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Pedro, Jesus e eu – a história da nossa amizade

O discípulo de Jesus com o qual mais me identifico é Pedro. Talvez pelas falas sem pensar, talvez pela maneira impulsiva como demonstrou amor por Jesus, não sei… Sempre que leio suas histórias na Bíblia penso que teria agido de maneira semelhante à dele na ocasião.

Pedro chama a atenção logo no início dos evangelhos por ser pescador profissional e obedecer ao comando de Jesus de lançar redes ao mar novamente após uma noite inteira de pescaria frustrada. Durante toda a história do ministério de Jesus ele continua se destacando entre as linhas da Bíblia com suas falas apressadas, como por exemplo quando o repreende por dizer que não deveria sofrer e morrer. Mas Pedro não surpreende só por bobagens, é dele uma das falas mais presentes e estimulantes da minha vida cristã: “pra quem iremos, Senhor. Tu tens a palavra da vida eterna” (Jo 6:68) ao reconhecer Jesus como único caminho.

Apesar dos três anos andando ao lado de Jesus, às vésperas da morte dele, uma fala soa um tanto quanto estranha: “tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lucas 22:32). Como assim? Pedro viu o próprio Jesus tão de perto por tanto tempo, fazendo e acontecendo, e não havia se convertido ainda? Não! E as três vezes que o negou quando pressionado faz crer que ele realmente parecia não conhecê-lo.

Mas Jesus já sabia disto e creio eu ser esta a motivação de uma fala presente num dos versículos mais bonitos da Bíblia na minha singela opinião. Quando Maria Madalena, Maria (mãe do Tiago) e Salomé foram ao túmulo visitar Jesus morto não o encontraram. O anjo que estava sentado no lugar de Jesus disse que ele havia ressuscitado e falou para que elas dissessem aos discípulos e a Pedro que eles o encontrariam na Galileia (Marcos 16:7). O perdão ficou ainda mais claro na fala do anjo.

Jesus, do lugar onde estava na história, conseguia ver bem o que se passava à sua volta. Ele sabia o que estava no coração de cada uma das pessoas que cruzaram seu caminho. E viu o quanto Pedro almejava ser visto ao lado do Rei de Israel, nos moldes como julgava o discípulo que seria. Sabia (tanto que disse que aconteceria) que Pedro iria negá-lo três vezes apesar das suas muitas declarações de amor. Por outro lado, deve ter visto o quanto ele o amava. Após a ressurreição, numa praia como no início, quando se conheceram, Jesus convida Pedro para que se responsabilizasse por suas ovelhas. Antes ele o questiona por três vezes que tipo de amor seria aquele. Pedro, de forma brilhante, lhe responde que ele sabia como o amava, cheio de erros, mas qual o tamanho daquele amor.

Identifico-me com Pedro não só nas falas impulsivas, mas também nas dificuldades para seguir Jesus todo o tempo. Por isto gosto tanto das passagens bíblicas em que ele aparece. São momentos de transparência e de demonstração do amor de Jesus por ele, apesar dos pesares. Assim como Jesus aceitou aquele pescador rude, creio que também me aceita. A pergunta acima de como Pedro não havia recebido Jesus após três anos andando ao lado dele encontra resposta quando olho para minha vida. Após longos 12 anos como cristão ainda sinto a necessidade de recebê-lo tal como na primeira vez que ouvi falar do seu amor por mim. Assim como Pedro errou feio andando tão próximo do próprio Cristo, vejo o quanto peco mesmo tendo vivido aventuras tão loucas ao lado do meu amigo Salvador durante todo este tempo. Assim como Jesus sabia do pecador que Pedro era e o amou, creio que tem feito comigo hoje e agora.

Este post é para você, que começou a andar com Jesus, mas que ainda não o recebeu, para que pense seriamente neste assunto. Pedro e eu somos testemunhas de quanto vale a pena. Este post é principalmente para você, que andou todo este tempo com Jesus, para que se lembre de recebê-lo. Este post é para mim mesmo, para me lembrar todo dia do amor de Jesus, aquele demonstrado a Pedro.

Se não conhece bem a história de Pedro e Jesus deixo também a sugestão de ler os quatro evangelhos, o livro de Atos e as cartas escritas por Pedro, são todos livros muito ricos.

Morte e Vida (Severina)

“Somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem. Para estes, na verdade, odor de morte e que dá a morte; para os primeiros, porém, odor de vida e que dá a vida. E qual o homem capaz de uma tal obra?” (2 Co 2:15-16)

Como dito nesse versículo “de abertura”, representamos algo como Cristãos que as pessoas muitas vezes não entendem e muitas vezes repelem por não considerar verdade pra elas. É verdade, os cristãos são muitas vezes vistos como “morte”, como a materialização de muita coisa que há de mal no mundo e por isso foram perseguidos. Cristo mesmo foi perseguido, assim como Paulo, Pedro, Águeda

O Martírio de Santa Águeda, que teve os seios arrancados
O Martírio de Santa Águeda, que teve os seios arrancados

E, quantas vezes não somos vistos como “morte” no meu meio não por sermos cristãos, mas pela arrogância com que apresentamos a mensagem cristã (você, se não fosse cristão/ou se não é cristão, seria amigo de alguém que tem uma atitude de superioridade sobre sua fé em relação aos outros? eu não!)?

Quantas vezes com os meus pecados não mancho o nome de Deus e aí sou de fato morte e testemunho ruim para os de fora? A lista vai: ignorância, intolerância, orgulho, falta de sabedoria, de sensibilidade, de cuidado, de discrição (=fofoca)…

Sobre essa última da lista: fofoca. Muitas vezes, até mesmo não por mal, acabamos espalhando coisas que não devíamos, contando segredos dos outros, fazendo comentários inapropriados. Isso é muito ruim: pra quem é o assunto, pra quem escuta (pois às vezes escuta coisas que não eram pra ser divulgadas, que podem mudar a imagem que se tem de uma pessoa) e pra quem fala (os amigos passam a confiar menos nessa pessoa). Eu, recentemente, passei por uma situação muito legal em que poderia ter feito um comentário ruim sobre uma pessoa e não fiz. Pelo contrário, orei por ela, pelo que tinha ocorrido e as coisas se encaminharam de uma forma muito melhor. Se eu tivesse externado o que estava pensando, não só teria influenciado outra pessoa a pensar como eu (ou a me achar uma hipócrita, por eu me dizer cristã e sair fofocando), como reforçaria meu próprio pensamento.

Fogueira de São JoãoMoral da história: se agimos como Deus quer, somos morte para os de fora. Se agimos como Deus não quer, somos também morte para os de fora, por mal testemunho. Que nos resta fazer? Cito Daniel 3:17-18, trecho que mostra o que acontece com Mesaque, Sedraque e Abedenego, judeus que decidem fazer a vontade de Deus mesmo no exílio babilônico e se recusam a adorar uma estátua de ouro do rei Nabucodonosor. A pena para tal desobediência é a fornalha. Eles respondem ao rei, quando presos: “Se assim deve ser, o Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha ardente e mesmo, ó rei, de tua mão. E mesmo que não o fizesse, saibas, ó rei, que nós não renderemos culto algum a teus deuses e que nós não adoraremos a estátua de ouro que erigiste.” É meio assim: olha, tô com Deus e não abro. Ele pode nos tirar da fornalha se Ele quiser, mas mesmo se for pra gente morrer, nem assim vamos adorar a sua estátua!

Esses caras, que são salvos no final (foi mal, estraguei o fim da história!), viveram uma vida de fé e entrega completa. Foram morte no sentido de choque com a cultura em que viviam, mas o seu testemunho, no fim das contas, tocou até mesmo o rei.

Nos deixando levar pela vontade de Deus, fazendo o que ele deseja de nós, nem imaginamos quais fronteiras romperemos e onde podemos chegar.

“Procedei com sabedoria no trato com os de fora. Sabei aproveitar todas as circunstâncias”. Cl 4:5