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A sujeira dos bois

O que mais me incomoda em algumas pregações sobre prosperidade é a ideia de que o amor de Deus é tão grande que nossa fidelidade será recompensada com sucesso financeiro, de qualquer espécie. Isto me incomoda principalmente porque o amor de Deus é verdadeiramente grande, mas  a única recompensa prometida por Deus é o dom da Vida Eterna.

Cá para nós, acho que este dom supera em muito qualquer outro tipo de recompensa que poderíamos receber em vida. De toda sorte, foi nos dado  a obrigação clara do trabalho. Ele é o meio para nosso sustento, a despeito de toda a proteção e bênçãos que recebemos de Deus ao longo de nossa vida. Mas estas bênçãos não são, de forma alguma, recompensas. São graça! Imerecida de todas as maneiras que pudermos pensar.  Mas a ordenança divina é clara: vai trabalhar para comer!

“Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te
hás de tornar.” Gênesis 3:19

E não apenas trabalho, mas também suor.  Muito claro também que teremos que nos esforçar, e que em algumas partes o trabalho será penoso, exaustivo, cansativo.  Esta é a forma em que conseguiremos nosso pão. Acho que de certa forma, nossa vocação e chamado diário para falar de Cristo para nossos irmãos é também um trabalho que exige suor. Ainda mais se formos seguir a cartilha que tem dado tantos frutos para nosso trabalho: “Ganhe o direito de falar”.

Ganhar o direito de falar envolve uma quantidade enorme de trabalho e tempo.  É preciso envolver-se numa relação, é preciso dedicar espaço para encontros, bate-papos. É preciso conhecer e se deixar conhecer-se. Neste meio tempo, inevitavelmente, coisas ruins virão a tona. Quanto mais próximos, mais conhecimento. Quanto mais conhecimento a respeito do próximo, mais claro ficarão os defeitos. É ai que a sujeira aparece, e é imprescindível que ela apareça, uma vez que ela é inata ao ser humano. Cada um com a sua.

O bacana é que, superada a dificuldade em conviver com o defeito do próximo, a relação tende a alcançar níveis mais profundos e verdadeiros. Com Cristo no meio, os pecados são apagados e podemos conviver em harmonia uns com os outros. O defeito fica pequeno perto da luz que resplandece nos corações dos amigos.

“Não havendo bois o estábulo fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheita.” Provérbios 14:4
Como tem sido a sua colheita?
Um abraço!