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Que cálice tem bebido?

 “Assim diz o Soberano, o Senhor:
“Você beberá do copo de sua irmã,
copo grande e fundo;
ele causará riso e zombaria,
de tão grande que é.

 Você será dominada pela embriaguez
e pela tristeza,
com esse copo de desgraça
e desolação,
o copo de sua irmã Samaria.

Você o beberá,
engolindo até a última gota;” (Ezequiel 23:32-34)

A sede da alma é inerente ao ser humano! Temos sede e buscamos o que beber. Vários copos são postos à nossa frente…. o que você tem bebido?

Ezequiel alerta o povo sobre o copo que tem sido oferecido a eles : o copo de Samaria. “Copo grande e fundo”. Que causa “riso e zombaria”, “embriaguez e tristeza”, “desgraça e desolação”.

O profeta fecha com a seguinte sentença: “Você o beberá, engolindo até a última gota.”

Copo grande e fundo, que enche mas não sacia, que seduz e destrói.

Jesus oferece um outro cálice, cálice nada sedutor… mas o único que traz sobriedade, vitalidade e saciedade. Cálice de sangue e água. Sacrifício e vida.

Não há discípulo que não será questionado por Cristo: “Podem vocês beber o cálice que eu vou beber?” (mt.20:22)

E para o verdadeiro discípulo não há outra bebida: “certamente vocês beberão do meu cálice…” (mt.20:23)

Qual cálice você tem escolhido beber?

Abraço e até a próxima

Deus está morto

De tempos em tempos surge um fenômeno no meio gospel. O último, sem dúvidas, foi o filme “Deus não está morto”. Logo de cara digo que não gostei do filme. Não gostei da produção, enredo fraco, atores medianos e um clima de mercado gospel do início ao fim. A forma como trata a diversidade cultural e social é “bizzaramente” arrogante. Fico imaginando um chinês ou um muçulmano vendo esse filme e ficando chateado, da mesma forma como vejo pessoas cristãs chateadas quando vemos a Globo generalizar negativamente a figura do religioso.

Mas, em meio a tantas críticas, queria focar em um fato que percebo há um bom tempo. A forma como a defesa da fé é permeada de ódio e ressentimento. Me perdoe, mas não vejo amor na figura do solitário personagem principal. Vejo uma disputa vaidosa entre um professor (uma caricatura aumentada e quase desumana de um ateu) e um cristão. Discussões simplistas, respostas ainda mais simplistas e um clima de querer vencer a disputa.

Mas, se ficasse somente nisso estava bom. O que me deixa mais perplexo é a reação de quem assiste. Parece uma luta de boxe. A cada muro no estômago do professor, vários cristãos em suas casas ou cinemas batendo palmas, ou comentando: “levou! Safado! Bem feito!” O que sinto é que os religiosos cristãos estão esperando ajudas externas (como a desse filme) para acreditar que tudo isso vale a pena. E, enquanto isso, fica se remoendo de ressentimento.

E eu me pergunto: onde está a cultura do serviço? Onde estão as vidas tocando vidas? Onde está a verdade encarnada? Onde estão as atitudes de amor sacrificante? Onde está a cultura da aceitação? São essas coisas que tem cheiro de evangelho! Ah, mas isso não vende muito no mercado gospel!

Creio que apocalipse 3:20 volta com toda a força na Igreja gospel contemporânea, pois a festa está bonita, moderna e cheia… mas esqueceram o motivo do lado de fora. Infelizmente tenho encontrado com inúmeros cristãos ateus…. aqueles que professam Deus aos domingos, mas vivem como se O mesmo estivesse morto!

Grande abraço e até a próxima!

 

 

Sacrifício

Levanta da cama o homem auto piedoso. Com o rosto ainda por lavar ele se compadece de si mesmo, afinal, grande é o sacrifício que está a fazer. A sua expressão por si só já é uma murmuração, fruto do mau humor por abrir mão da cama, do descanso, dos demais afazeres que tinha. Lava o rosto e se olha no espelho, indagando a si mesmo o que está fazendo em pé tão cedo. Se coloca ao lado daquela que ele desejava nunca ter saído, se ajoelha e levanta a voz ao seu Deus. Dever cumprido! Menos uma tarefa do longo dia que se inicia.

Levanta da cama o homem piedoso. Tudo bem que não era exatamente uma cama, mas o brilho do sol entrando pelas grades faz com que ele desperte. Ficar deitado um minuto a mais é desperdício, afinal, sabia ele que aquele provavelmente era o seu último dia. As feridas ainda sangravam, e o faziam lembrar da dura pena que recebera. O homem piedoso se põe a falar com o Pai, e é interrompido por guardas raivosos. Ofensas que dão lugar a tapas, que dão lugar a socos, que dão lugar a açoites. Uma coroa de espinhos cravada na cabeça. O gosto do sangue e do suor se mistura com o gosto das cusparadas que recebia. Já sem forças carrega a sua cruz até o alto do monte. Ali é literalmente pregado a um pedaço de madeira. O peso do corpo sufoca lentamente o homem que já está erguido no madeiro. Apesar de tudo, a expressão é serena. Não acusa murmuração, mas amor. “Pai, está consumado. Eu já fiz tudo o que eu podia. Perdoa-os, eles não sabem o que fazem. Em suas mãos eu entrego o meu espírito!”. Morreu o Justo… O céu se enegreceu e o véu do templo, de cima até em baixo, se rasgou.

Um privilégio com jeito de sacrifício. Um sacrifício com cara de privilégio.

O véu que se rasga abre uma perspectiva inacreditável. Sim, agora o homem pode se relacionar diretamente com Deus. Isto é uma dádiva, não um peso. O sacrifício já foi feito, está na hora de aprender a desfrutar do privilégio…