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Sobre índios, Lutero e os Jesuítas

Hoje, 19 de abril, é comemorado o dia do índio. Uma cena muito emblemática que sempre me vem a mente é a pintura de Meireles, ” A primeira missa”,  pintado em 1861 e utilizado neste texto aqui. Neste quadro, vemos vários índios acompanhando a primeira missa realizada no Brasil. Quem a realizou foi o Dom Frei Henrique de Coimbra , no dia 26 de abril de 1500, 4 dias após o descobrimento (oficial) do Brasil.

primeira-missa-brasil

Fato muito conhecido por todo jovem estudante, a presença dos Jesuítas no Brasil era muito forte e marcada por figuras históricas e lendárias do porte de Padre Manoel da Nóbrega, Padre José de Anchieta e Padre Antônio Vieira.  O que muito pouco se houve falar é que a criação da ordem dos Jesuítas por Inácio de Loiola em 1534 tinha o objetivo muito claro de conter o avanço do movimento protestante dentro da igreja católica.

Em 1517, Martinho Lutero publicou suas 95 teses e as afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, propondo reformas na igreja e afirmando o que se conhece hoje como “cinco solas”, ou cinco ponto principais da reforma protestante. Esta “solas” poderiam ser chamadas de as bases de outras igrejas cristãs da ordem “não-católica” e que são:

Sola fide (somente a fé)

Sola scriptura (somente a Escritura)

Solus Christus (somente Cristo)

Sola gratia (somente a graça)

Soli Deo gloria (glória somente a Deus)

 

O fato é que a nova ordem dos Jesuítas avançou muito em países recém descobertos nas Américas, e em outros países de crença orientais, tais como China e Índia, numa tentativa clara da igreja católica de catequizar os povos antes que os Protestantes o fizessem. Neste ponto, foram especialmente eficazes na América do Sul, países onde a força do catolicismo se permaneceu muito arraigado, influenciando culturalmente diversos povos de nossa região.

A ordem foi extinta em 1773 pelo Papa Clemente XIV, e retornou para a igreja em 1814 com o Pio VII.

Falaremos sobre as “solas” nos próximos posts!

Um abraço!

 

 

 

 

 

 

Hora de reformar

Nesta segunda-feira, dia 31 de outubro, foi comemorado o dia da reforma. É um dia festejado pelos luteranos e outras igrejas reformadas em memória das mudanças que trouxe Lutero e outros que ousaram lutar contra aquilo que viam de errado na igreja medieval, como a venda de indulgências, que desviava as pessoas da fé em Cristo e as levava a gastar seus recursos para pagar por algo que é grátis: o sangue de Cristo, que traz a salvação.

Revendo o filme “Lutero“, me impressionaram as lutas internas do personagem, mas ainda sim um desejo de permanecer fiel àquilo que ele considerava correto: a fé cristã com base nas escrituras, seguir os ensinamentos de Jesus como estão na Bíblia. Sua fé na Bíblia e sua vontade de compartilhar a palavra de Deus o levaram a traduzir a Bíblia para o alemão, dando o passo para a tradução da Bíblia para as línguas correntes e assim aproximando a palavra de Deus às pessoas comuns, que não falavam latim, grego ou hebraico. Sua coragem de desafiar os poderes da época em prol do que achava correto pode e deve nos servir de inspiração para fazer o mesmo, dentro das nossas realidades, das nossas épocas e de nós mesmos.

Todo dia é dia de reforma. De repensar caminhos, atitudes, estândares, conceitos e preconceitos. Que não nos acostumemos com nossos defeitos, nossos pecados e com os erros da nossa sociedade, nos quais podemos agir.

Que nós tenhamos a coragem e a determinação de Lutero de lutar contra o que achava errado, a favor do que achava certo, tanto na sociedade quanto em nós mesmos. Que Deus nos dê forças para não desfalecer pelo caminho e permanecermos fiéis àquilo que consideramos merecedor de nossa luta.

O que você quer reformar hoje?