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O retrato

Tive o privilégio de ler o livro “O retrato de Dorian Gray”, escrito por Oscar Wilde. Mostra um homem que, de certa forma, vende sua alma para que continuasse jovem, sem marcas de sua velhice e nem marcas de seus pecados. Essas marcas seriam demonstradas em um retrato recém pintado por um amigo. O retrato, inicialmente exposto na sala de sua casa, passou rapidamente para um sótão, trancado a sete chaves.  Isto porque transformações foram acontecendo no retrato: lágrima, sorriso sarcástico, olhar raivoso, mãos manchadas de sangue e velhice. Cada coisa que fazia na vida era marcada no quadro. Depois de muitos anos, em desespero, por ser jovem no meio de uma geração envelhecida e com uma montanha de atitudes, hábitos e vícios que deixaram de fazer sentido, ele tem um diálogo com um padre:

– Padre, essa não é minha face! Eu vi minha alma!

– Somente Deus vê a alma filho!

– Padre, eu vi minha alma; ela é podre, fede e é veneno!

Interessante como o autor critica sua sociedade contemporânea, onde vida de abusos e vícios eram escondidas atrás de títulos de nobreza, cavaleiros e damas! Mas, quando conhecemos a história do autor, vemos como a história pode ser vista como uma biografia não autorizada. Já que foi escrita por um homem que viveu uma vida dupla, escondendo seu quadro . Mas, mais interessante ainda, é que ela serve para nos questionar nos dias atuais. Se cada um de nós pudessemos ficar frente a frente com nossa alma- como em um quadro- o que veríamos?

O que você diria hoje sobre esse retrato?

Talvez “é podre, fede e é veneno”?

Você poderia colocá-lo na sala de visitas de sua vida, deixando todos se aproximar e avaliar?

É bom poder dialogar com um autor do século 19 e questionar minhas atitudes, meu coração, meu retrato!

E o seu retrato, como vai?

Abraço e até a próxima!