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Hora de reformar

Nesta segunda-feira, dia 31 de outubro, foi comemorado o dia da reforma. É um dia festejado pelos luteranos e outras igrejas reformadas em memória das mudanças que trouxe Lutero e outros que ousaram lutar contra aquilo que viam de errado na igreja medieval, como a venda de indulgências, que desviava as pessoas da fé em Cristo e as levava a gastar seus recursos para pagar por algo que é grátis: o sangue de Cristo, que traz a salvação.

Revendo o filme “Lutero“, me impressionaram as lutas internas do personagem, mas ainda sim um desejo de permanecer fiel àquilo que ele considerava correto: a fé cristã com base nas escrituras, seguir os ensinamentos de Jesus como estão na Bíblia. Sua fé na Bíblia e sua vontade de compartilhar a palavra de Deus o levaram a traduzir a Bíblia para o alemão, dando o passo para a tradução da Bíblia para as línguas correntes e assim aproximando a palavra de Deus às pessoas comuns, que não falavam latim, grego ou hebraico. Sua coragem de desafiar os poderes da época em prol do que achava correto pode e deve nos servir de inspiração para fazer o mesmo, dentro das nossas realidades, das nossas épocas e de nós mesmos.

Todo dia é dia de reforma. De repensar caminhos, atitudes, estândares, conceitos e preconceitos. Que não nos acostumemos com nossos defeitos, nossos pecados e com os erros da nossa sociedade, nos quais podemos agir.

Que nós tenhamos a coragem e a determinação de Lutero de lutar contra o que achava errado, a favor do que achava certo, tanto na sociedade quanto em nós mesmos. Que Deus nos dê forças para não desfalecer pelo caminho e permanecermos fiéis àquilo que consideramos merecedor de nossa luta.

O que você quer reformar hoje?

Tradição e contradição

2000 anos atrás, mulher com cabelo curto era prostituta;

700 anos atrás, ousar ler a bíblia sem ser padre nem era cogitado;

600 anos atrás, quem tomava banho com freqüência era morto pela inquisição;

500 anos atrás, índio não era humano;

400 anos atrás, negro não tinha alma;

300 anos atrás, as pessoas se tratavam com sanguessugas;

200 anos atrás, não existia infância, as crianças eram “adultos-miniatura”;

100 anos atrás, não seria mal-visto espancar um gay;

90 anos atrás, mulher de calça era macho;

80 anos atrás, lugar de mulher era na cozinha;

70 anos atrás, biquini era pouca-vergonha;

60 anos atrás, ninguém falava em meio-ambiente…

 

Fico pensando: quando meus bisnetos ouvirem falar de sua querida bisavó, o que pensarão de mim? Quais atitudes que para mim hoje são completamente normais soarão para eles como profundamente conservadoras, reacionárias ou simplesmente muito estranhas?

É muito difícil notar suas próprias tradições ou contradições. Às vezes só o observador externo as vê.

Precisamos estar mais atentos às diversas mudanças do mundo aí fora. E assim como a humanidade mudou ao longo dos anos, você também mudou e mudará ao longo dos anos. Nosso Deus é único e atemporal. Nós não.