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Do templo à cruz

Em Lucas 2 lemos um episódio de Jesus, ainda uma criança de 12 anos, no templo com os mestres religiosos da época. Ficou durante três dias “ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas”, fazendo pessoas se maravilharem “com seu entendimento e com as suas respostas. Naquele momento, com doze anos, esse era o lugar que Ele deveria estar (vs 49). Não posso afirmar, mas creio que Jesus ia, aos poucos, se tornando consciente de sua missão. Ainda como uma criança, talvez sua missão fosse estar no templo, ouvindo e conhecendo as posições dos “mestres”. Da mesma forma, vemos um Jesus jovem, sendo obediente aos pais e honrando sua família dando continuidade ao trabalho de José como carpinteiro. Aos trinta anos, e com a maioridade judaica, Jesus parecia consciente de sua grande missão.
Interessante notar lendo os evangelhos que Jesus nunca voltou a fazer o que fez quando tinha doze. Ou seja, agora com missão, nunca teve mais tempo (ou preocupação) em ficar debatendo com os mestres no templo. Escrevo isso porque me preocupo com cristianismo de templo em detrimento ao cristianismo de rua, de caminho, de vida… Jesus nunca investiu em cristianismo de templo enquanto tinha missão. Várias vezes foi abordado por “homens de templo” mas chegou até a ignorá-los (Mc 11:33). Confesso que tenho grande preguiça de cristianismo feito no templo e temo que essa escolha enfraqueça muito o nosso poder de sermos sal e luz. Antes fosse ficarmos dentro do templo ouvindo um menino de 12 anos nos maravilhar. No entanto, sinto que o cristianismo de templo discute de si para si, confabulando sobre o que e como deve ser feito, criticando muitos que estão no caminho por seus métodos ineficazes e míopes.
Tenho receio dos “mestres do templo” se distanciarem do dia a dia de Cristo, se distanciando assim da cruz. Dentro do templo passam a fazer sentido somente para eles…
Hoje é dia de lembrar aos cristãos preguiçosos e relapsos que aquela criança se tornou homem e seguiu sua missão até o fim, nos conclamando a segui-lo. Portanto, qual é o caminho que tem percorrido? Mas aproveito, principalmente, para falar aos cristãos do templo… nosso Jesus tem missão, viveu missão e morreu missão. No momento que esta se tornou clara, Ele não teve mais tempo (e nem vontade) de ficar no templo, discutindo com os mestres. Ele não poderia se esquivar de sua grande missão.
Creio que alguns dos mestres que se encontraram com o menino Jesus continuavam a assistir do templo àquele movimento que viria nos trazer salvação que é sem fim. Triste pensar que, vinte anos depois, alguns que antes se maravilharam por receber a visita de um menino, nunca saíram de lá. E de lá, arquitetaram a morte de cruz daquele homem que anos antes o fizeram ficarem perplexos.

Abraço e até a próxima

Desocupados na praça

Lendo Mateus 20 achei muito interessante a parábola dos trabalhadores da vinha. Essa passagem fala de um Deus que busca homens para o trabalho. Um Deus que envia. Um Deus que tira do ócio e entrega uma missão. Um Deus que, preocupado com a vinha, busca pessoas que estejam disponíveis para um árduo trabalho. O que me chamou atenção, dessa vez, foi ler onde Deus busca e quem Deus busca. No verso 3 notamos um Deus que busca homens desocupados na praça! Aqueles que são deixados, aqueles que estão perdidos, aqueles que estão confusos, sem perspectivas! É impressionante como vejo pessoas “desocupadas nas praças” hoje. Vidas sem sentido, desanimadas, sem direção. Mas existe esperança! Existe um Deus que chama, que dá missão e que recompensa!

Mas, o mais triste é que vejo pessoas que um dia estavam “desocupados na praça”, foram chamadas por Deus, trabalharam na vinha e … acabaram voltando para a praça. Quantas pessoas tem negado o envio de Deus. Tem deixado de trabalhar na vinha. Tem voltado para uma vida de desocupado, tentando ocupar suas vidas com grandes ilusões como dinheiro, conforto e segurança. Tenho mais pena dos que voltaram para a praça do que dos que nunca trabalharam na vinha. Os que voltaram já tiveram o vislumbre de uma vida com sentido, plena, com senso de realização. Mesmo com menos dinheiro, menos conforto e menos segurança, não há nada melhor do que estar na vinha!

A boa notícia é que Deus ainda continua rodando nas praças. Convocando novos trabalhadores. Transformando desocupados em parceiros de realização. E não tenha dúvida que todos terão suas recompensas.  Quero te relembrar que Deus te chama para a vinha, espero que você possa viver como um trabalhador\trabalhadora, ansioso pela recompensa. E quanto aos desocupados …. Deus ainda procura por novos trabalhadores!

Abraço e até a próxima!