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Realengo: A paz social e a ausência de guerra

Hoje o assunto até poderia ser outro mas será o Realengo.

Grandes tragédias sempre nos levam a pensar.

Dois pensamentos muito fortes e relacionados são:

  1. O que levou a isso?
  2. Como poderemos evitar os próximos?

Como eu disse, as duas perguntas são relacionadas pois a primeira buscar na verdade responder a segunda. Relembrando a ideia passada, a história é  gérmen do futuro.

Tentando responder a primeira pergunta vários meios de comunicação trazem à tona fatos que buscam explicar o ocorrido. Sem notar começamos a ligar as coisas. Ele sofrera bullying. Ele era calado. Ele era adotado. Sua mãe adotiva acabara de falecer. Fatos verdadeiros ou não pois nessa hora o desespero gera também um fluxo de informação desordenado.

Buscando responder a segunda pergunta também recebemos outra enxurrada de informações. A volta do debate sobre o porte de arma, a instalação de detectores de metal nas escolas. E de repente nos vemos em Columbine.

Capa da Time na época do acontecimento em Columbine: "Os monstros à porta - o que os fizeram fazer isso?"

A violência tratada como mal social leva porém a algumas distorções. Uma delas imortalizada (ou apenas celebrada) no filme Laranja Mecânica é a solução acima do indivíduo: melhor desprover alguém do livre-arbítrio do que o permitir cometer um crime.

No campo jurídico, segundo diz a Alê, minha namorada, existe o questionável direito penal do inimigo, que também busca, acima de liberdades, a coibição prévia do crime. Um outro filme exemplifica este caso, desta vez Minority Report.

Quem sou eu para responder às perguntas propostas. Eu mesmo me questiono. “Mas”, como diria Tatarana, “desconfio de muita coisa”.

Desconfio primeiramente que a paz não é ausência de guerra. E que a paz não é algo social. A paz se torna social quando existe nos indivíduos da sociedade, e não o contrário. A abordagem “de baixo para cima” nos leva então não a políticas públicas – não tirando seu mérito – mas a ações pessoais. O que temos feito a respeito?

Desconfio segundamente que não deveríamos querer evitar apenas a tragédia maior. E descofio que para um cara chegar onde chegou, muita coisa aconteceu antes.

Pensemos.

Oremos.

 

Fiquei profundamente sensibilizado com o acontecimento. Tenho muita pena também do atirador.

O Muro de Inimizade

O capítulo 2 de Efésios traz a nós um resumo robusto da mensagem do Evangelho. Estudando o texto durante esta semana pude observar uma estrutura dele emergindo.

De um lado, o homem:

  • Morte (v.1 e 5)
  • Pecados (v.1)
  • Merecedores da ira (v.3)

Do outro, Deus:

  • Vida e ressurreição (v.5 e 6)
  • Graça (v. 7)
  • Bondade (v.7)

No meio, um muro de inimizade (v.14).

Mas Jesus, a pedra angular (v.20) destrói o muro.

Vemos que o processo que se passa para a criação de uma passagem por entre o muro é a morte: Jesus com a sua carne, na cruz, anula a condenação da Lei. (v.15-16) Vemos que na verdade a lei não foi anulada de forma absoluta: ela foi cumprida, porém não nos “merecedores da ira”. Jesus morreu, ou seja, pagou, em nosso lugar.

É feita uma analogia com os gentios (não-judeus) e os judeus. Através de Cristo, outro muro de inimizade é quebrado: judeus e gentios não são mais separados, ambos podem ter acesso às promessas de Deus de salvação. (v. 12 e 13)

Este capítulo também é famoso pela ênfase no processo de salvação. Não poderíamos nós mesmos quebrar o muro pois a lei deveria ser cumprida. Sendo devedores, não havia obras que pudessem nos ser creditadas como algo que nos traria próximos de Deus.

Assim, as obras não são aquilo que nos salvam (v. 9) e sim consequência natural deste evento (v.10).

Por fim, é mostrado a união de uma nova humanidade em Cristo, em seu corpo. Podemos dizer que entre os outros, entre Deus e conosco,

Ele é a nossa paz