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Qual o seu preço?

Um homem chega para uma mulher de seu convívio diário e lhe pergunta descaradamente:

– Qual seu preço?

Ela meio sem graça finge não entender a pergunta. Ele então repete, ainda mais desaforado:

– Isto mesmo: quanto você cobra? Uma noite apenas.

Ela responde com uma mistura de vergonha e ódio:

– Não tenho preço, não estou à venda. O senhor… o senhor…

Ele insiste e começa propor valores:

– US$500.000,00? Talvez eu consiga um pouco mais.

Ela se revolta e briga com o homem, que continua com sua ideia fixa de passar uma noite com a mulher. E aumenta o preço ao máximo que consegue:

– US$1.000.000,00 e ninguém fica sabendo de nada.

Ela faz cara de que começa a pensar no assunto. Ele então termina a proposta de maneira mais indecorosa com que iniciara:

– Pode deixar. Você é como todas as outras da rua… só cobra mais caro!

Se eu lhe fizesse a mesma pergunta, com o mesmo tom de voz, atrairia seu ódio, certo? Por isto não vou lhe perguntar quanto você cobra para ir para a cama com outra pessoa. Esta é apenas uma historinha. Há outras, no mesmo sentido, que talvez você conheça.

Imagem de Amostra do You Tube

Wall Street – Poder e Cobiça e o segundo filme: Wall Street – O dinheiro nunca dorme

Ambos tratam do preço que se paga em busca do dinheiro. Se ainda não assistiu, assista! E mais:

Imagem de Amostra do You Tube

O Advogado do Diabo

Enquanto nos primeiros casos a venda era por dinheiro, neste último é por poder. Este é outro clássico que todos deveriam ver (se é que já não viram)

Talvez nenhuma proposta tão indecorosa tenha sido feita a você até hoje. Mas será que outras propostas já não foram feitas e você se deixou levar?

Foi o que aconteceu em Israel, há muito, muito tempo atrás. O povo se deixou levar por uma série de situações que lhes afastava de Deus. No lugar do Dele, que lhes adotou como filhos, passaram a buscar outros deus, passaram a depositar sua confiança em outras nações que julgavam serem suas amigas e venderam barato aquilo que havia de mais preciso no seu meio, a relação com o próprio Criador.

Para ilustrar o quanto isto acontecia e quão ruim era, Deus pede ao profeta Oseias que se case com uma prostituta. Seu nome era Gômer. Ela engravida e da a luz a uma criança que, ao que tudo indica, era de Oseias. Deus diz para que coloque o nome de Jezreel, que significa “Deus espalha”. Narra o texto que Gômer tem mais uma filha e outro filho. Seus nomes são, respectivamente, Lo-ruamá, que significa “não amada”, e Lo-ami, que significava “não é o meu povo”. Pelos nomes escolhidos, somos levados a crer que os filhos eram da prostituta com outros homens. Não há menção do nascimento de um “Oseias Júnior”.

Assim como o povo de Israel e os personagens acima, tenho me visto como um filho desobediente de Deus. Percebo que tenho vendido meu tempo, pensamento e coração a preço de banana. E vejo as pessoas bem próximas de mim desfilando com a placa “em promoção” no pescoço.

É algo muito sutil, escondido detrás da aceitação social. Manter o status de alguém com a mente aberta através da relativização de princípios; manter o status de curtindo a vida com a vida regrada por balada; manter o status de rico, sonegando impostos e explorando pessoas; e de aproveitando a vida, usando pessoas com a pegação e o sexo descompromissado; há dedicação exacerbada ao trabalho para manter a fama de compromissado; também a negligência dos tempos de dedicação à vida com Deus e em sociedade em nome da vida acadêmica e intelectual. São inúmeras as formas de vender algo caro por um preço banal. Sempre em busca de prazer efêmero ou por distorção da própria imagem, julgando ser inferior ou superior ao outro. Seria possível relacionar tudo em tão poucas palavras. São tentativas vazias de buscar completude (faço a ressalva de que não quero afirmar que estas situações em si sejam ruins, a ideia do post não é esta!)  de gozar de um e outro prazer menor do que aquele prometido por Jesus.

Na última semana, enquanto pensava nestas ideias, me senti extramente mal ao olhar no espelho e ver este homem vazio, tive vergonha e repulsa ao que estava ali refletido. Hoje olho para mim mesmo com esta autocrítica e aproveito para lhe questionar:

Pelo que você tem se vendido?

Qual prazer lhe tira do caminho que você entende ser aquele previsto por Deus?

Qual o seu preço?

Prazer de necessidade

Nada melhor do que aquela sensação gostosa de desfrutar de um copo de água quando se está sedento, de uma refeição após prolongado jejum forçado e de tantas outras coisas. O que seria ela? Na verdade não é ela, mas sim ele, o prazer!

Imagino que Deus o tenha nos dado para que nos sintamos bem ao realizar algo que seja fundamental para a manutenção saudável de nossas vidas. Imagine se a atividade sexual não fosse prazerosa. Com certeza a reprodução da espécie estaria prejudicada.

Creio que aquele que não se permite regozijar com o prazer é indiferente às situações por que passa e corre o risco de fazer com que suas atividades corriqueiras se tornem enfadonhas e monótonas. Acredito também que Deus tenha feito do prazer um elemento da felicidade. Não a própria felicidade, mas um componente dela – algo que torna nossa vida mais agradável. O prazer, segundo penso, não tem valor em si mesmo, e se mal usufruído pode ser extremamente perigoso!

O prazer não controlado requer todo o tempo que seja feito um ídolo a quem nos curvamos em adoração. Juntamente com ele, Deus nos deu o livre arbítrio e a liberdade de escolher a quantidade de prazer que buscaremos no nosso dia-a-dia. Como lidar bem com o prazer, afinal?

O filósofo André Comte Sponville, embora ateu declarado, nos fornece uma boa sugestão. Em seu Tratado das Grandes Virtudes, ele apresenta o prazer aliado à virtude que chama de temperança. Para ele, a temperança é desfrutar do prazer com liberdade e moderação.

Liberdade porque o indivíduo não permite ser feito escravo por ele. E aqui lembramos o apóstolo Paulo (1 Coríntios 6:12), que nos diz que tudo lhe era permitido, mas nem tudo lhe convinha. Diz ainda que era livre para desfrutar de todas as coisas, mas que não se deixaria dominar por nenhuma delas.

Quanto à moderação, se não observada, há o perigo da insaciabilidade. Quanto mais temos, mais queremos. Porque o prazer, apesar de bom, não nos fornece a completude experimentada no Espírito. Assim, corremos o risco de entrar no ciclo vicioso de buscar prazer para sentir prazer. E neste ponto faço uma ressalva quanto à confusão com a felicidade – muitas vezes estamos ansiosos por algo que nos aflige e passamos a buscar no prazer uma maneira de lidar com a questão. Como exemplo, seria a serotonina do chocolate para as mulheres em fase de TPM elevada a uma alta potência.

Enfrento, como todo ser humano, muita dificuldade em ser temperante. Sinto muito prazer ao me relacionar, mas se descuido passo tempo de mais com os amigos na Internet, ou andando de um lado para outro com minha turma. Em nome do prazer, estou sujeito a negligenciar várias obrigações para regozijar de “só mais cinco minutos” da minha cama pela manhã. E você, o que tem a me dizer sobre sua relação com o prazer?

Com este post pretendo não encerrar o assunto, mas dar continuidade ao que já escrevi sobre felicidade e que pode ser lido nos links abaixo.

Felicidade versus prazer

O empecilho à felicidade

Água viva

links de referência:

http://estadonoetico.blogspot.com/2008/06/temperana-ontem-e-hoje.html

http://www.pensandoonline.com/2010/11/temperanca.html#comment-form

Água viva

O prazer já foi objeto de dois outros posts meus há algum tempo (confira nos links ao final do post). Voltei a pensar no assunto por ler o que Lerry Crabb escreve em seu livro Conexão*. Segundo o autor, muitas vezes cavamos cisternas à procura de água para saciar nossa sede. Com ela quereremos preencher o velho e famigerado vazio que sentimos e nos ver livres de toda a dor que nos incomoda, ainda que por um momento apenas. Uma pergunta nos inquieta todo tempo: será que estou satisfeito? E em busca dessa satisfação selecionamos a convivência entre as pessoas a nossa volta apenas aquelas que irão contribuir para nosso projeto de satisfação pessoal a qualquer custo. Estabelecemos com elas uma relação superficial de amizade por não suportar avaliações e pelo medo de sermos julgados. Com isso, ficamos mais impacientes e insensíveis com quem nos “desagrada”. Tiramos claramente o foco de Deus na nossa vida e o colocamos em nós mesmos. Quantas pessoas magoamos no meio desse caminho?

Apesar de todo o esforço não conseguiríamos jamais nos ver livres de toda a dor e, muito menos, preencher este vazio. Larry Crabb afirma que somente uma verdadeira conexão com Deus nos faria bem. Para tanto, contamos com a ajuda dos amigos verdadeiros que, no lugar de nos julgar, nos ajuda se conectando a nós, liberando o que eles têm de legal dentro dele, que provém de Deus. Foi isso que Jesus fez com a mulher samaritana (João 4) que buscava pela água da fonte da vida. Ele não deu um milhão de conselhos-solucionadores-de-problemas-específicos, não brigou com ela pela sua forma de viver. Ele simplesmente liberou seu amor e lhe mostrou que existe a água que saciaria sua sede.

Há alguns anos venho lutando para me sentir saciado. Infelizmente, muitas das vezes procuro por esta água cavando minhas próprias cisternas e não buscando na fonte que jorra pela eternidade. E você, tem cavado suas cisternas? Tem sido o amigo que ajuda a mostrar a fonte? O que pensa dessas ideias?

*Larry Crabb. Conexão: o poder restaurador dos relacionamentos humanos. O plano de Deus visando a cura emocional. São Paulo – Mundo Cristão, 1999.

Mais sobre o assunto:

Prazer de necessidade

Felicidade versus prazer

O empecilho à felicidade

O empecilho à felicidade

O empecilho à felicidade está ligado à nossa falta de sabedoria em lidar com adversidades. Nossa sociedade hedonista nos ensina que o prazer é a resposta para ela.

O hedonismo surgiu com Aristipo de Cirene e, segundo ele, o único caminho para a felicidade seria a busca pelo prazer e a diminuição da dor. Posteriormente Epicuro tratou do assunto, afirmando que a ausência de sofrimento seria o verdadeiro prazer, que, por sua vez, levava a uma vida plena. Atualmente a teoria hedonista tem se fundado na ideia de que a felicidade é o oposto da dor e que o prazer é o melhor caminho para ela.

É normal que todo ser humano busque maximizar a alegria e diminuir o sofrimento. Olhando por este prisma, Jesus então teria morrido extremamente infeliz, por tudo que suportou. Talvez seja com este pensamento que alguns enxerguem hoje o cristianismo com maus olhos. Mas, para esses, preciso informar que nele temos o maior motivo de alegria que poderíamos ter, pela vida com Deus através da crença em seu ensinamento e sacrifício.

Para que pudéssemos ser felizes de verdade Jesus suportou o maior dos sofrimentos de sua época. Não foi só o físico, mas também ao olhar a multidão sem um guia e ver a miséria estampada na sociedade fragilizada pela ação humana. Ao contrário do que propõem os hedonistas, Jesus não fingiu que as tristezas não existiam, ele suportou toda a dor e reagiu a ela.

Foi exatamente neste ponto que encontrei a resposta: só consigo ser feliz à medida que aprendo a lidar com a dor. Ela vem como uma boa amiga para me mostrar algo que não está legal, principalmente em mim mesmo. Também há a dor de ver a miséria humana, neste ponto volto a Jesus e o que ele disse sobre ter vencido o mundo.

Infelizmente lidar com a dor não é nada fácil. Quando me entrego a ela deixo meu primeiro amor e tenho a tendência de voltar a buscar prazer longe de Deus. As coisas perdem sentido e deixo a felicidade de lado para voltar a buscar o prazer de fim de semana, como se ainda não O conhecesse. Esse prazer nunca me satisfez e foi por este motivo que voltei a pensar neste assunto. Olhando para minha vida após os quase oito anos andando com Cristo vejo que ter passado por longos e difíceis períodos de dor me fizeram a pessoa feliz que sou hoje. Deixo o desafio para que você se avalie e veja como tem procurado a felicidade. O desafio é o mesmo para mim, porque não quero novamente me entregar à dor, mas antes buscar a Deus como na época do primeiro amor.

Mais sobre o assunto:

Prazer de necessidade

Felicidade versus prazer

Água viva

Felicidade versus prazer

Escrevo este post em dois tempos. Começo pela tentativa de separar prazer de felicidade e na próxima semana falo sobre o maior empecilho a ela (confira nos links ao final do post).

Existe uma distinção clara entre prazer e felicidade. Prazer seria comer um suculento pescado, enquanto felicidade seria nutrir o hábito de sair com os amigos para pescar. Compreende a diferença?

Prazer é passar por um “bom” momento enquanto felicidade é ter um estilo de vida que favoreça essa perene sensação de bem estar. Nas minha busca descobri que três elementos compunham minha “felicidade”: 1) lugar legal; 2) com pessoas legais; e 3) ouvindo uma música legal. Sempre que me sentia bem eles estavam presentes (festas, por ex), mas nem sempre que estava nestas situações me sentia feliz. Foi o que me motivou continuar na minha busca. E fui longe à procura dela.

Depois que me tornei cristão vi que a felicidade não estava muito longe de mim, mas que eu a procurava em lugares errados. Meu relacionamento diário com Deus, com algum tempo, me permitiu conhecer a verdadeira felicidade. Deixei de ser “feliz” nos fins de semana para ser feliz todo dia. Da mesma maneira que um conjunto de elementos não representa a felicidade, ser feliz não exclui viver momentos de prazer, principalmente ao lado de Deus.

Há um personagem na Bíblia que não sei se foi feliz, mas que notoriamente  buscou por prazer – Esaú. O herdeiro da promessa de Deus trocou esse seu direito por um prato de comida. Ele tinha o hábito de caçar, talvez isto o fizesse feliz. Se assim fosse, não sei o que o teria levado a uma decisão tão drástica quanto a de trocar tal direito por prazer.

Será que isto pode acontecer conosco, cristãos? Claro! Hoje tenho a certeza de que não quero retroceder e trocar meu direito de filho amado por um prato de comida, por uma noite de balada, por um carro do ano, por uma roupa nova ou mesmo por um relacionamento amoroso. Sei, depois de muito procurar, que isto nunca foi e nunca será a verdadeira felicidade.

“Me deixa ver como viver é bom / Não é a vida como está e sim as coisas como são” Meninos e Meninas – Legião Urbana.

Um pouco mais sobre o assunto:

Prazer de necessidade

O empecilho à felicidade

Água viva