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Se eu fosse você

Eu não sei como você se avalia com relação à oração, mas essa é a minha disciplina mais fraca. Sou disperso, inconstante, superficial. Às vezes sinto que meu tempo de oração é mecânico e monótono. Ainda assim, oro.

Jesus contou uma parábola que tinha como objetivo ensinar sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer (Lc.18:1). Ele falou sobre um juiz que vivia em certa cidade. Esse homem não temia a Deus e não respeitava homem algum (bem próprio da atitude de quem não teme a Deus). Havia também naquela mesma cidade, uma viúva que o importunava para que ele julgasse uma causa que ela tinha contra seu adversário.

No início, o juiz não a quis atender, mas depois pensou: “Se eu não resolver a causa dessa viúva, ela irá me importunar e acabará me deixando maluco.”

Jesus termina a parábola pedindo que seus ouvintes pudessem considerar as palavras daquele juiz. Se um homem iníquo resolveu ter um gesto de bondade na direção daquela mulher, imagina Deus?

O capítulo 18 de Lucas começa com essa parábola e termina (ironicamente) com o cego de Jericó gritando insistentemente “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”

As pessoas que iam à frente o repreendiam para que ele se calasse (Lc.18:39). Ele, porém, gritava cada vez mais. Parecia até que havia ouvido a parábola.

São muitas as vozes pedindo que nossas orações sejam interrompidas.

“Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?” (Lc.18:7)

Pergunta retórica. Se eu fosse você, continuaria orando.

Um grande abraço!!!

 

 

Avante, pois!

“DESCONFIANÇA: É a pura verdade. A pequena distância daqui encontramos dois leões na estrada; se dormiam ou velavam não sabemos, mas tememos aproximar-nos porque poderiam fazer-nos em pedaços.

CRISTÃO: As vossas palavras atemorizam-me; mas para onde poderei eu fugir com segurança? Se volto para o meu país, é certa a minha desgraça, porque aquela terra está condenada ao fogo e enxofre; mas, se consigo alcançar a Cidade Celestial, ficarei seguro para sempre. Avante, pois, tenhamos confiança! Retroceder é ir ao encontro da morte certa; avançar é apenas temer a morte, mas com a vida eterna em perspectiva. Avante, pois!

Diálogo entre CRISTÃO e DESCONFIANÇA no clássico “O Peregrino”, de John Bunyan.

Realizações, alegria, relacionamentos saudáveis, uma nova família, diversão, vitórias e muito mais. Vejo a fé cristã sendo vendida assim em  muitos lugares e por muitas pessoas hoje. “A vida mais legal do mundo”, ouço alguns dizerem. E não nego a veracidade dessas afirmações! De fato, a caminhada ao lado de Jesus nos traz dádivas e riquezas (espirituais) que não se podem contar. Já dizia o salmista: “Felizes os que trilham com integridade o seu caminho, os que andam na lei do Senhor! Felizes os que guardam os seus testemunhos, que o buscam de todo o coração.” (Salmos 119:1,2). Sem dúvidas, esta é a melhor vida que se pode levar!

Mas se você tem lutado para andar pelo Caminho você sabe que não é tão simples assim. Vez ou outra os “leões” aparecem por ele. Angústias, tentações, pecados, frustrações, tribulações… Sem dúvidas todos nós iremos nos deparar com eles, cedo ou tarde! Ser cristão não nos imuniza do mal que existe no mundo, e nem no mal que existe em nós!

Nunca foi dito que seria fácil, o que foi dito é que valeria a pena! Vale a pena esperar, vale a pena enfrentar os leões e prosseguir. “Para onde iremos nós?”, respondeu Pedro quando indagado por Jesus se queriam (Pedro e os outros onze) ir embora como faziam outros dos discípulos, “Tu tens as palavras de vida eterna”. Pedro não viu outra escolha. Cristão não via outra escolha. Eu também não tenho visto outra escolha.

“Avante, pois, tenhamos confiança!”. E que diante do medo nos lembremos que Aquele que com a vida venceu a morte nos dá uma perspectiva maravilhosa e eterna, uma herança incorruptível, que nada pode nos tomar. Avante, pois!

Estrela da Alva

Cair da tarde, após um período de chuva e belo sol no horizonte. A luz ficava terna. Acendia-se ali uma lamparina. Seria ela a responsável por iluminar uma noite sem sono. Lugar afastado da cidade, escuro. Não havia outra senão a chama daquele pequeno instrumento. Cama de chão: estrado. Tentativa de dormir. Abrir ou fechar os olhos não fazia muita diferença. Só se enxergava o vulto das coisas. E a sombra delas causava medo. Mais um pouco de tempo e a impressão de que algum pequeno animal estava a caminho. Tentativa de pegar no sono, sem sucesso. Cheiro forte de querosene. Fio de fumaça. Um pouco mais e a impressão de que algum animal peçonhento se aproximava. Sonho, realidade, pesadelo, realidade. Sem muita certeza da diferença entre cada um deles. Escuridão, sobra. E enfim, uma fresta na janela começava a tomar conta do lugar. Luz! Aos poucos inundava o espaço. Pássaros cantavam: o dia clareava. E as tenebrosas sobras da imagem da lamparina deixavam de causar incômodo. A luz dela já não iluminava muito além do seu pavio. Coração quente. Mais um pouco e finalmente aparecia A Estrela da Alva.