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O mito de Fausto – a humanidade e suas buscas

A humanidade já experimentou várias tentativas de chegar aos céus. Algumas delas bastante literais. É o exemplo da Torre de Babel. Outras intentavam alcançar alguns de seus predicados. Viver o céu sem estar lá fisicamente. São várias as qualidades que relacionamos ao firmamento.

Mencioná-lo é lembrar, por exemplo, da divindade e sua morada, de tudo o que é sacro, daquilo que nos inspira poesia, do belo, do amor. Não é outra a razão para essa busca, senão que a firme atmosfera nos desperta inquietação e curiosidade. Seria a infinitude alcançada por nossos olhos.

Não é, porém, de amor que nós vivemos. Os interesses pessoais são a motivação da nossa existência. “Como posso conhecer o triunfo, se não identificar uma maneira de dominação?”, indagaria o mais desavisado. Domina quem deixa de ser mais um na multidão, enfim, o destacado alvo de cobiça. Outra dúvida surge logo. Como posso obter destaque? A resposta é a mais óbvia desde Sócrates, ou melhor, desde que dominamos o fogo. O CONHECIMENTO traz o que todos nós almejamos.

A engrenagem do conhecimento

Logos é a razão, a sabedoria, o conhecimento. Aí está mais um dos predicados do céu. Ou estou mentindo quando atribuo o conhecimento e a sabedoria ao firmamento? Conhecer é próprio do inventor. Quem é que sabe mais do motor do carro senão aquele que o projetou? Aí nos encontramos de vez na busca por alcançar outra qualidade dos céus.

Ora, é tão bom dominar. E, assim, vamos dando cada vez mais de nossas vidas a fim de ganhar o saber. Saber matemática e filosofia. Saber história do Brasil, história do mundo e química. Saber biologia, física, línguas. Não sei se é fato por todos conhecido, mas o momento em que vivemos é conhecido como pós-industrial ou ERA DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO.

Sinceramente, não se pode negar que a famosa tragédia de Fausto (poema de Goethe) é o fiel retrato de nossos tempos. Esse personagem, misto de lenda e história, vendeu-se à Mefistófeles para superar o conhecimento existente em sua época. Conseguiu neste acordo, inclusive, viver 24 anos sem envelhecer.  Entregou-se ao saber, em sinal claro às suas pretensões. Era chamado Dr. Fausto, o típico título do prepotente. Levou a vida desonrosamente e, mesmo apaixonado, terminou num lugar que não gostaria de estar.

Os degraus, a maçã é o prêmio. Espera-se não seja podre.

Este é quem buscamos. O conhecimento que nos enobrece, porque divindade, ou porque a ele servimos como se divino fosse. Anseio ainda maior da humanidade é que, mesmo ávidos por logos, não sejamos todos objetos de uma “apostinha”, como Fausto, entre Deus e Mefistófeles, para conhecerem nossa reação diante dos desafios. Porque melhor sorte que Fausto, somente teve, que sofreu uma provação e saiu sem casa, sem família e sem saúde. No fim, porém, teve o dobro do que antes possuía.

Não perca o texto de amanhã. Daremos sequência as ideias iniciadas hoje.

Abraço e até amanhã!