças, revoltas e blasfêmias do que o tal do sofrimento.

É impossível viver a vida sem sofrer. Os verbos “viver”e “sofrer” tornam-se praticamente sinônimos. Há mais de 10 anos trabalhando com pessoas, a conclusão é essa. Todos experimentamos sofrimento. A maneira como ele se manifesta tem suas variações, mas o sofrimento é um personagem que não passa despercebido nessa vida. Ele faz questão de se apresentar a todos nós, sem exceção.

Você, com certeza, possui uma lista que registra o seu histórico de sofrimento. Todos temos nossa lista. Violência, traição, crise de identidade, morte, dignidade ferida, aflição, doença, medo, decepção, existencialismo, mágoa, crueldade, sonho não realizado, tragédia, rejeição, vício, opressão, abandono, rancor, ofensa, extorsão, culpa… A lista não para! Tá certo que alguns históricos são maiores do que outros, mas ninguém vive sem fazer seus registros nessa lista. E há momentos na vida (os mais difíceis deles, inclusive) que o sofrimento se avoluma e ganha densidade. Talvez a tal felicidade (que tanto almejamos) seja a experiência dos dias em que o sofrimento parece ter diminuído ou se tornado quase que inexistente. Porque existem dias em que a vida se apresenta bem mais colorida e as dores se amenizam. Aliás, tem sido assim, meus últimos dias. Seria mais fácil falar sobre sofrimento quando não se está imerso nele? Não sei dizer.

Mas o meu objetivo com o post é apenas um. Gostaria de saber como você lida com o sofrimento. Quais são suas estratégias diante dos dias difíceis? Como você reage? Quais conclusões você tira em meio as dores? Você questiona a existência ou o cuidado de Deus?

O estudo que preparei será daqui a dois dias. Não tenho certeza se vai ser bom, mas só o fato de ter estudado sobre esse tema, já valeu demais para mim. Porque é impossível investigar nas Escrituras o assunto sofrimento e não olhar para Jesus. E é impossível olhar para Jesus e concluir que não foi bom.

“Ele foi desprezado e ignorado, um homem que sofreu, que conheceu a dor por experiência própria.”(Isaías 53:3 – Bíblia A Mensagem)

E aí? Quem topa vir comigo para o estudo?

Um grande abraço!!!

O choro de Jesus

Quanto sofrimento passamos nesta vida. Quanta coisa ruim. Impossível imaginar uma vida sem Cristo. Mas e quando somos acometidos de alguma tragédia ainda sendo cristãos?

Já me questionei muito em relação às intenções de Deus para comigo diante do sofrimento. Parece que Ele não quer fazer nada para aplacar a dor, visto que ele pode tudo.

Quando volto para a Bíblia vejo em Jesus alguém que se preocupa com o outro, que sente e que sofre junto. Foi assim com a dor de Maria, Marta e do seu amigo Lázaro.

Eram três irmãos que tinha uma amizade muito profunda com Jesus. Maria e Marta, certo dia, mandam mensageiros a Jesus para que ele os visite porque Lázaro estava doente. Jesus estava atarefado e não pôde ir no momento que soube da enfermidade. Quando finalmente chegou à Judeia, Jesus foi informado do falecimento de seu amigo. As esperançosas Marta e Maria sabiam da ressurreição dos mortos num futuro, mas ainda estavam profundamente tristes pelo ocorrido. Jesus, tal como elas, também entristeceu-se por Lázaro ter sofrido os males da doença e ter morrido. Ele então o ressuscita. O que chama atenção na passagem de João 11 é o menor versículo da Bíblia – “Jesus Chorou” (vers. 35).

Jesus tem sentimentos e se preocupa com a vida de seus amigos. A relação de Marta, Maria e Lázaro com Jesus vai muito além de um pedido de auxílio. Talvez por isto a tristeza.

Deus não é responsável pelo mal no mundo e não faz mal a ninguém. Estamos diante do caos, em que muita coisa está fora do seu lugar planejado por Deus. Não quero com um pequeno post resolver o mistério milenar de quando, como e porque Deus age. Quero hoje, um dia triste para alguém, somente o lembrar de que nosso amigo Jesus tem se preocupado com a situação presente e tem chorado junto.

Que este mesmo Jesus aplaque nossas dores na adversidade, amém!

A entrega derradeira: coração

Nos últimos dias tive a oportunidade de partilhar de momentos de muita comunhão com muitos dos irmãos em Cristo que mais amo, meus amigos que são parte da Comunidade de Alvo da Mocidade em Belo Horizonte. Neste tempo pude experimentar novamente um tipo de amor que infelizmente não me acompanha no dia-a-dia, aquele que só pode ser partilhado por quem conhece a Cristo. Em meio a este clima pude refletir bastante a respeito da minha vida e do que Deus tem de legal pra mim.

Muita coisa foi dita durante os quatro dias, em especial pelo Adilson Donatelli. A que mais me chamou atenção foi a  história de uma mulher paralítica curada por Cristo. Encontrei o vídeo abaixo do filme que ele fez menção: The Robe, 1953 (“O Manto Sagrado”). A versão é em inglês e as cenas narradas estão do minuto 1:03:42 a 1:15:40.

Senti um golpe profundo quando foi mencionado que a cura da mulher, segundo seu próprio entendimento, não fora física, mas sim do seu coração. Imediatamente pensei no meu espinho na carne,  em quanto dedico atenção a ele quando poderia batalhar pra ficar bem com Deus. Não consegui pensar em mais nada desde então. Como pode ser? Deus deixa a mulher conviver com seu problema e ainda assim ela entende que foi curada? Sinto que estou profundamente distante disto.

O incomodo me fez ver que mesmo após muitos anos andando com Jesus, de pensar que havia entregue tudo quanto tenho, ainda me falta algo… E o que falta, para meu espanto, é só o principal: meu coração. Vivo justificando, colocando a culpa em Deus, nas pessoas do meu passado que me mostraram seu lado ruim, em mim mesmo. Nada disso tem surtido efeito.

Confesso que não fiquei muito empolgado com a ideia de ter que resolver algo tão crítico com Deus. Tenho certeza, no entanto, que os resultados serão excelentes, leve o tempo que levar. Se todos somos seres do mesmo pai e iguais por natureza, creio que cada um também já viveu, vive ou viverá este mesmo dilema da entrega derradeira, deixando nas mãos de Cristo as dores mais profundas da nossa alma, o que mais poderia nos afastar dele.

Que a cura da mulher possa servir de estímulo para que busquemos também nossa cura no amor de Cristo. Que possamos orar um pelo outro em comunidade e que este amor sentido quando juntos possa nossa ajudar a superar esta e todas as outras dificuldades de ser um cristão genuíno. Se tiver alguma experiência legal sobre esta entrega não deixe de dividir com a gente, comente!

Forte abraço!!!

A paixão no fundo do poço

As coisas já não estavam bem há algum tempo, mas desta vez parece que chegou ao fundo do poço. A oração parece não ser ouvida por Deus. Os amigos, até mesmo os mais próximos, parecem agora virar as costas impacientes, incompreensíveis, indiferentes à sua questão. A Igreja, no lugar de oferecer os braços abertos, o condena. Talvez pudesse recorrer ao Estado, mas ele nada tem a ver com sua vida privada. Poderia apelar ao povo, mas moralmente o que foi feito não encontraria respaldo na opinião pública. O choro, a angústia, o sofrimento… nada poderia aplacar a dor de ter chegado no fundo do poço. O questionamento em relação a Deus é um só e resta apenas um grito entalado na garganta…
Na história da humanidade outra pessoa muito significativa também passou pelo fundo do poço. Num determinado dia sua oração triste avançou madrugada adentro, sem resposta como a sua. Seus amigos mais íntimos dormiram enquanto ele pranteava. A Igreja da época o perseguiu com tochas nas mãos clareando aquela noite fria. O Estado não foi indiferente, mas apoiou a Igreja na sua caça, apanha e morte. O povo que ele tanto ajudou se transformou numa espécie de massa alienada e também não lhe ofereceu abrigo. Jesus! No jardim Getsêmani em meio ao suor ensanguentado,  ele gritou a Deus o que você tem vontade de gritar: “pai, por que me abandonou?”
Jesus, mesmo sem merecer, passou por uma dor absurda. O momento da crucificação não foi tão romântico como nos  belos quadros pendurados nas catedrais.  Ele também passou pelo fundo do poço. Não por acaso este é o momento chamado de “paixão de Cristo” (o momento no Jardim não é toda a paixão, mas não há como falar dela sem contemplar esta noite de Jesus).
Toda a dor não se justificaria se Jesus tivesse simplesmente morrido. Ele seria somente mais um deus morto como todos os outros supostos deuses que já passaram pela Terra. Jesus foi diferente: ele ressuscitou e saiu do poço. Com ele também saiu nossa necessidade de desespero no poço. Jesus também sofreu na vida e também chegou ao fundo do poço. Saber disto é muito confortante, ele verdadeiramente sabe como você se sente. Por meio de sua paixão ele lhe oferece hoje, mais do que nunca, a mão para que você saia desta situação de uma vez por todas. Não há poço mais fundo que a falta do amor e da presença de Deus. Minha oração é para que você possa se agarrar a esta oportunidade e volte à vida.

Referência: Oração: cartas a Malcolm: reflexões sobre o diálogo íntimo entre homem e Deus / C.S. Lewis; tradução Antivan Guimarães e Jurandy Bravo. – São Paulo: Editora Vida, 2009.

Genérico

Vivemos em uma época de procura por genéricos. Temos várias modalidades: remédios, produtos. Tudo é avaliado no custo benefício – algo mais barato e que atenda do mesmo jeito. Infelizmente essa “filosofia” do genérico adentrou o cristianismo. Se é tão difícil seguir Jesus pelo caminho da negação e do carregar nossa cruz, optamos por um chamado genérico. Pensamos no custo beneficio e escolhemos por um caminho que, a curto prazo, tenta ser vendido como mais barato do que a graça (ou aquilo que é de graça). A médio prazo rejeita a negação de si e o carregar a cruz, com o discurso que a felicidade está acima de tudo.

Enquanto isso, o líder do movimento legítimo nos convida a caminharmos juntos de graça, mas, durante a caminho, não promete ausência de dor, de sofrimento, de cruz. Nos é dado de graça mas exige um alto preço de nós (eu sei, é um paradoxo)! No caminho crescemos, no caminho somos transformados, no caminho aprendemos a nos contentar , no caminho choramos e nos alegramos de forma compartilhada, no caminho estamos em paz, no caminho olhamos para o lado e vemos irmãos, no caminho olhamos para frente e temos a referência Daquele que nos chama e nos conduz para uma boa morada.

Talvez esse seja o maior preço do genérico: chegarmos no fim e não encontrarmos morada, chegarmos no fim e olhar pelo caminho “tranquilo” que percorremos e notar que ele não trouxe transformação, crescimento nesse homem tão egoísta e solitário!

Os caminhos são colocados aos montes em nossas vidas, as vozes berram pela sua atenção! Não se esqueça que, no meio de toda essa confusão, está Aquele que sussurra: “Eu sou o caminho”!

Espinho

Três vezes roguei ao Senhor para que retirasse o espinho. Acredito que já tenha suplicado mais de três vezes, na verdade.

Após tantos anos de caminhada cristã, após tanta luta, grandes vitórias, ele ainda está presente. Não tenho nada em mim que por mim possa exaltar. A dor é imensa. Quem pode com ela? Talvez seja a cruz que Cristo disse que teria que carregar. Não sei ao certo. Já lutei, já briguei, já jejuei, ja pedi a todos os amigos para que orassem por mim, já passei noites em claro e ele ainda incomoda. Tenho uma enorme vontade de arrancar meu coração e um pedaço do meu cérebro fora para ver se resolve. É complicado, só quem tem um espinho na carne sabe do digo.

Ao mesmo tempo e felizmente, se dissesse que em nada evoluí estaria mentindo. Hoje já não sou aprisionado pelo espinho como antes de crescer com Cristo. Tenho, no entanto, muito medo ainda de que me sufoque e me tire do Caminho, tamanho é o incômodo.

Pergunto a todo o tempo por que eu, será que é só comigo, quando terá fim… Mas o Senhor apenas me responde “minha graça lhe basta, o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Então tiro disto proveito, fazendo da minha relação com Cristo mais profunda e tentando nele me alegrar.

Hoje compartilho mais minhas dúvidas e um pouco da minha vida do que qualquer doutrina ou reflexão. Sinta-se livre para comentar e dividir suas experiências comigo.

No Tabor tanto quanto no Calvário

É um grande aprendizado ver o quanto Jesus honrou e glorificou o Pai. A relação é nitidamente sólida, ela não dependia de circunstâncias da vida. É impressionante como vemos hoje relações superficiais com o Pai. Relações que dependem das circunstâncias. Deus é o Senhor quando convém. Eu amo a Deus quando sinto Ele atuando favoravelmente em minha vida. Fica a questão: será que minha relação com Deus é consistente? Existe tanto na alegria como no sofrimento? Ou eu dependo de circunstâncias boas para amá-lO?

Jesus amou Deus no monte Tabor, onde foi transfigurado (Lucas 9), onde foi glorificado, honrado. Naquela noite Deus se fez fortemente presente na vida de Jesus como Pai! Mas Jesus O amou também no calvário, momento de grande sofrimento, dor e silêncio.

Como é a sua relação com Deus? Depende unicamente do monte Tabor ou se mantêm intensa em qualquer momento, em qualquer “monte”? Que as experiências no  monte Tabor, não nos leve a buscá-lO por circunstâncias mas sim, simplesmente, por amor!

Abraço e até a próxima!

Escolha: liberdade e responsabilidade

Escolha: liberdade e responsabilidade

6:50 da manhã. O despertador do celular toca. Levantar ou programar o modo “soneca” e dormir mais cinco minutinhos? Escolha! Há sempre mais de uma opção na vida: mais de um celular para despertar de manhã a ser comprado, mais de um programa para fazer no sábado à noite, mais de um curso no vestibular, mais de uma área a seguir na profissão, mais de uma garota para chamar para sair – mais de um caminho a seguir.

As escolhas aparecem desde a hora em que acordamos e nos persegue até o final de cada dia da nossa existência. Em virtude delas escrevemos boa parte da história de nossas vidas. Acertando ou errando colhemos os frutos, para o mal ou para o bem. O intuito é sempre acertar, mas nem sempre conseguimos. Em alguns momentos estamos atentos para esta realidade, há outros, no entanto, em que a verdade diante de nós passa muito despercebida. É então que o perigo bate à nossa porta. Agimos como se não houvesse amanhã. Plantamos uma semente aqui e outra ali; sem perceber temos uma floresta! Se de sementes ruins, uma floresta repleta de folhas secas, galhos com espinhos e frutos amargos. Não há como definir as conseqüências de nossas escolhas, certo é que elas virão e que não terá como fugir delas. Prejudicar-nos é o mínimo que poderá acontece. O produto final das escolhas será invariavelmente dividido com quem não decidiu por ela.

Que fazer diante de tal possibilidade? Arrisco afirmar que a esmagadora maioria dos problemas causados por escolhas mal feitas provém do fato do ser humano querer seguir seu próprio caminho no lugar de seguir a Deus. Como foi com Jesus? Estando no jardim chamado Getsêmani, Jesus orou com tristeza pedindo para que Deus o tirasse da situação ruim de ter de morrer pelos pecados da humanidade (Marcos 14:36). O Líder tinha a opção de pegar a espada nas mãos do discípulo, convocar seus seguidores e lutar contra os soldados e líderes religiosos que procuravam prendê-lo. Havia ainda a possibilidade de apenas fugir com seus amigos e passar a viver na obscuridade. Ele, ao contrário, seguiu o que fora determinado por Deus e cumpriu o que lhe era devido. Não há como deixar de pensar em dor, desde a física até mesmo a psicológica pela decisão tomada. Jesus decidiu por Deus e colheu os bons frutos que lhe foram prometidos (Filipenses 2:9,10).

Na minha vida não é diferente. Todo o tempo sofro pelo fato de ter de decidir e muito mais pelas conseqüências das decisões tomadas. Minha oração é para que Deus me deixe claro o que há de legal guardado para mim depois do alto muro que hoje me impede de enxergar adiante.

Este post é fruto de um papo muito pesado que tive com uma amiga. Há alguns anos dividimos nossos dias de feira. Apesar disso, infelizmente, tivemos muitos poucos papos tão produtivos sobre a vida tal qual o da última sexta-feira. Quero terminar dividindo com ela e com você alguns questionamentos que tenho me feito:

Como tenho decidido a respeito do que tenho vivido? Considero a existência do outro de maneira altruísta conforme Jesus exige (Filipenses 2:4; Mateus 5:39)?

Tenho dedicado a Deus sua honra (Malaquias 1:6) ou faço dele meu “gênio da lâmpada” a quem exijo tão somente respostas a pedidos vazios?

Qual minha reação com o que Deus quer de mim? Lutar com minhas próprias forças? Fugir e passar a viver dissimulando amadurecimento? Ou me entregar como Jesus fez?

Concluo: o livre arbítrio é forte expressão do amor de Deus pelo ser humano. Ele não quer um exército de robôs que os adoram apenas por obrigação. Junto da liberdade porém reside uma grande carga de responsabilidade!

Será que estas ideias são difíceis de serem vividas apenas por mim? Compartilhe comigo sua opinião!

Também não condeno

O que aconteceu? Ainda não consigo compreender. Jamais imaginei algo do tipo, não de você. Isso tudo é tão estranho. O que você fez foi muito ruim! Como pôde deixar de lado tudo o que havia construído ao longo de tantos anos? Como pôde desconsiderar que outros existem e que suas atitudes interferem na vida deles? Jogar com pessoas, brincar de pecar… Por que as coisas tomaram este rumo? E nosso velho sonho de sermos como Jesus, o que foi feito dele? Quando foi que suas ações deixaram de seguir suas palavras? Não estou tão bravo quanto triste. Uma angústia muito grande toma conta de mim. É difícil simplesmente esquecer toda essa história e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Quando será que as coisas voltarão ao normal? Será que um dia voltará ao normal? O que é o normal?

Mas sei que você não foi a primeira pessoa a errar nesta vida. Sei que há coisas que fogem ao nosso controle quando começamos a errar. Sei que também já errei, não exatamente como você, mas já ultrapassei os limites alguma vez na minha vida. E me lembro que Deus me perdoou, e todas as pessoas que havia magoado também. O perdão não significou ter meus relacionamentos intactos, muitas amizades se foram neste caminho. A de Cristo permaneceu, aliás, ficou ainda mais forte. Nada há oculto que não venha a ser manifesto. Que bom que ele permitiu que tudo viesse à tona para que pudesse ser resolvido. Sei que Deus, como agiu comigo, também lhe perdoa. Este é o mistério de sua graça – nada há que faça com que Ele lhe ame mais do que já ama, e nada há que faça com que lhe ame menos do um dia lhe amou.

Sei que você não é o monstro, embora suas atitudes tenham sido monstruosas. Sei que no fundo deste pecado se encontra um pecador amado por Deus. Por isso, não posso simplesmente lhe matar da minha vida. Não posso ignorar sua existência. Não posso esquecer a pessoa que um dia conheci, aquela amante da cruz de Cristo. Amanhã será outro dia e só ele nos dirá quem tem caráter e quem está disposto a pagar o preço de ser cristão. Até lá, caminhemos segundo o que já alcançamos. O amigo tempo será o maior aliado de todos no momento. Que, de costas para o erro, você volte caminhar na trilha estreita da santidade. E, sem saber ao certo quando foi, um dia estará tudo bem novamente. Você então estará ainda melhor capacitada para ajudar pessoas que passam pelo mesmo problema.

Por fim, conheço o que há aqui dentro, sei que não sou exatamente “o santo”. Se não lhe perdoar, Deus me disse que também não me perdoa. Que há em mim que me faça melhor que Jesus? E se ele, que foi o único santo de verdade na história, não lhe condena, também não lhe condeno.

Snif, Snif *

É engraçado como somos seletivos em nossas práticas cristãs. Somos desafiados a espelhar várias características de Deus, e o motivo é que nos tornemos (novamente) a imagem e semelhança Dele. Pois bem, em que circunstâncias devemos espelhar Deus? Amor, justiça, vida social, criatividade, zelo, pureza, fidelidade… etc. Há uma resposta que raramente entra nessa lista: em nosso sofrimento! Refletimos Deus em nosso sofrimento? Devemos ser Sua imagem no sofrimento? “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória” (Romanos 8:17). Precisamos aprender a sofrer como Deus, passando pelos nossos sofrimentos entendendo que são de Deus também. Por que o culpamos se Ele sofre também? Concordo com Rob Bell quando diz que a cruz é o modo como Deus fala para a humanidade: “Eu sei como é!”

A característica do sofrimento é o choro. E como Jesus diz: “Bem aventurados os que choram”. O que isso quer dizer? Vivemos em um mundo onde os fotógrafos de nossas vidas nos pedem para sorrir, viramos as costas àqueles que choram! No entanto o salmista me recorda que “aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão, aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes.” (salmo 126 5-6). Então quem são os que choram? Creio que são aqueles que vivem com a perspectiva do dia do Senhor, aqueles que anseiam com todo o seu ser o grande dia do Senhor. São aqueles que percebem que nesse dia não haverá cegos e sofrem quando vêem um. Não haverá fome e sofrem quando vêem alguém com fome. Não haverá injustiça e sofre quando sofre ou vê injustiça. Não haverá corrupção e sofre quando vê corrupção. Não haverá incredulidade e sofre quando vê um incrédulo. Não haverá opressão e sofre quando vê o oprimido. Não haverá morte e sofre perante a morte!

“Os que choram são os videntes que sofrem, os quais Jesus abençoa” Nicholas Wolterstorff

Que possamos aprender a sofrer pois somos imagem e semelhança de um Deus que escolheu sofrer por amor. E que tem autoridade, em qualquer tipo de sofrimento de nos dizer: “Eu sei como é!”

Abaixo segue a letra de parte da música “Jesus chorou”, do, sempre inteligente, grupo racionais.

O que é, o que é?

Clara e salgada,
cabe em um olho e pesa uma tonelada.
Tem sabor de mar,
pode ser discreta.
Inquilina da dor,
morada predileta.
Na calada ela vem,
refém da vingança,
irmã do desespero,
rival da esperança.
Pode ser causada por vermes e mundanas
ou pelo espinho da flor,
cruel que você ama.
Amante do drama,
vem pra minha cama,
por querer, sem me perguntar me fez sofrer.
E eu que me julguei forte,
e eu que me senti,
serei um fraco quando outras delas vir.
Se o barato é louco e o processo é lento,
no momento,
deixa eu caminhar contra o vento.
Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?
O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável.
(E quente) Borrou a letra triste do poeta.
(Só) Correu no rosto pardo do profeta.
Verme sai da reta,
a lágrima de um homem vai cair,
esse é o seu B.O. pra eternidade.
Diz que homem não chora,
tá bom, falou,
Não vai pra grupo irmão aí,
Jesus chorou!

Sou muito grato à Nicholas Wolterstorff por me fazer refletir no tema a partir de sua dor!

Abraço e até a próxima!