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Crônica de um dia atual

Então seremos espalhados pelas nações, de um lado ao outro desse mundão. Ali somos confrontados com “novos deuses antigos da modernidade”. Nesses lugares não encontramos descanso, precisamos produzir, mostrar nosso valor, vestir a camisa; até nossas solas dos pés (ou ombros, ou coluna) não encontram descanso. Nessa rotina que nos desvia de nosso Senhor, desenvolvemos um coração desesperado, pavores, depressões, olhos exaustos de tanto esperar, insônia,culpa, toques e alma ansiosa. Vivemos em constante incerteza, cheios de terror, dia e noite, sem nenhuma segurança na vida. Acordamos de manhã e pensamos: “Quem dera fosse noite!” e, de noite: “Quem dera fosse dia, não consigo dormir, ninguém “on” no wpp, tenho medo!”. Nossas almas são colocadas à venda, esquecemos a verdade que nos libertou. Mas ninguém comprará nossas almas, não tem mais importância, não vale nada, não vale a pena! (uma pequena paráfrase de Deuteronômio 28:64-68)

Como nos esquecemos! Como não descansamos na obra perfeita!

“Lembra-te de que foste escravo no Egito e que o Senhor, o teu Deus, te tirou de lá com mão poderosa e com braço forte. Por isso o SENHOR, o teu Deus, te ordenou que guardes o dia de sábado.” (Deut.5:15)

Abraço e até a próxima

O problema do 9 sem o 10 ou do 10 sem o 9

Lendo Efésios me deparo com um dos paradoxos do cristianismo:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
(Efésios 2:8-10)
Se pegarmos o verso 9, podemos dizer: “Somos salvos pela fé! Obras não levam a lugar nenhum! O fruto da obra é orgulho!”
Se pegarmos o verso 10, podemos dizer: “Obras são necessárias! Deus têm preparado obras para mim! Sou um homem de ação e não de contemplação!”
Enfatizar sua vida cristã em somente um dos versos irá trazer problemas para você. Ou uma fé teórica ou obras com o fim em si.
Não há como separar fé e obras! Ambas devem existir! A fé é a razão da obra! A obra é a consequência natural da fé!
Nada melhor que virar o ano podendo nos questionar: Esses versos estão interligados e arraigados em minha vida? Vivo na interdependência deles ou dou prioridade para um dos versos?
Como você se avalia?
Abraço e até a próxima!

Humana

“Errar é humano”, chavão que muita gente gosta de dizer. Somos humanos quando nos convém, mas na maioria das vezes agimos como se quiséssemos negar esse fato. “Somos semelhantes ao atleta desafiado a correr cem metros em cinco segundos. Depois de várias tentativas fracassadas, ele põe a culpa nas condições da pista ou no tênis apertado. O fato de que o projeto é humanamente impossível parece nunca o afetar” (:28).

Ninguém nunca quer admitir a sua falibilidade, a sua impotência, a sua pequenez. Por mais expert em qualquer assunto que se seja (os do meio acadêmico que o digam!), por mais bem-sucedido/rico que se seja, não importa: não sairemos da nossa condição de não-deuses nem finalmente subiremos ao Olimpo (por mais que muitos creiam por aí que são sim deuses).

Recebi faz alguns dias uma notícia que muito me chocou. Um dia ele estava ali, presente com os amigos. No dia seguinte, já não estava. Ninguém imaginava, ninguém poderia prever. O choque que sempre traz a morte parece ressignificar as coisas, nos reaproximar da realidade da nossa pequenez. Será que podemos continuar com essa auto-imagem de super-heróis imortais?

O novo testamento nos apresenta um Jesus radical, não um reformador. Para segui-lo verdadeiramente temos que nos lembrar diariamente de quem somos frente a Ele. “O novo testamento só é relevante se captarmos o significado fundamental das exigências do evangelho, apesar de, ao mesmo tempo, compreender que nunca poderemos cumpri-las completamente” (:33). Não nos tornamos filhos de Deus por mérito próprio, mas por misericórdia de Deus: tentar chegar a Ele por nossas próprias obras (ou até acharmos que temos algum instrumento de barganha com Ele pela nossa “bondade e altruísmo”). Ao mesmo tempo, conformar-se com o cumprimento morno de um bando de preceitos é a receita para uma vida hipócrita.

Abençoados sejam os conscientes de sua falta de mérito e abertos à misericórdia divina. A fé, se não transforma o nosso interior, não é fé verdadeira, é falsidade. A plenitude é mais do que servir/lutar por um mundo melhor/direitos humanos/causas ambientais (que são todas coisas ótimas, obviamente): é uma convocação à santidade pessoal, à conversão contínua e à transformação constante do caráter, que por sua vez depende da consciência da nossa humanidade.

Sozinhos somos nada.

(Trechos de “Convite à loucura, de Brennan Manning)

Da totalidade

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho,
e a verdade
e a vida
(Livro de João, 14:6)

“Digo eu: Eu decido o meu caminho
Pois tenho as minhas verdades
Para a minha vida
(Livro do Eu, 14:6)

Interpretar a bíblia pode ser uma terefa complicada se não temos uma visão do “todo”. E qual seria essa visão da totalidade?

Jesus.

Toda a história da bíblia aponta para Jesus, de Gênesis a Apocalipse. Essa visão pode nos ajudar, por exemplo, a compreender onde se encaixam os complicados livros de Levítico, por exemplo, que apresenta diversas (e intermináveis) leis sobre costumes e sacrifícios. A contrapartida de Levítico seria o livro de Hebreus do novo testamento, que defende que Jesus foi o sacrifício, não havendo necessidade de mais nenhum outro. Jesus “acaba” com as leis do antigo testamento justamente por cumpri-las. Depois dele, elas já não têm sentido.

A bíblia é uma única história, fala de um único homem, um único herói. Podemos escolher querer construir nossa história baseados nesse personagem (que é mais que um personagem histórico) ou tentar fingir que nada disso é conosco. Viver a vida segundo o “Livro do Eu”.

Jesus se escreveu na história da humanidade e quer se escrever na sua história pessoal. Ele já está presente na sua vida, quer você queira quer não. Mas você tem buscado construir sua vida de acordo com a Dele?

Porém, a compreensão da Cruz e do sacrifício de Cristo é só o princípio. Da teoria à prática; da compreensão à ação: o verdadeiro entendimento de quem é Jesus parte da convivência diária, do desafio de uma vida segundo padrões “insanos” para o mundo atual.