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Antes tarde do que nunca

Eu nunca tive muita dificuldade de enxergar meus próprios pecados. Acho que tenho uma lucidez razoável em relação às minhas fraquezas. Aqui em Brasília, inclusive, percebo que essa consciência tem crescido. Ontem mesmo, chorei por causa dos meus pecados. Morar sozinho tem seus benefícios. Sinto que sou alguém mais reflexivo e introspectivo. Avalio isso como algo bastante positivo. Estou mais consciente da minha miséria. Outra vantagem é poder chorar livremente na sala do seu apartamento. Choro de arrependimento. Lágrimas com sabor de vergonha. Aliás, qual foi a última vez que você chorou por causa dos seus pecados? Você experimenta vergonha por causa deles?

Às vezes, pecamos de maneira tão desenfreada que emendamos um pecado no outro. E o mais incrível é que, entre um e outro, há um intervalo de tempo. Tempo sagrado. Tempo em que deveria acontecer o corar de vergonha e o arrependimento. Deveria, mas nem sempre é o que ocorre.

Vocês se lembram de Pedro no final do evangelho? Ele nega Jesus por 3x. Entre a 2ª e a 3ª vez, a Bíblia diz que passou cerca de 1 hora. 60 minutos! (Lc.22:59) Tempo suficiente para que Pedro voltasse atrás. O choro amargo só veio depois.

Antes tarde do que nunca.

“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor… Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.” (Lc.22:61-62)

Quanto tempo demora pra você voltar? Quantos minutos entre o pecado e o choro amargo?

Talvez você se assuste com o fim do post, mas o problema não é pecar. Na verdade, pecar SEMPRE é problema. Não me entenda mal. Deus sabe que o pecado é inerente à nossa natureza. O problema, portanto, não é pecar. O problema é pecar e não voltar.

Se você tem dúvidas, ouça com atenção o próprio Deus falando.

Assim diz o SENHOR:

Quando caem os homens, não tornam a levantar?

Quando alguém se desvia do caminho, não torna a voltar?

Por que, então, esse povo anda para trás e continua andando, sem retornar?

Persiste no engano e não quer voltar.

Prestei muita atenção, mas não ouvi nada.

Ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu?

Cada um corre a sua carreira como um cavalo desgovernado.

As cegonhas sabem quando é tempo certo de voar. A pomba, a andorinha e o sabiá sabem quando é tempo de voar.

Mas e meu povo? Meu povo não sabe de nada.

Vidas quebradas. Gente arrebentada.

Para piorar, aplicam curativos ao dizerem: ‘Não é tão grave assim. Está tudo bem!’

Mas não está ‘tudo bem’!

Eles não sabem o que é sentir vergonha, nem mesmo sabem ficar vermelhos.

Não há esperança para eles.

Estão caídos no chão e assim vão ficar.”

Isso foi o que Deus disse no livro de Jeremias! Se você não se identificou com o post, sou capaz de afirmar que pensou em alguém que está cada dia mais obstinadamente longe de Deus.

Se quem está no caminho errado não é você…

“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (I Co.10:12)

Agora, se é alguém que você ama…

“Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados.” (Tg.5:19-20)

Lute…

Vá atrás…

Ore…

Porque quando o assunto é voltar para Deus, antes tarde do que nunca!

Um grande abraço!!!

 

E se o pecado não me afastasse de você?

Assim que decidi vir para Brasília, algumas decisões foram tomadas. Dentre tantas, estudar o livro de Neemias era uma delas. Havia prometido que faria isso e o compromisso assumido havia sido com um dos meus mais recentes amigos: Fernando Miranda, Coronel do Exército Brasileiro e atual Presidente de Alvo da Mocidade. Achei prudente cumprir o combinado (hehehehe) e sei que esse meu amigo sabe das coisas. Aproveito para dedicar esse post ao Miranda e reparto com vocês apenas uma das incontáveis riquezas contidas nesse livro.

Neemias pede informações sobre os judeus que haviam escapado e que não foram levados ao exílio da Babilônia. A notícia era apenas uma: “As pessoas estão em grande miséria e desprezo.” Ao ouvir essa notícia, o grande líder chamado Neemias se assenta, chora, lamenta por alguns dias e passa a jejuar e orar pelas pessoas. (PS: São raros os líderes que choram e jejuam pelas pessoas. Quando há algum tipo de compaixão, ela normalmente é efêmera e fugaz. Não dura alguns dias, como foi com Neemias.)

No entanto, o que mais me chocou foi a oração de Neemias pelo povo. Ele começa tecendo comentários sobre Deus, pede para ser ouvido e termina dizendo:

“… faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos…” (Ne.1:6-7)

Percebe que ele usa a 1ª pessoa do plural o tempo todo?

Nessa hora, talvez alguns de nós poderiam dizer: “Você está orando errado, Neemias! Você não está pecando, mas sim o povo. Você, inclusive, está bem com Deus! Está sentindo compaixão, está orando, está jejuando…”

Sabe qual seria (na minha opinião) a resposta de Neemias?

“Engano seu! Tenho sentido tanta compaixão dessas pessoas que cheguei no status em que posso dizer: O SEU PECADO É O MEU PECADO!!!”

Não sei se você entende isso, mas é quando (paradoxalmente) o pecado não afasta, mas aproxima. O pecado não repele, une.

É quando as tosquices, os podres, as infantilidades fazem, quase que de maneira bizarra, o amor aumentar.

Não é concordar com o pecado. É quando eu chego ao nível de estar tão “imerso” em você, que o seu pecado passa a ser o meu pecado. Houve um homem que viveu essa experiência com tanta profundidade, que os registros da história dizem que sua inserção no mundo e na vida das pessoas foi de tal forma que Ele acabou tomando para si mesmo o pecado de todos eles. E há quem diga que essa foi a maior de todas as provas de amor que já existiu.

Porque nas mãos de Deus, até o pecado pode ser usado para revelar amor.

De quem o pecado te afastou? Acho que já temos algo para refletir…

Um grande abraço!!!

 

Brincadeira de mau gosto

Era alguém cheio do Espírito Santo. Tinha história com Deus. Sua vida já havia influenciado muitas outras. Seu nome passou a ser uma referência.

Todos sabiam quem ele era. Tanto aqueles que tinham a mesma fé que ele, quanto aqueles que não viviam com Deus. Sabiam sobre sua relação com Deus, seus princípios.

O que fazia dele alguém comum, era o fato de que, assim como todos os outros, ele também era pecador. Todos se lembravam disso. Quem se esqueceu desse fato foi ele.

Resolveu brincar com o pecado. O pecado nunca gostou de brincar. A brincadeira, então, ficou séria.

Anestesiado pelo pecado.

Insensibilidade.

Consciência sequestrada.

GARGALHADAS.

Voz do Espírito abafada.

Mudez.

Relativização de princípios.

DEBOCHES.

Cegueira.

Valores distorcidos.

Surdez.

Relação com Deus rifada.

IRONIAS.

Embotamento espiritual.

Brincadeira de mau gosto.

“Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Tendo ele despertado do seu sono, disse consigo mesmo: Sairei ainda esta vez como dantes e me livrarei; porque ele não sabia ainda que já o SENHOR se tinha retirado dele.” (Jz.16:20)

Você conhece pessoas assim? Não adianta falar, aconselhar, instruir…

O jeito é orar pra brincadeira acabar rápido e esperá-los voltar com a conclusão de que eles acabaram virando o “bobo da corte”. O que o Sansão não sabia é que, sempre que a brincadeira é de mau gosto, o SENHOR se retira e não participa dela.

Você vai mesmo brincar com o pecado?

Um grande abraço!!!

 

Cartas a um cristão como eu #5

Olá, Ed. Como é bom ouvir (ou ler) a respeito das suas experiências com o perdão Divino. É realmente singular a paz e a liberdade com as quais o homem que, como você disse, “toma posse do perdão de Deus” é tomado. E essa expressão que você utilizou é de uma sabedoria muito profunda… Realmente ser perdoado é questão de tomar posse de algo que já foi oferecido definitivamente na cruz do nosso Senhor.

Quanto ao episódio com a sua esposa, a sua postura não me impressiona nem um pouco. A reação que você esperava de você mesmo era consequência de alguém que não valorizava e nem vivia o Perdão. Agora isto mudou, e já não se espera outra resposta ao pecado que é cometido contra você senão o mesmo perdão. É uma incoerência egoísta e pecaminosa ser perdoado e não desprender perdão, ser agraciado e não agraciar. É também uma espécie de suicídio o “não perdoar”. Tenho para mim que é tão ou talvez mais tóxico e corrosivo para a alma humana o não perdoar e se encher de rancor e ódio do que o pecar contra alguém e não se dispor a pedir perdão.

Além de tudo o que você experimentou pessoalmente você ainda tem praticado a confissão comunitária com os seus amigos cristão mais chegados? Isso sim é surpreendente. Este é, na minha opinião, o passo mais difícil a ser tomado em direção à posse do perdão Divino. O mais difícil e também o mais negligenciado. Muitos e muitos cristãos naufragam na fé pela falta desta prática. Expor os pecados a outros é vergonhoso, dolorido, mas extremamente importante para que o arrependimento seja sincero e para que o perdão seja mais palpável e vivo. E apesar de toda a dificuldade, viver essa prática é de grande benefício para a nossa fé! O texto de Tiago 5:16 confirma isso com as seguintes palavras: “Confessai, portanto, vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo vale muito em seus efeitos.”

Não tenho mais nada o que lhe dizer sobre o perdão. A verdade é que é muito fácil falar e argumentar a favor dele. O desafio e a dificuldade se encontram em vivê-lo. Buscar perdão é declarar podridão, fragilidade e dependência; recebê-lo é ter que lidar com um paradoxo amoroso que aniquila o nosso orgulho e desestrutura a nossa convicção meritocrática de vida; oferecer perdão sincero é agir divinamente, numa postura de entrega e sacrifício, gerando vida. E essas coisas nunca vão caber em uma carta ou em um bate papo teológico; o perdão se aprende sendo vivido, buscando-o, recebendo-o e disponibilizando-o, ainda que sejam necessárias 70 tentativas multiplicadas por 7.

Por fim, em algum momento da sua carta você citou os seus problemas com alguns vícios… Fiquei interessado no assunto! Fale- me mais sobre eles, vamos conversar sobre isso!

Com carinho, Dudú Mitre.

Cartas a um cristão como eu #4

Belo Horizonte, 22 de Agosto de 2015

Ed, meu amigo, a simplicidade da sua última correspondência foi de um  valor indescritível. Afinal de contas, por mais que eu escolha as palavras mais belas e persuasivas, a minha autoridade para falar das coisas espirituais são nulas. Você me pediu que lhe mostrasse ou apontasse, nas Escrituras, algo que comprovasse aquilo que discutimos da última vez, e imediatamente eu me lembrei de um episódio em que Jesus ensinou a Simão, o Fariseu, o valor e o benefício do arrependimento e de se obter perdão.

Vamos a Lucas, capítulo 7, versos 36 a 50.

“E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.
Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.
E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre.
Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?
E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem.
E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.
E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados.
E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?
E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.”

A passagem é complexa e possui muitos elementos, mas quero me apegar ao que eu ofereci destaque acima. Jesus não está se referindo à quantidade ou qualidade do pecado neste texto. Ambos, o fariseu e a mulher, assim como toda a humanidade, são igualmente pecadores e estão igualmente em débito com o Pai. Na minha opinião aqui Jesus fala sobre a disposição do coração do pecador em reconhecer o seu pecado e procurar perdão. Sendo assim, o homem que devia 500 dinheiros seria aquele tipo de pessoa  não esconde do Pai os seus pecados, que se abre, se rasga diante do Criador, afim de obter o perdão total, enquanto o homem que devia ao senhor 50 dinheiros seria aquele tipo de sujeito que esconde a sua condição de rebeldia pecaminosa, afim que não o conheçam. Pode ser que este até se confesse pecador, mas a superficialidade da confissão e do arrependimento são suas marcas registradas.

Jesus argumenta a favor do ponto de vista que eu citei logo em seguida, quando coloca em comparação a postura do fariseu e a postura da mulher. Aquele, “devedor de 50 dinheiros”, quando posto diante do Criador não demonstrou nenhuma atitude de humilde arrependimento pela sua condição pecaminosa; ela por outro lado, “devedora de 500 dinheiros”, diante da presença do Perfeito só conseguia olhar para dentro e ver a sua imperfeição, se derramando em lágrimas e tristeza.

Aquele, pouco perdoado. Não por que Jesus lhe oferecera menos perdão, mas por que ele próprio não o buscou; ela, por sua vez, muito perdoada, pois a sua postura era de humilde reconhecimento e arrependimento da sua condição de pecadora.

Aquele, pouco amou, pois pouco perdão recebera; ela, por sua vez, viu crescer no seu coração um amor imenso por Aquele que a limpou de toda a sua culpa.

Aquele jantou com Jesus, mas não experimentou com Ele intimidade; ela, por sua vez, voltou pra casa muito mais próxima do Criador.

Acho que esse trecho nos mostra como o perdão sempre nos aproxima Daquele que se aproximou para nos perdoar e nos amar. Espero que tenha feito algum sentido para você, Ed.

Um abraço, Dudú Mitre.

Cartas a um cristão como eu #2

Belo Horizonte, 20 de Junho de 2015.

Querido Ed, fiquei muito feliz em receber a sua correspondência. Admito que achei que os nossos diálogos teriam fim naquela ocasião, uma vez que mais de um mês se passou e eu não tive nenhum tipo de resposta sua. Várias coisas se passaram pela minha cabeça, mas recebendo notícias dos seus amigos cheguei a conclusão de que provavelmente você estivesse fugindo. Não de mim, uma vez que não apresento ameaças a ninguém, mas do rumo que a nossa conversa estava tomando. Não lhe julgo, pois sei que em tempos de crise pessoal e moral, pensar na própria vida e ter um amigo abusado que lhe toque as feridas não é nem um pouco confortável.

Quanto á fuga, permita-me apontar uma verdade: uma pessoa não pode fugir e aprender ao mesmo tempo. Ela precisa permanecer algum tempo para tirar lições que façam algum sentido e que produzam alguma coisa. Ora, não há nada anormal em se passar por uma crise. O coração humano, inclinado para o pecado, nos faz cair com frequência naquilo que sabemos estar longe da vontade do nosso Pai. Mas veja, cada uma dessas quedas pode ser uma escola! Me lembro do “Peregrino”, na obra de John Bunyan, quando se depara com dois leões dorminhocos à beira da estrada que levava à Cidade Celestial e conclui: “voltar (ou fugir) é ir de encontro à morte certa; prosseguir é apenas temer a morte, mas com a vida eterna em perspectiva. Avante, pois!”. Não tenho mais o que falar sobre isto, e espero que você entenda que o meu tom não é de juízo, mas de exortação.

Agora, quanto ao que você me escreveu, digo que se trata de um aprimoramento pelo qual todo cristão deve passar. Você não é o único que, como você mesmo me escreveu, “maquina o mal e o pratica com uma facilidade gigantesca”. Desconheço um irmão que não tenha vivido a tensão entre a carne e o Espírito, a tensão entre o querer satisfazer seus desejos e o desejo de satisfazer a sua alma no Criador. As afirmações do Apóstolo Paulo são, nesse sentido, reveladoras e muito pesadas: “Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim”. Apesar de livres do poder do pecado por causa do sacrifício do Filho de Deus, ele ainda nos influencia grandemente. Saber lidar com essa tensão é um ponto fundamental na caminhada cristã. Paulo clama aos céus: “Miserável homem que sou! Quem me libertará deste corpo sujeito à morte?”, e conclui de forma fantástica: “Graças a Deus por Cristo Jesus”.

Existe grande liberdade em Cristo Jesus. Liberdade trazida pelo perdão da cruz, pelo perdão que nasceu do amor. O pecado é real, é forte. Nos manipula e influencia. Nos seduz e nos faz escolher por ele. E sim, ele é muito mais poderoso do que nós. Mas o amor, o perfeito amor com que Jesus Cristo nos amou, este cobre uma multidão de pecados. E a liberdade oferecida por esse amor nos possibilita experimentar o perdão a cada vez que fazemos o que não queremos, a cada vez que maquinamos o mal e o cumprimos com uma facilidade gigantesca.

Você está perdoado, Ed!

Com carinho, Dudú Mitre.

Ps:. as citações de Paulo a que me referi se encontram no livro de Romanos, no capítulo 7, com fragmentos dos versículos 18 a 25.

Pra quem não gosta de genealogia

Após terminar de ler um profeta do Antigo Testamento, peguei minha Bíblia numa manhã e pensei: “O que vou ler agora?” Fui para o índice e os meus olhos brilharam quando passei pelos evangelhos. “É isso, Deus! Tô com saudade de ler um dos evangelhos…” Decidi pelo 1° evangelho e, assim, comecei a leitura de Mateus. Aí aconteceu aquilo que é de praxe! Coisas nunca antes notadas, saltaram aos olhos e fizeram o coração arder. Quer um exemplo?

O Evangelho de Mateus começa com a descrição da genealogia de Jesus. Parece apenas um amontoado de nomes. Parece…

“Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;”(Mt.1:6)

O texto parece bem óbvio. Jessé foi o pai de Davi e Davi foi o pai de Salomão.

O que não pode deixar de ser mencionado é que “Davi gerou a Salomão, da que fora mulher de Urias, ou seja, Salomão (o rei mais sábio da história de Israel) foi fruto da relação entre Davi e Bate-Seba (que havia sido mulher de Urias).

Davi havia forçado Bate-Seba para que tivessem relação sexual. Sexo ilícito, sujo, condenável aos olhos de Deus. Ela era casada com Urias na ocasião. Ela manda o recado, depois de um tempo, dizendo estar grávida. Davi fica desesperado. Tenta fazer parecer que o filho de Bate-Seba fosse, na verdade, de Urias. Como não consegue, trama matá-lo e a cereja desse bolo de pecados é um assassinato.

Agora, uma dúvida: por que Deus, no meio da descrição da genealogia do seu próprio Filho Jesus, registra esse fato? Para que as palavras do fim do versículo (“da que fora mulher de Urias”)? O que Davi iria sentir ao ler isso? Será que não podia ser “Davi que gerou a Salomão, que gerou a Roboão”?

Acredito que está escrito assim, por pelo menos, 2 razões:

1) A história de Deus tem sido construída por homens pecadores como eu, você e o rei Davi. A compreensão daqueles que vivem com Deus é que “onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus.”(Rm.5:20)

2) Nas mãos de Deus, aquilo que é sujo, indigno, perverso e caótico pode se transformar em algo, simplesmente maravilhoso, como a genealogia de Cristo. Os primeiros versos da sua Bíblia dizem que a terra, porém, estava sem forma e vazia. Daí, Deus resolve colocar as mãos no caos e surge o cosmos! Foi assim com Davi, no caso de Bate-Seba.

No início, o nome “Bate-Seba” significava para Davi pecado, adultério, assassinato. Depois, passou a significar graça, misericórdia, perdão, e um filho chamado Salomão! É assim quando Deus resolve colocar as mãos…

O que existe na sua vida que ainda tem o significado de pecado? 

Você não acha que já passou da hora de você entregar isso nas mãos de Deus?

A genealogia do Reino de Deus continua sendo escrita. Nomes de pecadores são registrados. Históricos repletos de sujeira, mas que não trazem vergonha. Porque numa genealogia onde abunda pecado, há um nome repleto de graça! E a graça Dele é tão abundante, mas tão abundante que não há histórico que permaneça sujo.

Você compreende o que significa o nome de Jesus na genealogia?

Um grande abraço!!!

Não deu tempo de bolar um título!

Insônia… O sono bate, o corpo pede descanso. Todos os pré requisitos são sabaticamente cumpridos mas o mais importante não acontece: as pálpebras não se mantêm fechadas. A mente  não entra em repouso.

E aí começa a sabatina… Vai ao banheiro, volta para a cama. Bebe um copo d’água, volta para a cama. Fala com Deus, na esperança de que o repouso do coração leve ao sono profundo,  mas isso também não funciona. Assiste um episódio da série que precisa ser colocada em dia, lê um capítulo do livro que está sobre a cabeceira e… Nada! Enquanto isso a mente se prende ao despertador, programado para as 08:00 da manhã, uma vez que a lista de atividades que precisam ser cumpridas no dia seguinte é grande. Chega uma hora em que a noite cansa. O vazio do silêncio e a falta de perspectiva em conseguir passar por ela dormindo fazem com que o coração se torne ansioso. Já sem muito o que fazer se espera pela manhã, pelo momento em que o despertador vai tocar e que o silêncio e a solidão da noite interminável finalmente terão fim e darão lugar à tão produtiva manhã de sábado!

Faz lembrar o salmista, quando diz: “A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pela manhã, mais do que aqueles que guardam pela manhã.” Salmos 130:6

Enfim, o som do despertador! E aí vem a contradição…

O dedo desliza sobre a tela do celular, mas não com a intenção de desligá-lo, e sim de ativar a função soneca. A preguiça de sair do aconchego sob medida do colchão toma conta. 10, 15, 40 minutos… E grande parte da tão esperada manhã já se foi quando finalmente cria-se a coragem de colocar os pés pra fora da cama.

E então o mesmo coração que anseia pelo Senhor durante a noite sem fim é o coração que, obstinado a pecar, se enrola no pecado, “deita e rola” nos seus próprios prazeres quando a Manhã chega, quando a Manhã o chama.

Não sei quanto tempo já perdi com essa contraditória condição espiritual de desejar a Manhã e protelar para vivê-La, mas tenho certeza que foi muito!

Mas enfim, não tenho mais tempo… Enrolei muito na cama! Estou atrasado e preciso ir! Infelizmente quando isso acontece algumas coisas não ficam como deveriam.. Alguns textos ficam sem final, ou até mesmo sem o título!

A dicotomia da Lei e do Pecado

“No princípio criou Deus os céus e a terra.”  Gn 1:1

Logo ao criar o céu e a terra, Deus formulou dois princípio físicos e filosóficos que sempre estiveram presentes na ciência humana: a dualidade e a dicotomia. É fácil notar na nossa realidade tangível o conceito de dualismo. Basta pensar em noite e dia, bem e mal, céu e terra, paraíso e inferno, entre tantos outros exemplos. Até nossos próprios sentimentos parecem ser dicotômicos, como alegria e tristeza, amor e ódio, etc.

Em via de regra, dualismo é dividir um só elemento em duas partes irredutíveis entre si mas subordinadas uma à outra. No caso de Gênesis, o céu existe de forma separada da terra, mas só podemos conhecer o céu de forma inteligível quando o céu é contraposto pela terra, de modo que, sendo ambos irredutíveis, sua existência se baseia na não-existência do outro, semelhante ao pensamento de que tudo que não é o céu, é a terra. Este conceito pode ser igualmente ampliado para pensarmos em corpo e espírito, e, no caso deste texto, em lei e pecado. Vejamos o que Paulo disse:

“Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a cobiça se a lei não dissesse: Não cobiçarás.” Rm 7:7

Notamos a dicotomia com facilidade. O que não é cumprimento da lei, é pecado. Da mesma forma, posto que cobiça é pecado, pois ela é o não-cumprimento da lei, tudo aquilo que for não-cobiça é bom aos olhos de Deus. Assim fornecemos limites semânticos ao pecado, e somos possibilitados de conhecer e significar a cobiça. Não houvesse lei, a dualidade cobiça / não-cobiça não seria posta. A cobiça sequer existiria, seria apenas um sentimento sem delimitação e único, impossível de ser sentido, visto ou pensado, uma vez que a percepção humana baseia-se na contraposição de elementos para significação de sentidos no modelo de aquilo que não é bom, é mau, e vice versa.

“Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou.” Rm 7:11

A lei definiu o pecado, e o pecado nos matou. Não houvesse a lei, não haveria o pecado, pois a lei deu contornos ao pecado, tornando conhecido o que Deus quer e o que Deus não quer que façamos. A lei possibilitou ao homem conhecer a vontade de Deus, e possibilitou criar no campo semântico dos homens infinitas possibilidades dicotômicas para analisar seu comportamento, seu coração e suas ações. Sem a lei o homem nem sequer saberia o que é pecado.

Notem, porém, que a morte e o pecado existem independentemente de nossa significação semântica para ele. A lei não criou o pecado, ela apenas o tornou conhecido e inteligível.

E de que forma o pecado me matou pela lei? Como ele me enganou? Posto a dicotomia lei e pecado, fica fácil responder! A lei não é salvação! A lei é a definição do pecado! Ela não irá te resgatar de uma vida longe de Deus, ela irá apenas te mostrar os motivos pelos quais estamos todos condenados. Valorizar a lei acima de seu papel delimitador e definidor de pecado é subtrair de Cristo o seu papel de cordeiro. Este foi o preceito fundamental da cegueira dos Fariseus.

Uma pergunta óbvia mas necessária : por onde somos salvos?

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” Rm 8:1-2

Nossa salvação não virá do cumprimento individual da lei, e sim da misericórdia de Deus, executada em Cristo, o cumpridor da lei. Mas a condenação de muitos virá, infelizmente,  pelo seu não cumprimento.

Parafraseando o velho ditado, digo que aos filhos de Deus, Jesus, e para as demais criaturas, a lei.

Graças a Deus por Cristo.

Um abraço!

Entregues a nós mesmos

Na leitura dos capítulos 78 a 81 do livro dos Salmos vemos o qutanto Israel no antigo testamento estava triste por estar submisso a outros povos. A reclamação é sempre contra Deus, para que ele honre seu próprio nome e haja concedendo Vitória a Israel.

Por um tempo considerei os prováveis motivos pelos quais Deus não respondia a oração do salmista. Será que  ele não teria perdoado seu povo de seus pecados? Será que queria ensinar algo por meio do seu silêncio? Será que ele estava com dó dos outros povos que lutavam contra Israel, a nação que ele havia escolhido para chamar de sua? Não, nada disto. No Salmo 81 vem a resposta:

Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis. Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos. Oh! se o meu povo me tivesse ouvse Israel andasse nos meus caminhos

Salmos 81:11-13

O povo à época cultuava outros deuses, havia abandonado as leis estabelecidas por Deus, vivia deliberadamente em pecado. Percebo então que a escolha não havia partido de Deus, ele não queria o mal do seu povo. Deus tentou ensinar de que maneira deveriam ter vivido, mas eles preferiram seu próprio caminho. O que Deus fez não foi vingar, ignora ou castigar o povo. Ele simplesmente deixou que as consequências viessem à tona.

Quando penso na minha caminhada como cristão vejo de maneira clara que cheguei a tentar viver meus próprios sonhos e  levar a vida da minha maneira para que eles fossem realizados. À medida que os concretizava, sentia as consequências das minhas decisões distantes de Deus. Estar entregue às minhas próprias posições foi a pior coisa que poderia ter me acontecido.

Aprendi desde então a temer a Deus e a viver ao seu lado. Triste ler na história de Israel que eles não aprenderam e foram submissos a outros povos por gerações e gerações. Não posso afirmar que estou para sempre nos caminhos que creio que Deus gostaria que eu vivesse, mas tenho lutado para tanto. Assim oro para que Deus continue comigo e me dê força para não desanimar da luta de segui-lo. Oro também para que ele proteja você, amigo leitor. Que possamos usufruir dos benefícios de viver a vida cristã de maneira plena e que nunca estejamos entregues a nossas próprias paixões.
Forte abraço, até a próxima terça-feira.