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Peter Pan – Um lugar chamado Terra do Nunca

“A terra do nunca é para mim liberdade de ser, sentir e fazer o que deseja. Um lugar onde o incrível e o inexplicável fazem sentindo. É para mim a materialização do que estava na minha cabeça quando eu era pequena: tinha fadas, meninos capazes de voar, sereia, heróis, (…) floresta, mar… tudo” (Nara Campos)

Fui pedir ajuda a uma especialista em “Terra do Nunca” para definir melhor o que significa esta expressão. Todo mundo já pensou no Céu (aquele descrito na Bíblia) como uma Terra do Nunca em algum momento da vida.

No filme “Em Busca da Terra do Nunca”, o protagonista Sir James Matthew Barrie promete à Sra. Sylvia Llewelyn Davies que lhe mostraria este lugar. Em boa parte ele o faz durante sua breve convivência com ela. Através da imaginação, a viúva e mãe de quatro agitados filhos é levada a lugares até então nunca visitados. A tristeza da perda precoce do marido em virtude de uma doença se vai por um momento e a preocupação com a criação dos filhos, em especial o pequeno Peter, é dividida com aquele que lhe mostra um caminho diferente.

Assim como o Sir Barrie, o cristão também conhece alguém que lhe mostrar um caminho melhor durante a vida e uma Terra ao final dela em que toda lágrima é enxugada dos olhos e os sonhos de uma inocente criança se transformam em verdade. Este dramaturgo não faz peça teatral, mas sim escreve histórias de vida – com Jesus também somos levados a viver e enxergar a vida, o mundo e a eternidade de maneira tão maravilhosa quanto aquela descrita por Barrie.

Não sei se na Terra do Nunca cristã existirá fada e duende, mas com certeza será algo completamente diferente da realidade má que nos cerca durante nossa jornada nesta terra.

A diferença entre a Terra do Nunca do Sir Barrie e a de Jesus é que na última há um dono que ama e protege os seus, alguém que prepara este ambiente para que aqueles que assim desejarem conhecê-lo. Creio nisto que escreve, mas me questiono seriamente: será que levo a vida como se isto tudo fosse um fim em si mesmo? Será que tenho já experimentado aquilo que Jesus quer me mostrar a respeito da Terra do Nunca?

Com este simples post encerro a série iniciada há três semanas sobre algumas das minhas impressões a respeito do filme acima descrito. Confira “Trauma” e “O menino se foi” nos links.

Obrigado pela leitura, até a próxima!

Peter Pan – Trauma

Peter Llewelyn Davies, este é o nome do verdadeiro Peter Pan. Ele foi descoberto pelo dramaturgo Sir James Matthew Barrie na Londres do início do Século XX. Era o filho mais novo de uma viúva que tinha sob seus cuidados ainda outros três filhos. Diferente dos irmãos, Peter não era dos mais entusiastas com brincadeiras de crianças e com a vida de um modo geral. As coisas começaram a mudar após ter conhecido o Sir James, ou simplesmente “Tio James” ou “Tio Jim”, como era chamado por ele e seus irmãos.

Sir James chegou na vida do garoto sem querer, num dia qualquer de passeio e reflexões no Kensington Garden, após mais uma estréia fracassada de uma de suas peças teatrais. À procura de um novo enredo, o autor encontra-se com a família e passa, de certa forma, a fazer parte dela. O pequeno Peter é tanto quanto resistente no início, mas acaba por ceder aos convites de Barrie para deixar a imaginação o levar a lugares distantes da realidade e do medo. James incentiva o garoto o presenteando com um caderno em que pudesse escrever suas ideias. O apoio foi forte o suficiente para motivar Peter a montar sua primeira peça. Infelizmente a apresentação surpresa para James e Sylvia Davies (mãe de Peter) não chega ao final por ela passar mal durante o espetáculo encenado por Peter e seus irmãos. Os motivos da desconfiança de Peter são expostos neste momento, quando se vê diante da mesma situação que tirara seu pai de sua presença, quando da sua morte. A revolta toma conta do pequeno garoto e o Tio Jim aparece neste momento com suas experiências de vida e uma palavra de conforto.

O tema central desta história é o trauma que leva ao medo – medo da morte, medo de deixar a imaginação solta e perder as rédeas da situação e da vida. Quem nunca teve medo da morte de um ente querido? Quem tem o controle deste tipo de situação? Ao se deixar envolver, voltava à memória de Peter que ele havia combinado com seu pai de pescar em duas semanas, mas seu pai não resistiu sequer dois dias antes de vir a falecer. Fuga da realidade nunca foi maneira de solucionar nenhum tipo de situação, mas viver sob tensão também é um sacrifício muito alto, ainda mais se levarmos em consideração o fato de não haver alteração alguma no resultado final das situações da vida.

É muito ruim se sentir enganado pela vida. Nós nos permitimos um pouquinho de felicidade e vem a tragédia e nos ataca. Ed René Kivitiz assim define, interpretando o eclesiastes:

A desgraça sempre acha um jeito de bater à nossa porta. Quando ela chega, não se limita a trazer sofrimento, mas aproveita a viagem para jogar na cara um desaforo: “isto é para você saber que não vale a pena viver, pois o mundo não faz sentido, tudo não passa de um absurdo.

Muitas vezes me vejo no lugar do pequeno Peter e tenho medo de desfrutar um pouco mais de um momento de alegria porque, afinal, minha mãe, já com a saúde um tanto quanto debilitada, a qualquer momento vai ter alguma complicação e teremos de levá-la à emergência de um hospital. Graças a Deus isto não acontece, após ter conhecido a Cristo tenho entregue meu coração e minha preocupação a seus cuidados. Que coisas ruins vão acontecer, é um fato. A liberdade de saber que Deus está no comando é que faz a diferença. O pequeno garoto não conhecia isto e por este motivo talvez tivesse tanto o que querer se resguardar.

Uma tristeza aqui, outra ali, e logo endureço meu coração, tal como Peter o fez.  O convite do dramaturgo foi para que Peter vivesse mais, se permitisse um pouco mais de felicidade em meio às tristezas da vida. O convite de Deus para nossas vidas é o mesmo, deixar o trauma de lado e vislumbrar com outros olhos a realidade à nossa frente. Minha oração hoje é para perceber este convite do Pai e conseguir me entregar cada vez mais para ter a liberdade de poder viver a vida plena que Ele me prometeu.

Na próxima semana, “Peter Pan – O Menino Se Foi”. Até lá.