Arquivo da tag: relacionamento

Disciplinas espirituais #2 – oração

A oração é uma conversa com Deus a respeito daquilo que estamos fazendo juntos.

Dallas Willard

Na última terça-feira iniciei uma série de posts sobre disciplinas espirituais e a relação com Deus através delas. Escrevi sobre leitura. Hoje dou continuidade escrevendo sobre oração.

Aprendi que a oração, junto à leitura, é o pilar do relacionamento com Deus. Se com a leitura conhecemos a Deus, com a oração nos fazemos conhecidos por ele. Nos colocamos com nossos pedidos egoístas, com nossa compaixão pelo outro através da intercessão, somos gratos e glorificamos a Deus.

high-five
Isto é um high five que você faz com Deus ao orar, não o símbolo de oração nos teclados de smartphones.

Durante parte da minha caminhada com Cristo questionei sobre a necessidade de orar a um Deus onisciente. “Se ele já sabe, por que orar?”. Descobri logo depois que a oração é permitir que Deus trabalhe na minha vida e participar deste trabalho junto com ele. “Mas se ele já sabe de tudo e ainda tenho pedido para que ele cuide, por que nem todas as minhas orações são aceitas?”. Fui ensinado pelo amigo Selmão que Deus não é o responsável pelo mal que há no mundo, que desde a queda da humanidade pelo Pecado tudo tende ao caos e que Deus tem trabalhado pelas pessoas e pelo seu bem, apesar do mal. Tem ainda outra questão envolvida nesses pedidos sem resposta. Meu amigo Martins brinca ao dizer que Deus tem quarto respostas básicas aos nossos pedidos: “Sim”, ” não”, “espere um pouco” e “você está me’ zuando’, né?”. Concordo com ele que há pedidos que aparentam espiritualidade profunda e que na verdade escondem exigências egoístas dirigidas a Deus. Reconheço, ainda, que não sei tudo sobre o assunto e que para mim há pedidos sem respostas em que o aparente silêncio de Deus é incompreensível. Nesses casos eu simplesmente continuo a orar.

Por algum tempo acreditei que era minha oração que fazia com que Deus agisse naquilo pelo qual orava. Mudei de visão com a resposta do Dallas Willard que coloquei no início do post: quando oro concordo com Deus a respeito de algo que ele já vai fazer. É muita prepotência crer que Deus vive parado em estado de inércia e só se coloca em movimento em função dos meus pedidos. Orar é ter o privilégio de tentar entender o que Deus faz e perceber esta ação dele no nosso cotidiano. Ação esta que poderia passar despercebido.

Tenho por hábito orar pela manhã. Penso que assim começo meu dia pelo que há de mais importante nele, minha relação com Deus. E entrego em suas mãos tudo o que poderia me deixar angustiado ao longo do dia. Com a paz que excede todo entendimento tenho forças para encarar as batalhas do dia que se seguirá. Confesso que tenho dificuldade com sono. Muitas vezes acordo já na hora de ir para o trabalho e não consigo ter o tempo de oração com a qualidade que gostaria de ter. Como enfrento a mesma dificuldade pela noite ao deitar, prefiro manter o tempo pela manhã. São muitas coisas pelas quais orar caso esteja realmente interessado em contar tudo o que se passa na minha mente e no meu coração para Deus. Assim, aprendi que dividir em assuntos é uma ótima maneira de orar por tudo sempre é com tempo razoável para cada uma delas. Meu critério de divisão são as prioridades da minha vida pelos dias da semana. Na segunda-feira oro pela relação com Deus, na terça pela família, na quarta pelo trabalho, na quinta pela minha namorada, na sexta pelo ministério que quero ter com Deus e pessoas, no sábado pelos amigos e domingo tenho oração livre. Não que seja livre somente domingo. Em outros dias da semana também oro livremente, mas procuro lembrar destas prioridades e orar por elas. A divisão ajuda muito, mas traz em si um perigo. É necessária disciplina. Caso deixe de orar algum dia da semana por alguma prioridade, só oraria por ela na outra semana e ficaria 15 dias sem conversar com Deus sobre aquilo, o que para meus padrões é muito tempo.

Concluo com meu pedido de oração: que Deus nos ajude nas nossas dificuldades em orar.
Deixo o link do post da semana passada sobre leitura e um post antigo que escrevi sobre oração.

A sujeira dos bois

O que mais me incomoda em algumas pregações sobre prosperidade é a ideia de que o amor de Deus é tão grande que nossa fidelidade será recompensada com sucesso financeiro, de qualquer espécie. Isto me incomoda principalmente porque o amor de Deus é verdadeiramente grande, mas  a única recompensa prometida por Deus é o dom da Vida Eterna.

Cá para nós, acho que este dom supera em muito qualquer outro tipo de recompensa que poderíamos receber em vida. De toda sorte, foi nos dado  a obrigação clara do trabalho. Ele é o meio para nosso sustento, a despeito de toda a proteção e bênçãos que recebemos de Deus ao longo de nossa vida. Mas estas bênçãos não são, de forma alguma, recompensas. São graça! Imerecida de todas as maneiras que pudermos pensar.  Mas a ordenança divina é clara: vai trabalhar para comer!

“Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te
hás de tornar.” Gênesis 3:19

E não apenas trabalho, mas também suor.  Muito claro também que teremos que nos esforçar, e que em algumas partes o trabalho será penoso, exaustivo, cansativo.  Esta é a forma em que conseguiremos nosso pão. Acho que de certa forma, nossa vocação e chamado diário para falar de Cristo para nossos irmãos é também um trabalho que exige suor. Ainda mais se formos seguir a cartilha que tem dado tantos frutos para nosso trabalho: “Ganhe o direito de falar”.

Ganhar o direito de falar envolve uma quantidade enorme de trabalho e tempo.  É preciso envolver-se numa relação, é preciso dedicar espaço para encontros, bate-papos. É preciso conhecer e se deixar conhecer-se. Neste meio tempo, inevitavelmente, coisas ruins virão a tona. Quanto mais próximos, mais conhecimento. Quanto mais conhecimento a respeito do próximo, mais claro ficarão os defeitos. É ai que a sujeira aparece, e é imprescindível que ela apareça, uma vez que ela é inata ao ser humano. Cada um com a sua.

O bacana é que, superada a dificuldade em conviver com o defeito do próximo, a relação tende a alcançar níveis mais profundos e verdadeiros. Com Cristo no meio, os pecados são apagados e podemos conviver em harmonia uns com os outros. O defeito fica pequeno perto da luz que resplandece nos corações dos amigos.

“Não havendo bois o estábulo fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheita.” Provérbios 14:4
Como tem sido a sua colheita?
Um abraço!