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1 minuto no silêncio

1 minuto. Para alguns é muito tempo, até por que tempo é dinheiro. Tempos em que nossas mentes e corações ouvem as diversas vozes do cotidiano ou apenas a voz solitária do ego.

O silêncio, portanto, tortura e incomoda como se estivesse nos levando pra morte, quando Deus parece silencioso. Mas o silêncio é vida porque temos a possibilidade de cair em si, de olhar pra dentro e perceber que falta alguma coisa, falta combustível. Falta a presença de Deus.

A pausa preenche a alma. Hoje o silêncio fez o mundo ter um vislumbre do Divino, na solidariedade e compaixão, um minuto que falou mais do que todos o s outros 90 da história.

umminuto
Responder as perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
De mim, atravessada pelo mundo. 

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma, que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende. 

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
                                                        Cecília Meireles

Faça um minuto de silêncio, escute mudo a lição. Não apenas quando o luto é presente, mas quando a Vida nos dá o presente de nos acompanhar diariamente. Um minuto pode mudar uma vida inteira

Você consegue?

“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus…” Sl 46.10

#forçachape

Seguir em Frente

A atriz Cissa Guimarães, que perdeu o filho de forma trágica e acompanhada pela mídia no ano passado, recentemente declarou em entrevista que sentiu-se culpada ao retomar a rotina, dias após o acontecido. Segundo ela, algumas pessoas na academia até a censuraram: “já voltou?”.

A retomada da vida, voltar ao mundo – que por incrível que pareça não parou – é de fato um desafio às pessoas em luto. Como disse a atriz: “como posso estar aqui correndo na esteira e não estou em casa desesperada?”.

Por um lado, a morte leva-nos a confrontar a futilidade da vida, as vaidades e o correr contra o vento. Isso pode ser muito bom, o que de fato é enfatizado por Salomão no conhecido verso que aconselha a ida à casa em que há luto. Às vezes é hora de aquele que ficou acordar e revolucionar a forma de levar a vida! Por outro lado, a culpa não pode determinar o que seremos a partir da perda.

Quando perdi minha mãe, foi um raciocínio muito claro na minha mente: Ela me amava e certamente ia querer que eu continuasse em frente, o que hei de fazer se conseguir juntar forças. A vida poderá sim ser bela e agradável. Eu ia até além: se ela preferissse que eu ficasse sofrendo para sempre então ela é que estaria errada – e por isso a perdoaria!

Acho positivo que alguém conhecido mas não exageradamente exposto como a atriz global compartilhe seus sentimentos a público. Quantas pessoas devem ter se identificado, além de mim que entendi profundamente o sem-sentido pesar em continuar! As revistas costumam mostrar apenas o requinte e o bem-viver dos que tem fama mas nesta exceção acredito que podem fazer bem a pessoas que passam pelo mesmo.

Por fim, quero compartilhar sobre o último por acaso encontro com outra mãe que perdeu o filho de forma trágica ano passado, esta menos famosa embora muito citada por mim aqui. Beatriz, a mãe de Gabriela. Outros três filhos para criar, devastada pela dor e ainda assim grata: pela fé em Deus, pela esperança na Ressurreição, pelos momentos juntos, pela saudade boa. Sorrindo sem culpa ao dizer-me: temos que viver bem!

Não somente aos que já perderam alguém, em especial ao Zé, mas a todos nós, pois vamos passar por isso um dia.