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Meios de graça: introdução

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” Efésios 2:8,9

“Pela graça sois salvos” é uma expressão bíblica muito usada por nós. E a razão é simples: para romper com uma visão romanista de salvação que incluía boas obras, a ênfase na graça precisava ser marcante. Não é que para os católicos romanos a salvação venha exclusivamente pelas boas obras, mas crêem ser uma tarefa sinergista, isto é, há duas forças concorrendo para que ela aconteça, a proveniente de Deus e a que vem do homem não regenerado que exerce fé. Contudo, os principais reformadores eram monergistas e criam que o Espírito Santo opera sozinho a obra da regeneração, abre os olhos cegos, os ouvidos surdos e transforma corações de pedra em corações de carne.

Mas o que gostaria de colocar hoje é que salvação é um pacotão de coisas que Deus está fazendo pela graça em nós. O problema é que associamos salvação somente à conversão, ou seja, muitos creem que depois da conversão não há mais atuação da graça, o que não é verdade.

Francis Schaeffer dizia que o paradoxo que explica a caminhada do cristão é a atividade passiva e passividade ativa, ou seja, essa é a sua santificação. Em certo sentido, o cristão tem que agir, mas o agir do cristão é uma ação descansada, confiante na graça de Deus. É um duplo movimento, portanto.

Então, o que são meios de graça? Graça salvadora sendo comunicada por canais de comunicação de Deus. Todo o processo iniciado no momento em que entramos na história de Deus é gracioso. Durante todo o percurso de nossas vidas nós precisamos da graça de Deus porque foi a graça que nos salvou, mas também foi ela que nos fez orar hoje, que nos inquieta para estudar a Palavra, que nos dá recursos pra resistir ao pecado, enfim. Ser cristão não é difícil, é impossível. “Sem mim nada podeis fazer” foi o que Jesus disse, então é fácil concluir que não existem boas obras fora de Cristo. Assim, Deus vai comunicando esses recursos para que nós sejamos plenamente salvos.

São meios de graça: a) a Palavra;
b) os Sacramentos (batismo e ceia);
c) a Oração.

“Canais objetivos que Cristo instituiu na igreja, e aos quais Ele se prende normalmente para a comunicação da Sua graça. Naturalmente, estes nunca podem dissociar-se de Cristo, nem da poderosa operação do Espírito Santo, nem da igreja, que é o órgão designado para a distribuição das bênçãos da graça divina. Em si mesmos, eles são completamente ineficientes, e só produzem resultados espirituais positivos mediante a eficaz operação do Espírito Santo… Eles são instrumentos, não da graça comum, mas da graça especial, da graça que remove o pecado e renova o pecador, em conformidade com a imagem de Deus. É verdade que a Palavra de Deus pode enriquecer, e nalguns aspectos realmente enriquece os que vivem sob o Evangelho com algumas das mais seletas bênçãos da graça comum, no sentido estrito da expressão; mas ela, e também os sacramentos, entram em consideração aqui somente como meios de graça no sentido técnico da expressão. E, neste sentido, os meios de graça sempre estão relacionados com a operação inicial e com a operação progressiva da graça especial de Deus, que é a graça redentora, nos corações dos pecadores.” (Louis Berkhof)