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E se o pecado não me afastasse de você?

Assim que decidi vir para Brasília, algumas decisões foram tomadas. Dentre tantas, estudar o livro de Neemias era uma delas. Havia prometido que faria isso e o compromisso assumido havia sido com um dos meus mais recentes amigos: Fernando Miranda, Coronel do Exército Brasileiro e atual Presidente de Alvo da Mocidade. Achei prudente cumprir o combinado (hehehehe) e sei que esse meu amigo sabe das coisas. Aproveito para dedicar esse post ao Miranda e reparto com vocês apenas uma das incontáveis riquezas contidas nesse livro.

Neemias pede informações sobre os judeus que haviam escapado e que não foram levados ao exílio da Babilônia. A notícia era apenas uma: “As pessoas estão em grande miséria e desprezo.” Ao ouvir essa notícia, o grande líder chamado Neemias se assenta, chora, lamenta por alguns dias e passa a jejuar e orar pelas pessoas. (PS: São raros os líderes que choram e jejuam pelas pessoas. Quando há algum tipo de compaixão, ela normalmente é efêmera e fugaz. Não dura alguns dias, como foi com Neemias.)

No entanto, o que mais me chocou foi a oração de Neemias pelo povo. Ele começa tecendo comentários sobre Deus, pede para ser ouvido e termina dizendo:

“… faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos…” (Ne.1:6-7)

Percebe que ele usa a 1ª pessoa do plural o tempo todo?

Nessa hora, talvez alguns de nós poderiam dizer: “Você está orando errado, Neemias! Você não está pecando, mas sim o povo. Você, inclusive, está bem com Deus! Está sentindo compaixão, está orando, está jejuando…”

Sabe qual seria (na minha opinião) a resposta de Neemias?

“Engano seu! Tenho sentido tanta compaixão dessas pessoas que cheguei no status em que posso dizer: O SEU PECADO É O MEU PECADO!!!”

Não sei se você entende isso, mas é quando (paradoxalmente) o pecado não afasta, mas aproxima. O pecado não repele, une.

É quando as tosquices, os podres, as infantilidades fazem, quase que de maneira bizarra, o amor aumentar.

Não é concordar com o pecado. É quando eu chego ao nível de estar tão “imerso” em você, que o seu pecado passa a ser o meu pecado. Houve um homem que viveu essa experiência com tanta profundidade, que os registros da história dizem que sua inserção no mundo e na vida das pessoas foi de tal forma que Ele acabou tomando para si mesmo o pecado de todos eles. E há quem diga que essa foi a maior de todas as provas de amor que já existiu.

Porque nas mãos de Deus, até o pecado pode ser usado para revelar amor.

De quem o pecado te afastou? Acho que já temos algo para refletir…

Um grande abraço!!!