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O cuidado com a Arca (Parte 2)

Semana passada falei um pouco sobre a arca da aliança e a forma como Deus quis que ela fosse “carregada”. A arca representava a presença de Deus. Creio que hoje, todos aqueles que compreenderam o que Jesus fez na cruz e creem carregam a arca dentro de si. A presença de Deus é acessível (“está próxima” e se torna “dentro”). Mas o que podemos aprender com as coisas que existiam dentro da arca? Talvez essas coisas nos ensinem o que devemos “carregar” dentro de nós enquanto levamos a presença de Deus.
1°: Lei – Se quisermos carregar a arca da presença de Deus precisamos ter consciência de sua lei… de sua palavra. A lei de Deus poderia ser comparada à função de um esqueleto em nossos corpos. Sem essa estrutura não conseguimos ter forma, mobilidade, força.
2°: Vara – A vara de Arão que simboliza o poder de Deus em um momento de libertação de seu povo no Egito, mas também simboliza a correção e disciplina. Precisamos carregar conosco a vara da correção (para ser usada em nós mesmo primariamente e, posteriormente, com aquelas pessoas que Deus tem colocado em nosso caminho de peregrinação).
3°: Maná – A doçura e energia do Maná. A lei e correção são necessárias, mas o maná traz o equilíbrio necessário para que a presença de Deus seja vivida dentro de um ambiente saudável de alimento e amor.

Como você avalia esses três componentes da arca em sua vida? Em sua peregrinação?

Abraço e até a próxima

O pavor da presença de Deus

Você já sentiu medo de Deus? Já tive pavor!

Em determinados momentos tenho a imensa dificuldade de cogitar a possibilidade de que Deus esteja realmente próximo de mim, aqui e agora, e o tempo todo. Quão aterrorizante é pensar nisto! Pior do que estar aqui, conceber a ideia de que Ele gosta de mim e me quer bem é no míninmo inquietante: “justamente eu?”.

Talvez por este motivo orar sem cessar seja assim tão difícil. Talvez por isto não consiga manter regularmente aquele tempo fechado no meu quarto orando em secreto. Talvez seja este o motivo de não conseguir entregar tudo em oração. Ainda, provavelmente seja esta a razão da descrença de que Ele deseje dar pão para este faminto que vos escreve, e não pedras.

Tenho este imenso bloqueio espiritual por pensar que se Deus estiver aqui presencialmente e for me dizer algo de maneira audível seria no sentido de “por que você tem vergonha de mim?”. Nos meus pensamentos respondo: “porque estou nu”. E ele finalmente me questiona da maneira ainda mais medonha possível “quem lhe contou isto?”. Assim como os primeiros seres humanos a (re)conhecerem sua condição de pecador, penso nestes momentos que tenho muito o que temer diante de Deus.

Percebo que parte significativa do meu medo de Deus seja algo que pode servir de algum proveito se bem utilizado. Isto seria possível se me valesse deste conhecimento de mim mesmo para enfim me colocar diante Dele. Desarmado da carcaça de valor que imagino ter, desnudado diante de Deus, espero quieto e calado por sua graça. Infelizmente ainda não o faço. Ao contrário, uso deste subterfúgio para me distanciar ainda mais de Deus, esconder do que não pode ser escondido de maneira burra e infantil.

Diferente dos primeiros pecadores, hoje tenho o conhecimento de Cristo (apenas fria e racionalmente, muitas das vezes). Conheço sua humanidade, de sua consciência das minhas dificuldades, do quanto ele fez para que eu pudesse presenciar um pouco destes momentos de glória da presença de Deus.

Quando me sinto mal por entender que não mereço nada Dele, tento me lembrar deste Jesus e pensar no quanto custou caro para que eu pudesse ter este convívio. Ainda é muito estranho pensar que neste exato momento não estou só neste quarto, não escrevo solitário estas palavras. Paradoxalmente, tudo isto tem um ar um tanto quanto confortante.

E você, já teve medo de algo vindo de Deus?