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Ignorantemente pó

Ele não parava de responder perguntas. Era questionado todo o tempo.

“Com que autoridade fazes estas coisas?”

“É lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?”

“Na ressurreição, quando todos os sete irmãos ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa?”

“Qual é o principal de todos os mandamentos?”

Não havia dificuldade diante das perguntas. Elas pareciam simples, quase bobas, quando seus lábios proferiam as respostas. Se não há perguntas difíceis para Ele, vale a pena perguntar tudo a Ele.

Até que chega um momento em que o jogo vira.

“Agora, eu faço perguntas!”, diz Jesus.

“O batismo de João era do céu ou dos homens?”

A resposta era insuficiente: “Não sabemos”, responderam os religiosos da época.

Vamos a mais uma pergunta: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? Se Davi lhe chama de Senhor, como, pois, ele seria seu filho?”

Não houve resposta. Somente a informação de que a grande multidão o ouvia com prazer. (Mc.12:37)

As perguntas feitas por Jesus revelam nossa superficialidade. Revelam a nossa estupidez bíblica. Afinal, a mesma Escritura que afirma Jesus como filho de Davi, também registra Davi chamando-o Senhor!

Aí vem a sensação de não estar entendendo nada. A sensação de estar diante de um livro contraditório. E Jesus lá… Seguro, convicto, em paz!

Foi Orígenes quem disse que Deus parece ter recheado seu livro sagrado de inúmeras inconsistências. Não porque a Bíblia seja, em si mesma, inconsistente. Mas para ficasse claro que a verdade é mais profunda do que nossas mentes rasas. Deus é maior do que seres finitos que trazem na sua essência mais elementar a dimensão de pó da terra.

É nesse nível de consciência sobre si mesmo que Deus parece nos conduzir à profundidade. E sempre que nos julgamos sábios, nossa ignorância afeta a densidade e voltamos à superfície.

“Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há no insensato do que nele.” (Pv.26:12)

“Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber.” (I Co.8:2)

Portanto, a pergunta, no fim de tudo, é se você já aprendeu como convém saber.

Um grande abraço!!!