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Em que implica a ressurreição de Cristo?

Narram os evangelhos que Jesus morreu em uma sexta-feira e após três dias (contando-se o dies a quo e o dies ad quem, ou seja, inclusive o primeiro e o último dias) foi ressuscitado. Mas o que significa e, mais do que isto, representa a ressurreição do cristo salvador?
Primeiro, como mencionei, a salvação. Ele morreu pagando pelo pecado da rebeldia e indiferença do ser humano em relação a Deus. É um pouco abstrato, mas gostaria que você visualizasse que de nada adiantaria ele simplesmente ter morrido. Se morto e aplicarmos a regra geral descrita na Bíblia, então Jesus estaria dormindo e aguardando o dia do juízo para ressuscitar. Não é o caso! Justamente porque ele ressuscitou é que cremos na existência desta realidade também para nós, cristãos.
Segundo porque ele foi o primeiro a ressuscitar, abrindo caminho para os que viriam após ele. Há para nós, no entanto, este momento de espera como expliquei. Agora creio que a vida não se limita a esta era presente, mas sim tenho a esperança de um dia também ressuscitar e estar diante de Deus, assim como Cristo está.
Depois porque ele foi o único deus das grandes religiões do mundo que não permaneceu morto. Segundo a tradição hindu, o Buda tem morrido e reencarnado por gerações e gerações. Maomé, o profeta do islamismo, simplesmente morreu. Os espíritos do espiritismo, ainda que não sejam vistos propriamente como deuses, estão igualmente mortos. De que vale afinal um Deus morto?
Deixando de lado esta parte teológica, o que mais há na ressurreição de Jesus? Há o meu foco não na crucificação em si, mas na pessoa que foi crucificada. Jesus venceu a morte e o Acusador. Tenho um advogado diante de meu Pai no céu. Pai este que é amor, mas também justiça. E, motivado pela vida do Salvador, posso tentar superar o velho medo do julgamento e condenação.
Luto hoje para não pensar em mim pelo que faço, ou pelo que possuo, muito menos pelo que os outros pensam de mim. Cristo vivo me pede para que deixe de lado os julgamentos, opiniões, avaliações e condenações por parte do Acusador e também dos outros seres humanos. Se não sou condenado por Cristo, não há como condenar a ninguém. A liberdade ganha espaço nos meus relacionamentos e, baseado na vida plena proposta por Cristo, posso viver distante do que tem pregado a cultura na qual estou inserido.
Por fim e não menos importante, Cristo ter ressuscitado representa a possibilidade de me relacionar toda hora, todo o tempo com o Deus que é meu amigo, que genuinamente tem interesse por mim e que tem cuidado de mim.
E para você, o que representa a ressurreição de Cristo?
Forte abraço.

Seguir em Frente

A atriz Cissa Guimarães, que perdeu o filho de forma trágica e acompanhada pela mídia no ano passado, recentemente declarou em entrevista que sentiu-se culpada ao retomar a rotina, dias após o acontecido. Segundo ela, algumas pessoas na academia até a censuraram: “já voltou?”.

A retomada da vida, voltar ao mundo – que por incrível que pareça não parou – é de fato um desafio às pessoas em luto. Como disse a atriz: “como posso estar aqui correndo na esteira e não estou em casa desesperada?”.

Por um lado, a morte leva-nos a confrontar a futilidade da vida, as vaidades e o correr contra o vento. Isso pode ser muito bom, o que de fato é enfatizado por Salomão no conhecido verso que aconselha a ida à casa em que há luto. Às vezes é hora de aquele que ficou acordar e revolucionar a forma de levar a vida! Por outro lado, a culpa não pode determinar o que seremos a partir da perda.

Quando perdi minha mãe, foi um raciocínio muito claro na minha mente: Ela me amava e certamente ia querer que eu continuasse em frente, o que hei de fazer se conseguir juntar forças. A vida poderá sim ser bela e agradável. Eu ia até além: se ela preferissse que eu ficasse sofrendo para sempre então ela é que estaria errada – e por isso a perdoaria!

Acho positivo que alguém conhecido mas não exageradamente exposto como a atriz global compartilhe seus sentimentos a público. Quantas pessoas devem ter se identificado, além de mim que entendi profundamente o sem-sentido pesar em continuar! As revistas costumam mostrar apenas o requinte e o bem-viver dos que tem fama mas nesta exceção acredito que podem fazer bem a pessoas que passam pelo mesmo.

Por fim, quero compartilhar sobre o último por acaso encontro com outra mãe que perdeu o filho de forma trágica ano passado, esta menos famosa embora muito citada por mim aqui. Beatriz, a mãe de Gabriela. Outros três filhos para criar, devastada pela dor e ainda assim grata: pela fé em Deus, pela esperança na Ressurreição, pelos momentos juntos, pela saudade boa. Sorrindo sem culpa ao dizer-me: temos que viver bem!

Não somente aos que já perderam alguém, em especial ao Zé, mas a todos nós, pois vamos passar por isso um dia.

Jesus Não Saía na Revista

Ao conhecer a Bíblia há pequenos detalhes que nos passam desapercebidos. Um deles é o óculos cultural que usamos.

No Brasil acho que não seria exagero dizer que todos – exceto possivelmente algumas comunidades remotas indígenas – já ouviu alguma coisa sobre Jesus. E é preciso fazer esforço para conceber a história dos Evangelhos de forma “não-contemporaniezada”.

É comum por exemplo não entender que Jesus começou “na humildade”  – para usar termos rappers – e só depois estourou nas paradas de sucesso. E mesmo assim, na véspera da sua condenação precisou ser indicado dentre seus discípulos com um beijo do traidor. Não é normal pra gente pois alguém com a “fama” de Jesus teria seu rosto estampado em todos os jornais e revistas da época que, precisamente, não existiam.

Costumo dizer: Precisamos lembrar que na época não havia internet. Jesus não estava nas capas das revistas, e a roupa dele não era especialmente branca, e não havia uma luz que o cercava (os leitores me corrigirão lembrando da única exceção, o evento da Transfiguração). Jesus, à primeira vista, era de fato muito normal.

É interessante notar fatos que constroem a pessoa pública deste que se dizia vindo do Pai. No segundo capítulo do livro de João há duas passagens sobre o tema. São conhecidos por quase todos cidadãos, cristãos ou não: A Transformação de Água em Vinho e O Quebra-quebra no Templo.

Particularmente sobre este último episódio fiquei pensando: QUE LOUCURA! Afinal de contas, Jesus não era ainda O Jesus, era sim mais anônimo que Jesus Luz pré-Madonna. Era um qualquer que começou a derrubar as mesas e gaiolas, voando pena pra todo lado (imagina alguém fazendo isso no Mercado Central de BH!), esbravejando com um chicote de cordas na mão. Imagina a vergonha alheia dos discípulos.

Então a perguntas mais razoável para o momento foi a que de fato foi-lhe perguntada: “Que sinal miraculoso o senhor pode mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso? “. Como quem diz: “Quem és, ó tu que vens?!?”.

Diante disto, Jesus lhes dá um enigma que nem mesmo os discípulos desvendaram senão dali a anos:

Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias

Aonde estou indo mesmo?!

Foi o que mais me perguntei na missa da Gabriela, citada no post anterior. Foi uma missa extraordinária. Fiquei muitíssimo impressionado principalmente com o que a mãe dela disse, consolando-nos todos com a esperança da ressurreição. Foi fantástico e muitíssimo poderoso. A Gabi foi uma pessoa muito especial, o padre leu uns trechos de um diário espiritual que ela tinha, conversando de forma natural e poética com Deus.

Ontem certamente foi “melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa” pois quando deparamos com a realidade da morte lembramos que ela “é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério”. Ontem questionei-me quanto a uma série de coisas e me vi como uma pessoa extremamente egoísta.  Quantas vezes quero fazer o bem muito para ser notado com uma pessoa boa, ou mesmo ter razão nas conversas. Ser cristão muitas vezes me leva a correr em uma direção pensando ir a outra, como os fariseus que esqueciam de ser piedosos devido a seu “altíssimo padrão de justiça” – pf.

A Gabriela foi muito exaltada como uma pessoa que fazia a diferença, uma sonhadora, uma pessoa próxima de Deus. Não que devamos buscar a fama de boas pessoas como um fim em si mesmo – como hoje me vejo fazendo – mas como você será lembrado?

Hoje acordei diferente. Não queria que aqueles pensamentos me escapassem então separei a manhã para refletir, orar e ler. Meu objetivo era marcar na memória a experiência para que eu pudesse realmente usufruir de transformação. Não é fácil, com a correria e a enorme carga de informações que temos a cada hora desta chamada Era da Informação. Lembro-me da minha prima que diz “muita informação é informação nenhuma” pois, perdidos no meio de nossa enorme base de dados, temos menor poder de tomada de decisão.

Twitter, google, orkut, facebook, rádio, músicas, notícias, jornal, revistas, aulas, telefonemas, conversas; quanta informação! Será que não estamos deixando o principal se perder no meio de tanta papelada? A longo prazo, será que isso não nos leva a seguir caminhos contrários dos quais gostaríamos?