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Resistência inútil

O próprio Paulo (ou São Paulo, autor neotestamentário) faz diversos relatos a respeito da sua experiência pessoal com Jesus Cristo na estrada a caminho de Damasco. No livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 9, o médico e historiador Lucas descreve a cena. Já nos capítulos 22 e 26 do mesmo livro, o próprio Paulo relata o acontecido. As histórias batem, e até se completam. Dizem que, “respirando ainda ameaças e mortes” contra os chamados do Caminho, Paulo se dirige à Samaria, amparado pela lei judaica, afim de perseguir e prender os cristãos daquele lugar. “Quando se aproximava de Damasco”, uma forte luz vinda do céu brilhou de repente ao seu redor. Todos caíram por terra, e Saulo (ou Paulo) ouviu uma voz que lhe dizia:

“‘Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Resistir ao aguilhão só lhe trará dor!
“Então perguntei: Quem és tu, Senhor? “Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo.
Agora, levante-se, fique de pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei.”  Atos 26:14-16

Escolhi a narrativa do capítulo 26 não por acaso. Ela é, na minha opinião, a mais completa, e apresenta um detalhe que muitas vezes fugiu à minha atenção. Trata-se de uma afirmação feita pelo próprio Senhor a Saulo, e que é repleta de significado!

“Resistir ao aguilhão só lhe trará dor!” Atos 26:14b

Esse era um provérbio grego a respeito da resistência inútil. O aguilhão era uma vara pontuda, usada para provocar dor e estimular os bois que puxavam as carroças a seguir em frente. Resistir ao aguilhão só causava mais dor aos animais.

Paulo era um homem estudado. Ele foi instruído aos pés do Rabino Gamaliel, um dos  mestres da lei mais conceituados em seus dias. Paulo conhecia toda a Escritura, era um homem fervoroso na doutrina judaica. Ele estava convencido da vinda de um Messias da parte de Deus. Ele estava a espera de um Salvador.

Ainda assim Paulo resistia.

“O Filho de Deus em uma cruz? Isto é um absurdo. Apenas os malditos são mortos no madeiro, o Filho do Homem seria um ser divino, em que o Espírito de Deus repousaria sobre ele, que não poderia morrer como um assassino.”

E enquanto resistia, Paulo perseguia.

“Todos os hereges que afirmam que este homem é o Filho do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó devem ser presos. Esta doutrina deve ser exterminada o quanto antes.”

A que temos resistido? Qual área da nossa vida Deus tem tentado transformar e, de forma insistente, temos oferecido resistência?

Diante do Homem Divino, Paulo parou de resistir. Abraçou a fé e passou a se relacionar com o Messias que, segundo as palavras que ele mesmo escreveu anos mais tarde, “se fez pecado por nós” para que pudéssemos alcançar a justiça de Deus. No fim da sua vida o apóstolo afirma: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia”  (2 Timóteo 4:7,8).  Paulo vivera uma vida plena e repleta de sentido ao lado do Cristo.

No que diz respeito à vontade de Deus, a resistência é inútil. Não creio em um Deus que ande atrás de nós com um aguilhão, nos ferindo a cada vez que desconsideramos a Sua voz. Mas creio em um Deus que se revela através da Sua Palavra, que nos mostra a Sua vontade, e que permite que façamos duas escolhas: a obediência, numa postura de humildade que nos leva a um estilo de vida saudável e pleno, repleto de significado, ou a resistência, escolha esta que nos leva a um estilo de vida que “apenas nos trará dor”.

Aconteceu em São Paulo

Pretenderam o retorno das sombras…
Exigem agora que os mortos que saíram de seus túmulos retornem aos mausoléus. Aliás, a síndrome de Mausolo persegue o seu idealizador. Parecem ter esquecido que o céu escureceu-se por completo ao meio-dia. Ora, as pedras não se fenderam e a terra não estremeceu. Não! O véu do Santíssimo Lugar não foi rasgado de cima abaixo, porque agora resolveram costurá-lo.  Foi em vão, então, que o centurião e seus soldados disseram: “Era este verdadeiramente o Filho de Deus”.

A Cruz foi apagada, pois bem que pretendem restaurar o regime já posto. O sistema de outrora parece não ter sido subvertido pelo Homem cujo nome é acima de todo nome. As pedras parecem estar sendo recolocadas uma a uma onde não deveria restar pedra sobre pedra.

Trouxeram o templo de Salomão novamente para o nosso tempo. Falta-lhes o próprio Salomão e sobram alguns candidatos ao cargo de sumo sacerdote. Sentaram no altar, na cadeira mais pomposa, no lugar que chamam de santo – que o leitor entenda. Não, não! Ainda parece não ser a hora.

E,  então, mais uma do narcisismo…