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Ajude e seja anônimo

Há algum tempo havia convidado um grande amigo para publicar suas ideias numa terça aqui no Outras Fronteiras. As palavras sabias deste meu amigo muito me ajudam já há algum tempo e é por isto que hoje abro espaço para que ele compartilhe um pouco mais sobre o que tem pensado. Com vocês, Carlos Conti:

Queremos impressionar as pessoas! Fazemos isso porque somos carentes de atenção. Uma carência originada da necessidade de sermos aceitos nos diversos grupos que fazem parte da nossa rotina. Afinal, o homem é um ser social. A nossa vida se desenvolve e é mais segura quando estamos inseridos e aceitos em um grupo de pessoas. É ali que elevamos o nosso conhecimento e experimentamos níveis elevados de sentimentos bons e ruins.

E é essa dependência do outro que deveria nos motivar. Neste exato momento, perto ou longe de você, há pessoas inseguras e carentes de atenção. Pessoas com traumas psicológicos, com problemas familiares, discriminadas, com fome e sede. Ninguém que seja tão diferente de você, mas pessoas sem as respostas que temos. Basta dar uma volta pela rua. Observe seus colegas de trabalho ou dentro da sua própria casa. Analise as manifestações espontâneas no Facebook e no Twitter. Há pessoas pedindo ajuda e você nem percebe…

Mas assim como está escrito em Mateus 6, não sejamos hipócritas. Ajude sem fazer alarde. Nem antes, nem depois. Perceba que, se a sua motivação for dependente dos aplausos de um público, você somente ajudará se for recompensado com os aplausos da plateia. Se isso não acontecer, você irá buscar outra fonte para suprir a sua carência de atenção. E pode apostar: isso vai acontecer! Afinal, nem sempre um ótimo show é compreendido pelo público. Tudo depende do contexto.

Enquanto isso, muitas pessoas continuarão pedindo ajuda para quem não quer usá-la como moeda de troca. E se você tem dificuldade para ajudar, comece e termine pela oração. Depois, ajude alguém próximo a você. Quem sabe um anônimo? Com o passar do tempo, seus olhos estarão acostumados a presenciar ações boas. E assim como está ressaltado em Mateus 6:22-23, o seu corpo também se encherá com pensamentos e sentimentos bons. A partir daí, tudo ficará mais fácil…

Trabalho Menor

Semana passada entreouvi a conversa de duas caixas em um grande supermercado enquanto era atendido. Uma comentou um pouco surpresa que o gerente estava varrendo o chão. A outra argumentou que ele como chefe deveria dar o exemplo mas que ela mesma nunca varreria ali: “eu não varro nem em casa”, completou.

A execução destes “trabalhos menores” no emprego sempre foi uma coisa à qual sou atento. Meus pais sempre diziam que as pessoas que pensam pequeno não admitem fazê-los.

Em contextos “mais altos”, há aquela história antiga de que “estagiário tem que pegar cafezinho na empresa”. Muitas empresas pecam pela forma como concebem o papel do estagiário na organização – pior para elas – mas acredito que a indignação das pessoas ao passarem por situações como esta deve-se ao fato de se sentirem menos dignas com a atividade.

 

Não julgo quem pensa assim. Não julgo mas não apoio.

Não julgo porque de fato realizar um trabalho “menor” é a função de pessoas que são menos prezadas. Não apoio um, porque se tem alguém que poderia buscar cafezinho esse alguém é o estagiário (falo por estagiário que sou) e dois, porque não deveria ser o trabalho que torna uma pessoa menos ou mais prezada. Nada, na verdade, deveria ter este poder.

Bom, mas como vivemos em um mundo da realidade e não da verdade, é isso que torna uma pessoa menos prezada para várias pessoas. E não vou tirar o meu da reta. Vou apenas lembrar a execução de um trabalho menor.

Um homem que de fato era menosprezado por muitos.

Uma ceia.

Uma bacia.

Uma toalha.

Já sabe.

É necessário ter uma certa segurança interna para poder se submeter ao trabalho de um escravo.