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“Tu és este homem”

E no tempo em que os reis costumavam sair para as batalhas, o ainda jovem Davi decide ficar em casa. Enquanto seus homens lutavam, o rei descansava. Aproveitava o tempo, ocioso. No fim da tarde gostava de caminhar pelo palácio. Visitava os grandes salões, conferia se estava tudo em ordem nos jardins, observava a cidade do terraço.

E numa dessas tardes, com o sol já se pondo, a avistou. Uma bela mulher se banhava em uma casa ali perto. Davi mandou que a chamassem e se deitou com ela. Bate-Seba, a filha de Eliã, esposa de Urias.

Adultério.

Manipulação.

Assassinato.

“Dois homens viviam numa cidade, um era rico e o outro, pobre. O rico possuía muitas ovelhas e bois, mas o pobre nada tinha, senão uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu com ele e com seus filhos. Ela comia junto dele, bebia do seu copo e até dormia em seus braços. Era como uma filha para ele. Certo dia, um viajante chegou à casa do rico, e este não quis pegar uma de suas próprias ovelhas ou do seus bois para preparar-lhe uma refeição. Em vez disso, preparou para o visitante a cordeira que pertencia ao pobre”.
Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: “Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia.
Então, disse Natã a Davi: “Tu és o homem!”.

Ungido rei sobre Israel, livrado das mãos de Saul, presenteado com casas, esposas e riquezas. Não satisfeito, agiu sem misericórdia, sem amor!

Mas, cego pelo pecado, Davi não conseguia enxergar o óbvio. A mancha do delito lhe cobriu os olhos, de forma que o rei não conseguia enxergar e reconhecer a si próprio. Não podia ver a sua podridão. Até que ele teve a atenção chamada: “Tu és o homem!”.

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.”

Um rei arrependido. Um rei perdoado.

Histórias absurdas são contadas todos os dias. Corrupção. Violência. Preconceito. Inveja. Vaidade. Julgamentos. Falta de amor. Ficamos chocados, escandalizados e até indignados. Mas o pecados tapa nossos olhos.

Nos afasta de Deus.

Nos afasta de nós mesmos.

Não nos deixa enxergar o óbvio.

Nos leva para um poço cada vez mais profundo.

De lá, talvez, ouçamos de Deus: “Tu és este homem”. E de lá poderemos buscá-Lo, ainda que estraçalhados pelo pecado.

Mais um homem arrependido. Mais um homem perdoado.

“Tu és este homem”?

Referências: 2 Samuel 11:1 a 12:7; Salmos 51: 1- 12.

As Batalhas de Josué – Ai

Na semana passada vimos como Deus entregou Jericó nas mãos de Josué.  Hoje, conheceremos a primeira derrota de sua campanha. Vamos lá?

Logo após derrotar e conquistar a cidade de Jericó, Josué se voltou sem demora para seu próximo objetivo: a cidade de Ai.  A principio, Josué adotou uma tática parecida com a  utilizada em Jericó, enviando espias para identificar e obter informações sobre seu inimigo. A resposta foi algo como:  “Eles são poucos! Acabamos de conquistar Jericó, e nosso povo está cansado. Envie alguns soldados e poupe o resto do povo! Vai dar tudo certo!”

E assim o fez Josué. Enviou cerca de três mil homens. O resultado, inesperado, foi:
Assim, subiram lá, do povo, uns três mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai. E os homens de Ai feriram deles uns trinta e seis, e os perseguiram desde a porta até Sebarim, e os feriram na descida; e o coração do povo se derreteu e se tornou como água. Josué 7:4-5

Ninguém esperava por este resultado. Uma derrota numa batalha que parecia fácil logo após uma vitória numa batalha que parecia impossível de ser vencida. A tristeza se abateu sobre Israel e sobre Josué. Ele se prostrou sob a Arca da Aliança e orou a Deus. Temia que a derrota instigasse outros inimigos a marchar contra Israel. A resposta de Deus não tardou. Revelando a Josué que suas ordens não foram seguidas, Deus revelou que um objeto impuro foi retirado de Jericó e escondido em Israel. Enquanto aquele objeto permanecesse em Israel, Deus ali não estaria.  O homem responsável era Acã, da tribo de Judá.

O que podemos aprender com esta derrota?

1- Grandes vitórias em batalhas difíceis podem encher o coração de orgulho e prepotência. Não subestime suas batalhas, nem superestime sua força. Lute com seriedade e com força total contra todo o pecado de sua vida.

2- Ninguém pode vencer o pecado sem o auxilio de Deus. Sem a misericórdia de Deus, seremos escorraçados e perseguidos em todas as batalhas que lutarmos. Os pequenos pecados também podem te levar para a ruína.

3- Sempre que algo der errado em suas lutas, converse com Deus. Descubra porque Deus se ausentou de você. Geralmente você vai descobrir que foi você quem virou as costas para Deus primeiro. Sem ele, nós não somos nada.

Perdida a batalha, mas a guerra ainda não. Josué se levantará novamente contra Ai. Falaremos disto na semana que vem!

Um abraço!

Desenhos na areia

Da descoberta inesperada à exposição vergonhosa e intimidadora. A mulher fora pega em flagrante adultério, arrastada, ainda nua, com os cabelos soltos, até a praça pública. Jogada no meio de uma roda de juízes impiedosos, ela ouve a conversa.

“Ela não merece misericórdia, foi pega em flagrante!”

“Meretriz!!”

“A lei manda que ela seja apedrejada até a morte!”.

E é mais ou menos esse o tom das acusações que alcançam os seus ouvidos.

Ela ouve então as palavras serem dirigidas a um homem que por ali passava. “E você, Jesus, o que diz que devemos fazer?”. A mulher ergue os olhos, procurando o destinatário de tal pergunta, e o que ela acha salta aos olhos. O homem se abaixa, diante dela e de toda aquela multidão de acusadores e, calmamente, como se não fora a ele que a pergunta era dirigida, começa a desenhar no chão. Postura que incomodou, postura que chamou atenção!

“Esse homem é maluco???”

“O que ele está desenhando ali???”

“Ele está nos ignorando!!!”

“Ei, você, responda! O que acha que devemos fazer??”

A resposta foi simples e direta, de uma sabedoria absurda.

“Aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra”

O homem se abaixou de novo, voltou a desenhar.

Um a um os acusadores foram soltando as pedras que já estavam prontas para serem lançadas e foram se retirando, certamente encucados com a reação e com as palavras daquele homem. Não sobrou mais ninguém, apenas Jesus… E claro, a mulher. Como pude me esquecer dela? Bom ,acho que deu certo a estratégia de Cristo.

Os holofotes que antes estavam sobre o pecado daquela pobre moça agora se voltaram para Jesus. Houve uma mudança de foco. Saiu de uma mulher ferida e pecadora e se transferiu para o Deus Homem, aquele que aleatoriamente (ou não!) desenhava na areia com os dedos.

Mais ou menos assim aconteceu na cruz: do ódio para o Amor. Da escravidão para a Liberdade. Do pecado para a Graça. Da morte para a Vida. E o foco de todas as histórias se tornou Jesus Cristo.

Quão bom é me deparar diariamente com o Homem que escrevia na areia e ouvi-Lo dizer a mim: “Também eu não te condeno. Pelo contrário, eu te perdoo. Agora vá para casa e não peques mais.”

A bacia da graça

Quando olho para minhas atitudes, meu coração, meus desejos, meus vícios, confesso que dá desânimo! Como ser santo? Como ser bom? Caminho por um mundo sujo, é complicado não sujar os pés! Às vezes, a vontade é de cortar os pés, mas logo chego a conclusão que continuaria sujando minhas pernas. Me conhecendo, em pouco tempo não sobraria o que cortar. Durante muito tempo usei todas a minhas forças e estratégias para deixar de me sujar, mas o que ganhei foram fracassos e mais fracassos! Depois de um tempo notei que, mais importante do que lutar com minhas forças para ser um homem bom, precisaria de me recolher diariamente àquele que tem a bacia da graça!

“Assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura.Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura.” (João 13:4-5)

A atitude do Cristo não é a de por o dedo na ferida, de condenar a sujeira, mas sim de oferecer seu amor, seu serviço, uma bacia e uma toalha! Essa bacia e essa toalha já acompanharam Jesus em lugares muito sujos: lares desfeitos, casas de prostituição, cracolândia, presídios e no meu coração! E, boa notícia, não há sujeira que o amor e o serviço de Cristo não alcance! Não há sujeira que a bacia e a toalha não remova! Creia nisso!!!!!

O problema é que a Igreja (diga-se “nós” o frequentadores da Igreja) ao invés de mostrar as feridas, tentam escondê-las atrás de máscaras humanas de santidade! Máscaras bem limpas. Que possamos deixar nossas máscaras de lado e nos apresentar diariamente à Jesus e sua bacia da graça! Essa é a forma como o meu salvador cresce em minha vida! Essa é a forma como eu aprendo a carregar a bacia e a toalha no meu dia a dia, ajudando Jesus na tarefa de limpar sujeira nos corações do homens!

Talvez AGORA seja o momento de se achegar à Cristo e pedir para que Ele te limpe!

Talvez AGORA seja a hora de você se colocar para Cristo como um ajudante, peça uma toalha, peça um bacia e saia pelo mundo anunciando essas Boas Novas!

Abraço e até a próxima!

Também não condeno

O que aconteceu? Ainda não consigo compreender. Jamais imaginei algo do tipo, não de você. Isso tudo é tão estranho. O que você fez foi muito ruim! Como pôde deixar de lado tudo o que havia construído ao longo de tantos anos? Como pôde desconsiderar que outros existem e que suas atitudes interferem na vida deles? Jogar com pessoas, brincar de pecar… Por que as coisas tomaram este rumo? E nosso velho sonho de sermos como Jesus, o que foi feito dele? Quando foi que suas ações deixaram de seguir suas palavras? Não estou tão bravo quanto triste. Uma angústia muito grande toma conta de mim. É difícil simplesmente esquecer toda essa história e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Quando será que as coisas voltarão ao normal? Será que um dia voltará ao normal? O que é o normal?

Mas sei que você não foi a primeira pessoa a errar nesta vida. Sei que há coisas que fogem ao nosso controle quando começamos a errar. Sei que também já errei, não exatamente como você, mas já ultrapassei os limites alguma vez na minha vida. E me lembro que Deus me perdoou, e todas as pessoas que havia magoado também. O perdão não significou ter meus relacionamentos intactos, muitas amizades se foram neste caminho. A de Cristo permaneceu, aliás, ficou ainda mais forte. Nada há oculto que não venha a ser manifesto. Que bom que ele permitiu que tudo viesse à tona para que pudesse ser resolvido. Sei que Deus, como agiu comigo, também lhe perdoa. Este é o mistério de sua graça – nada há que faça com que Ele lhe ame mais do que já ama, e nada há que faça com que lhe ame menos do um dia lhe amou.

Sei que você não é o monstro, embora suas atitudes tenham sido monstruosas. Sei que no fundo deste pecado se encontra um pecador amado por Deus. Por isso, não posso simplesmente lhe matar da minha vida. Não posso ignorar sua existência. Não posso esquecer a pessoa que um dia conheci, aquela amante da cruz de Cristo. Amanhã será outro dia e só ele nos dirá quem tem caráter e quem está disposto a pagar o preço de ser cristão. Até lá, caminhemos segundo o que já alcançamos. O amigo tempo será o maior aliado de todos no momento. Que, de costas para o erro, você volte caminhar na trilha estreita da santidade. E, sem saber ao certo quando foi, um dia estará tudo bem novamente. Você então estará ainda melhor capacitada para ajudar pessoas que passam pelo mesmo problema.

Por fim, conheço o que há aqui dentro, sei que não sou exatamente “o santo”. Se não lhe perdoar, Deus me disse que também não me perdoa. Que há em mim que me faça melhor que Jesus? E se ele, que foi o único santo de verdade na história, não lhe condena, também não lhe condeno.

Pipa enganchada

Essa semana tive o privilégio de ter uma deliciosa manhã na praça do Papa (lugar em Belo Horizonte onde podemos ver boa parte da cidade do alto). Estava dentro do carro estudando a bíblia, orando e fazendo um planejamento da minha semana quando algo me chamou atenção. Olhando as árvores à minha volta descobri que estava em um “cemitério” de pipas! Era impressionante a quantidade de pipas enganchadas nas árvores! Fiquei olhando aquilo por alguns minutos e pensando: “Não foi para esse fim que elas foram criadas!”

Nesse momento vejo, subindo aos céus, uma pipa laranja, alçando voo, aproveitando o vento favorável. Olhei para ela e pensei: “Ela foi criada para isso!!”

Pensei em minha vida. Para que fui criado? E pensei: “a vida com Deus é voar como águia (Is.40:31) e não viver enganchado”. O pecado engancha! E quando olhei de novo para aquele “cemitério” me lembrei de muitos amigos que engancharam suas vidas em árvores e deixaram de subir… de “voar”!!! Agradeci a Deus por seu enorme cuidado e pedi para Ele que nada me impeça de “voar”ao Seu lado!

Em memória de mim!

Me chama muita atenção a forma como Jesus fala sobre memória durante a ceia narrada por Paulo em Coríntios:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.” (I Corintios 11:24-25)

Creio que a Santa Ceia funciona como um momento onde somos convidados a parar e lembrar. Lembrar de nossa vida, nossos pecados. Mas, lembrar também, de nosso grande salvador, Seu amor, Sua graça. Lembrar de sua vida, sua morte e sua vida novamente. A ceia é o momento de alimentar nossa mente de esperança, de amor altruísta e fé. Muito diferente das memórias que o mundo nos oferece, memórias de culpas e arrependimentos. A cada dia que passa mais tenho memória do quanto sou pecador, mas isso me faz trazer à memória um salvador cada vez maior e mais poderoso também. Esse é um dos grandes poderes da ceia: alimentar minha memória de um Deus que me ama e que fez (e faz) muito por mim. Memória de um corpo estendido e de sangue derramado em uma cruz. Memória de pecado pago e perdoado!

Você tem vivido em memória de quem ou do que?

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. (Lamentações 3:21)