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Mestre e Senhor

Existem no mundo diversas correntes de pensamento que enxergam Jesus Cristo apenas como um grande mestre. Estas correntes costumam produzir discursos que equiparam Jesus com Buda, com Madre Tereza, com Maomé, com Gandhi ou com outro qualquer ser humano que por ventura tenha falado em amor ou tenha sido amoroso com seu próximo. Quem enxerga Cristo desta forma, certamente tem dificuldade em aceitar que Cristo nasceu de uma virgem (afirmam que José é seu pai biológico), e não aceitam que Cristo morreu e ressuscitou. O máximo que vão admitir é que Jesus era “um grande homem”. Esta seria uma versão do “Jesus histórico”, rebaixado a simples personagem da história humana. Em resumo, acreditam em um Tiradentes judeu.

O que causa certa perplexidade é constatar que a “fonte histórica” do “personagem histórico” Jesus é, para o bem ou para o mal, nossa Bíblia Sagrada. Vista por uns como contos de fadas, por outros como fonte histórica (literal quando racional e alegórica quando nem tanto), a Bíblia está repleta de citações onde o próprio Cristo afirma, sem deixar resquícios de dúvida, ser Deus. Vejamos um trecho do evangelho de João:

“Eu e o Pai somos um.” (João 10:30)

Tal frase, dita por algum guru esotérico, por algum semideus irmão de Hércules ou por qualquer outro tipo de divindade politeísta, não causaria nenhum furor ou novidade. Fazer parte de deus e ser um com deus é natural para diversas religiões e crenças. A questão é que esta frase foi dita por Jesus, um judeu.  E isto, faz toda a diferença. Para os judeus, não existem divindades, existe UM DEUS.  Ele é absoluto, único, imutável.  Por sinal, Cristo foi perseguido exatamente por afirmar ser Deus, como bem relata a continuação do evangelho de João:

Novamente os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo, mas Jesus lhes disse: “Eu lhes mostrei muitas boas obras da parte do Pai. Por qual delas vocês querem me apedrejar?” Responderam os judeus: “Não vamos apedrejá-lo por nenhuma boa obra, mas pela blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como Deus”.(João 10:31-33)

Entender como Deus é único para o povo judeu, e por consequência, para todos os cristãos, é a chave para perceber como o discurso de Jesus era chocante para a sua época, ao ponto de causar sua própria morte.

Este Jesus, que quando fala de amor, perdão, mansidão e humildade,  é tido como mestre, só pode de fato ser mestre caso seja Deus. O discurso de Jesus só faz sentido se ele for mesmo Deus. Do contrário, o mais racional seria classificar Jesus como louco, lunático, psicopata ou como o próprio diabo.  Um homem, que sendo apenas homem, afirma as coisas que Cristo afirmou, não pode ser considerado nada menos do que isto.

“Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio;  ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passou de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.” (C.S Lewis)

Jesus é mestre, mas é também Senhor.

Um abraço!

Único

Nessa semana temática, gostaria de abordar uma relação em especial dentro da trindade: Pai e Filho. Muito pode ser dito sobre esse tema, porém, com a permissão do Rato, “dono” desse Evangelho :D, gostaria de escrever algumas idéias baseando-me no evangelho de João.

Apesar de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26), tomamos decisões em nossa vida que nos afastaram do plano original dele. O nosso DNA não é exatamente igual ao de Deus (olhe bem pra dentro de você e veja se Ele teria muitos dos pensamentos e atitudes que você tem). Mas Ele gostaria muito que você fosse muito parecid@ com Ele. O máximo possível. Já Jesus se colocou como Filho de Deus, com um DNA exatamente igual, porém despido da glória, limitado a viver entre nós como um simples mortal, que tem sede, fome, frio e que morre.

Ao se dizer “Filho de Deus”, Jesus sabia da força de suas palavras, sabia estar se igualando ao próprio Deus para os judeus da época. Sabia estar declarando-se ter uma relação com Deus maior que a que qualquer pessoa poderia ter. E deveria imaginar que os judeus, se não cressem em sua divindade, ficariam indignados com as afirmações dele, o que de fato ocorreu.

Mas seus títulos não se esgotam em “Filho de Deus”: Jesus também se diz “pão que desceu do céu e dá vida ao mundo” (João 6:33 e 35),  “fonte de água viva” (João 4:14), dentre outros. Vale a pena ler o contexto em que Ele afirmou ter esses títulos no evangelho de João. Jesus nos deixa bem claro nesse capítulo que desceu dos céus, i.e., se despiu de seu poder e se fez homem, tendo fome e sede, não para fazer sua vontade, mas a de Deus (João 6:38) . Também afirma que vive por causa de Deus e aquele que dele vive viverá do Pai (João 6:57). As palavras dele são muito claras: Ele é o único mediador possível. O caminho até Deus, A verdade e A vida (João 14:6), não um caminho, uma verdade e uma vida. ÚNICO. Ninguém chega a Deus senão através dele, pois Jesus é o único que viu a Deus (João 6:46). Jesus possuía um relacionamento ÚNICO com Deus, com certeza seu bem mais precioso, que o alimentava de fato (João 4:34). O modelo dele de relacionamento com Deus deve ser o nosso também.

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No dia-a-dia, muitas vezes nos referimos a nós mesmos ou ouvimos outras pessoas dizerem coisas do tipo: “Ah, mas eu mereço, também sou filha de Deus!” Porém, o que não percebemos, muitas vezes, é que há uma certa imprecisão nessa afirmação. Na verdade, segundo a bíblia (João 1:12), somente Jesus é filho “de sangue” de Deus, com o mesmo DNA. Nós podemos nos tornar também filhos (adotivos) ao crermos e aceitarmos tudo o que Jesus fez por nós: sua vida sem pecado, seu exemplo de fé e esperança e o caminho que Ele nos abre, ao morrer por nós na Cruz. Ao morrer, no meu e no seu lugar, ele nos dá a oportunidade de sermos limpos dos nossos pecados – tanto da “névoa” que nos encobre perante Deus quanto nos dá a possibilidade de mudar – e nos mostra o caminho até Deus. Deus está de braços abertos para nos receber (João 6:37). E é através da fé em Jesus que teremos acesso, que nos tornaremos moradia do terceiro vértice da trindade (I Coríntios 3:16), o Espírito Santo.

Para vivermos, portanto, limpos e sermos adotados por Deus, basta-nos apenas decidir em que lado queremos estar, agradecer a Deus por tudo o que fez por nós através de Cristo e crer. O resto ele nos ajudará a fazer, mas o primeiro passo é nosso. E você, quer ou não dar esse passo? Ou já deu? Que diferença fez na sua vida? Compartilhe conosco!

Proibida a entrada de pessoas perfeitas

“A despedida. O beijo. Lágrimas. ‘É melhor eu ir.’ Entra na sala de embarque, sem se importar em conter as lágrimas, que, já longe deles, correm soltas. Uma estranha se compadece e lhe compra uma garrafa de água. ‘Talvez isso te acalme’. Mal sabia que, quando estivesse de volta aquele aeroporto, já não haveria motivo para choro.”

Não, não vou repetir o post anterior. Gostaria de compartilhar com vocês um pouco da minha vida. “Ana, você acha que alguém está interessado?” Hum… Não. Mas acho que vai te interessar sim. Por favor, gaste alguns instantes aqui.

Às vezes nos sentimos sozinhos e engolidos pelos nossos próprios problemas e não nos abrimos com os outros. Pelo simples motivo de que muitas vezes sentimos que estamos sozinhos em um problema e que “ninguém vai me entender”, pelo contrário, “vai me julgar”. Mas não é assim, precisamos tomar consciência de que somos todos pecadores (Rm 3:23) e parar de achar que os cristãos à nossa volta nunca erram. Precisamos procurar os amigos, se abrir, confessar (Tg 5:16), nos fará muito bem! Conversei com uma pessoa recentemente que me apresentou exatamente esse ponto de vista e me partiu o coração pensar que, talvez se eu transparecesse melhor como sou pecadora, como eu erro, como eu faço burradas mesmo sabendo que precisava continuar olhando pra Jesus, essa pessoa tivesse me procurado para conversar mais cedo e talvez quem sabe a história dela pudesse ter sido um pouco diferente.

Todos nós temos as nossas fases de não pertencer a nem um mundo nem a outro. Eu já tive. De nos sentirmos perdidos. Mas eu quero te dizer, amigo, que isso muda. Coragem nesse momento difícil: se você permitir, Deus quer te tirar dessa. Não importa a(s) burrada(s) que você fez (muitas vezes sabendo que era burrada mesmo), as coisas podem melhorar, não se sinta a pior das pessoas. Você sairá dessa uma nova pessoa. Não desista de lutar contra tudo que quer te afastar de Deus, de uma vida nova ao lado dele. “Você sempre será amado“. Permita que Deus lute a batalha por você (porque na verdade só assim “nós” venceremos). Ore com todas as suas forças. Se você não tem forças para orar, peça a um amigo de confiança que ore por você e sei que ele terá o maior prazer.

“Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade? Tal persuasão não provém daquele que os chama. ‘Um pouco de fermento leveda toda a massa.'” (Gl 5:7-9)

Passei por um momento muito difícil no passado e um fragmento do que houve comigo é o trecho citado no início do post. 2008 foi um ano extremamente conturbado, pois coloquei em xeque diversas coisas que eram importantes para mim. Não soube lidar com questionamentos que surgiram e isso se traduziu em uma grande crise pessoal: não queria estar fisicamente longe de tudo aquilo que me confortava , i.e., família e namoro (bobinha eu achando que isso era o que de poderia me confortar completamente). Nesse cenário, a perspectiva do antes tão sonhado intercâmbio que eu iria fazer se tornou um pesadelo.

Mas fui, enfim. Aos trancos e barrancos. Como poderia ter sido melhor se eu tivesse conversado melhor, me aberto com meus amigos! Mas fui e tentei resolver as coisas “por mim mesma”. Aos poucos, Deus tomou a rédea da situação, mesmo sem que eu quisesse muito e as coisas foram mudando. Os novos ares foram benéficos. Deus colocou algumas pessoas muito especiais no meu caminho (Becky Pippert, meus amigos do Brasil e os novos de , GBU, Església de Verdi…) e foi mudando aos poucos sua direção. No processo, me machuquei, me conheci melhor e Deus me reergueu, de forma que estou aí outra vez. 😀

As minhas roomates, Libby (UK) e Rita (Portugal) na Església de Verdi, à qual íamos todos os domingos
Minhas roomates, Libby (UK) fazendo careta e Rita (Portugal) na Església de Verdi, à qual íamos todos os domingos.

Talvez somente com uma reviravolta na sua vida você acorde e as coisas mudem de verdade. Mas não se deixe iludir: as coisas podem mudar. Deus não quer sofrimento para a sua vida. E você não precisa pagar pelo que fez pra que tudo se acerte, há uma pessoa que já pagou por você (Rm5:8). Todos nós temos crises: não se cobre se você não é “perfeito”, como diz o manual. Na vida cristã é proibida a entrada de pessoas perfeitas. “Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra” (Jo 8:7). Lembre-se disso nos momentos de crise e não deixe que a culpa te consuma.

Pra encerrar, deixo com vocês um trecho de Fôlego, de Tim Winton. Nesse trecho, uma ex-campeã de esqui frustrada fala a um jovem surfista sobre a adrenalina sentida por eles: “Quando você experimenta uma coisa diferente, uma coisa extraordinária, então é difícil desistir. O negócio toma conta de você. Depois, nada mais faz você se sentir do mesmo jeito” (pg 159). Você, que já experimentou a vida com Deus, sabe a alegria que é. Nada mais que você experimentar te trará aquela mesma sensação. Você sabe que vale a pena. Não desista disso por nada nesse mundo. Não deixe que o que ocorreu de ruim no passado defina o que você será no futuro.

Um abraço a todos vocês.

Esse post é dedicado a uma pessoa muito especial para mim. Ela sabe quem é.

Ídolos

 Sarney, eu sou seu ídolo!”  (Popular confuso, pensando elogiar Sarney no último programa do pânico)

Ideal
Ideal
Dinheiro
Dinheiro

 

Não, não vou falar daquele programa ó-t-e-m-o da Record.  

 

 

 

Segundo a wikipedia, “um ídolo (do grego antigo εἴδωλον, “simulacro”, derivado de εἶδος, “aspecto”, “figura”) é um objeto de adoração que representa uma entidade espiritual. A idolatria é, portanto, a prática de adoração de ídolos. Na atualidade, especialmente após os avanços tecnológicos do século XX que permitiram maior acesso da pessoa comum a trabalhos de artistas, políticos, e personalidades importantes, o termo “ídolo” expandiu-se da esfera divina para a esfera humana”. E a idolatria continua sendo muito presente na nossa vida diária.

Madonna
Madonna

Podemos adorar diversas coisas no nosso dia-a-dia. Eu como cristã não adoro a algo abertamente como um deus, mas posso estar sujeita a isso veladamente: política, um ideal, dinheiro, futebol, música, sucesso, relacionamentos… e a lista vai. Muitas vezes, transformamos relações que podem ser saudáveis em doentias, em pecados, por colocar certas coisas fora de prioridades, acima do que não devem estar.

Muitas vezes, nosso maior ídolo é a nossa barriga, é nós mesmos. É fazer a nossa vontade, cumprir os nossos desejos: “O destino deles é a perdição, o seu deus é o estômago e eles têm orgulho do que é vergonhoso, só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3:19). Estômago, nesse trecho, não quer dizer o estômago em si que conhecemos hoje, relacionado à comida, mas em algumas culturas cria-se que o centro do “ser”, da pessoa, estava em seu ventre. Como hoje às vezes falamos da cabeça.

Só Deus é digno de adoração. Em Sl 16, Davi afirma só procurar refúgio nele, que fora dele não há felicidade. Vejamos parte do texto:

1 Guardai-me, ó Deus, porque é em vós que procuro refúgio.
2 Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.
4 Numerosos são os sofrimentos que suportam aqueles que se entregam a estranhos deuses. (…) Meus lábios jamais pronunciarão o nome de seus ídolos.
8 Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita; não vacilarei.
9 Por isso meu coração se alegra e minha alma exulta, até meu corpo descansará seguro,
10 porque vós não abandonareis minha alma na habitação dos mortos.
11 Vós me ensinareis o caminho da vida, há abundância de alegria junto de vós, e delícias eternas à vossa direita.
Futebol
Futebol

                                                                   

Me atenho a um trecho em especial: “Numerosos são os sofrimentos que suportam aqueles que se entregam a estranhos deuses”. De fato, Deus tem uma vida muito mais completa, abundante, que qualquer coisa pode nos proporcionar. A maior besteira do mundo que podemos fazer é dar as costas a essa oportunidade de ter uma vida plena, que jorre para a vida eterna (Jo 4:14) e tentar conseguir essa abundância de outra forma. É impossível.

Temos nos distraído com outros deuses, brincado com idolatrias? Ou esse Salmo de Davi tem sido verdade nas nossas vidas?

Uma vez, quando passei por uma situação difícil, brinquei com um amigo que ia comer, comer, comer até me sentir completa. Ele me desejou boa sorte, porque não havia comida no mundo que pudesse preencher o espaço que só Deus poderia ocupar na minha vida.

Ele assopra onde quer

“Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá”
(Gilberto Gil)

Como dito em um post anterior, faço uma matéria X de Antropologia. Ou pelo menos era o que eu achava. Eis que descubro no domingo último que minha matrícula está trancada nessa disciplina. O que aconteceu é que, no início do semestre, pedi pra trancarem uma matéria Y e trancaram a X, já que os códigos das disciplinas eram muito parecidos. Ótimo: faltando menos de 1 semana pro fim do semestre, descubro que tomarei bomba na matéria Y em que estou matriculada mas que não estou fazendo e fiz tudo da matéria X sem ser pontuada.

Sou uma pessoa muito preocupada, ainda mais no tocante a assuntos acadêmicos. Mas, num pleno domingo, não havia nada que pudesse ser feito.  Na segunda eu iria tentar resolver, mas preocupar não adiantaria. Orei muito, conversei com pessoas e, incrivelmente, acabei me acalmando, confiando. Fiquei muito feliz de ter deixado Deus cuidar das coisas, de não preocupar. E acabou que – bem, a “saga” não acabou ainda – parece que as coisas vão se resolver – isso se a moça da fafich que cuida desses assuntos voltar de férias logo -, coisa que eu achava meio impossível.

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, com oração e súplicas, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus que excede todo o entendimento guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Filipenses, 4:6-7) Viver o Fp 4:6-7 é sempre um desafio pra mim. Mas, como disse meu amigo Rafa, é o que Deus espera de nós, justamente por saber o quão libertador isso é. Ele quer cuidar de nós, quer ele mesmo carregar nossos fardos no nosso lugar. Em alguns momentos, temos vontade de “desentregar”, pegar as coisas de volta, tentar tomar conta delas. Mas a entrega deve ser um exercício diário, ou até mais que isso.

Entregar o futuro, entregar a vida: por quê?

Ultimamente, a frase que eu mais tenho dito é: “como é difícil formar!”. Para uma pessoa não decidida no campo profissional como eu, fico super perdida sobre o que fazer, como fazer, quando fazer… As oportunidades surgem, os prazos urgem…

Pensando nessas coisas e tendo que tomar diversas decisões profissionais nos últimos dias, lembrei de uma parte do Evangelho de João, do capítulo 3, a qual discutimos numa reunião de Alvo da Mocidade recentemente, que conta quando Nicodemos, um fariseu, questiona Jesus sobre nascer de novo e Jesus diz assim: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” Bem enigmática essa frase, não? Eu acho. Ao falar do vento, ao meu ver, Ele queria dizer que a vida de quem é nascido do Espírito Santo é direcionada por Ele, controlada por Ele. É muitas vezes imprevisível e nem pode ser colocada numa caixinha, “esmiuçada”, “rotulada”, “prevista”. Não é “humanamente controlável”. É uma aventura.

Céu de Cabo Frio
Céu de Cabo Frio, RJ

De fato, não só “o vento” é imprevisível, mas tudo na vida, nós caminhando com Deus ou não. Não temos controle sobre os dias de vida que temos, sobre possíveis acidentes, infortúnios, encontros, presentes, oportunidades… Ninguém consegue prever o futuro, só a mãe Diná, a sorte do orkut e os econometristas neoclássicos. Existe uma coisa chamada “incerteza” no mundo, como já diria Keynes (copiando de Marx! hehe): não temos garantia de que as coisas se realizarão como as planejamos.

Se o mundo em que vivemos é de imprevisibilidade, se não temos garantias 100% das coisas, porque não confiar e entregar nossas decisões àquele que, “imprevisivelmente” tem a visão de tudo e sabe o melhor pra nossa vida?

Viver é de qualquer forma uma aventura. Por que não, então, entregar nosso futuro, nossas decisões a Deus, que é quem sabe pra onde vamos e quer nos conduzir? Tentar controlá-las nós mesmos só nos trará sofrimento, angústia e frustração.

(Esse post é em homenagem à Nati Gesualdi. Obrigada por tudo, amiga!)

Uma dose homeopática de economês

“Se é para o bem de todos
E felicidade geral da nação
Eis aqui um post sobre marxismo”
(ALMO, Junho de 2009)

 

Muitas vezes estamos acomodados na nossa vidinha, sem ter falta de quase nada e esquecemos de que tem gente aí fora vivendo realidade com a qual a gente nunca sonhou (ou teve pesadelo, na verdade). Isso me irrita, muitas vezes. No último fim de semana, ao conversar com um cristão, muito me preocupou a visão dele de que, já que só Cristo muda completamente as pessoas e dá sentido a tudo, é a maior bobagem do mundo discutir sobre qualquer outro assunto superficial que não se refira ao cristianismo, qualquer alternativa que não venha dele é inútil e nem merece ser discutida. Depois conversamos melhor e vimos que não era bem assim. Aí fiquei mais aliviada. Mas o que eu lhe disse é que creio que corremos o risco de sermos passivos e não levar a sério as teorias “seculares” que nos cercam e as alternativas que elas nos oferecem: se só podemos aprender com a bíblia e por exemplo fazer uma faculdade não vai acrescentará em nada, se tudo entra por um ouvido e sai pelo outro e você fica ali tapado (estuda, aprende, vomita aquilo na hora da prova e apaga da mente), sugiro que não gastemos nosso tempo e dinheiro estudando algo. Sério mesmo, invistamos energia em algo mais produtivo pra nós mesmos e em algo que seja socialmente mais eficiente. Fazer curso superior só pra ter cela especial quando/se for preso não vale taaanto a pena assim.

Politicamente, economicamente, cada um pense o que quiser. A única verdade absoluta que existe pra mim é Cristo. Como eu disse na minha apresentação, sou uma cristã que tende ao marxismo. Entendo a confusão da maioria: esse termo marxismo vem carregado de significados que não lhe são intrínsecos, mas frutos de interpretações (certas ou não) que não são as que eu dei ao conceito. Explico. A gente escuta o termo marxismo e logo pensa no Stálin, na galere invadindo propriedade, matando patrão, até no MST. Mas calma aí, não é bem assim. A primeira vez em que eu vi um cara evangélico dizendo que era marxista eu pensei de cara que o homem era louco, mas depois entendi melhor.

Que fique bem claro que eu sou uma mera estudante de economia que estuda essas coisas e que pode estar (muito) errada, mas continuo lendo e estudando (até mesmo porque, para criticar a gente tem que ler. Não dá pra achar que sabe, achar que entendeu e fechar os olhos e ouvidos e deixar só a língua funcionar. Até pra criticar o Paulo Coelho eu me senti na obrigação de ler livro dele rs.) Não adianta, discutir baseado no achismo sem ter lido nada não dá. Pra criticar tem que conhecer, inclusive ter a mente aberta pro caso de estar errado. E ponto.

DSC01090Não é segredo pra ninguém que me conheça minimamente bem que eu tenho diversas “pendengas” com a economia e com os modelos que aprendemos em 90% das matérias obrigatórias do curso. São teorias que eu estudei, aprendi, fiz prova e passei… Passei na matéria mas não passou na garganta. Eu não engulo essa história de agente racional nem por decreto, essa de maximização, de abstração completa de quase tudo até não ter nada de real no modelo, muito menos essa de perenidade do capitalismo: escutar isso de que é uma tendência natural do homem acumular, ser capitalista e que lutar contra o capitalismo é lutar contra o homem me faz ferver o sangue. Vai estudar história econômica, antropologia econômica!! hehe E falar que na sociedade capitalista há simetria na relação patrão/empregado ou que o capitalismo é igualitário e dá chances a todos me irrita mais ainda: se em t=0 (momento inicial, para os não introduzidos no economês) todas as pessoas tivessem tido condições igualitárias de se desenvolver ainda vá lá, mas esse definitivamente não foi o caso do capitalismo (e nem de outro sistema qualquer, todos se basearam em algum tipo de poder ou desigualdade), tem MUITA gente que rala a vida inteira e continua na pindaíba… E tem gente que não faz nada a vida inteira e tem tudo o que quer (reizinhos, né Rafa?).

(Na foto, Kastanienallee em Prenzlauerberg – antiga Berlim oriental. A frase no prédio diz “O Capitalismo normatiza, mata e destrói”)

Nessas e outras, nas crises com a economia e as micros e macros, me deparei com o livro “O Capital” de um mocinho chamado Marx. Toda a frustração que eu tinha com a economia neoclássica/neokeynesiana/novokeynesiana etc foi de certa forma dirimida: havia alguém (ou “alguéns”) que tratava a economia como parte da sociedade, como uma economia política1. Não só o Marx, mas vários outros caras como Smith, Ricardo, Malthus etc. Caras que não se fecharam em um campo, mas foram interdisciplinares e escreveram sobre muitas coisas com muita propriedade (todos esses aí transitam até hoje em várias áreas do conhecimento). Mas o Marx especificamente faz uma análise do capitalismo que na minha humilde opinião é SENSACIONAL. Não conheço outro teórico que tenha entendido tão bem a dinâmica desse sistema como o Marx: as contradições, as bases fundamentais, as tendências… Além disso, o método do cara de dialética, contraste é uma coisa impressionante. É uma pena que ele seja tão mal-dado nas escolas, o que faz com que os que não o estudam profundamente depois tenham uma opinião viesada como eu tinha.

Resumidamente porque já escrevi muito, a análise do Marx é inovadora porque mostra que o sistema se baseia em contradições, as mesmas que um dia (sei lá quando) levarão à sua crise e derrocada. Por ele mesmo… Assim como o sistema antigo ou o feudal caíram, o capitalismo também cairá um dia, apesar de ele mesmo tentar atrasar essa tendência criando certos mecanismos, tendo ao seu lado muitas vezes o estado e as leis. Ainda estou estudando as análises dele (inclusive minha monografia de fim de curso é sobre as crises no capitalismo em uma abordagem marxista, pra quem quiser mais detalhes), lendo o que ele escreveu. No momento, Marx e alguns bons Marxistas que o precederam (como Ernest Mandel), não deixaram de me surpreender e maravilhar em suas análises sobre esse sistema. Eu sei que Marx tinha vários problemas com o passado religioso dele e de sua família judaica, tendo escrito muitas coisas sobre/contra religião também, isso eu não li ainda, mas lerei. 

Eu não consigo olhar pro mundo hoje e defender o capitalismo, defender esse sistema e as bases nas quais ele se pauta. Sinto muito. Agora, também não tô falando pra ninguém matar rei, roubar carro, invadir casa dos outros. Mas que o mocinho teve a manha, isso teve. É nesse sentido que eu digo que eu tendo ao marxismo. E isso inspirou tanta gente legal… A CEPAL de Celso Furtado e Raul Prebisch, o próprio Keynes (que era bastante vermelhinho), várias políticas bacanas da social-democracia… A lista vai…

E só pra provocar, uma fotinha minha com o Marx e o Engels em Alexanderplatz (Berlin) pra vocês verem como eles são dois barbudos simpáticos:

DSC01154 - eu, Marx e Engels

Chega de economês, né? Ficando dúvidas/questionamentos/dialéticas eu escrevo mais…

***

Conversando com um amigo cristão2 esses dias, o cara me contou a seguinte história: Estava ele mais 4 amigos cristãos andando na rua quando veio um mendigo pedir esmola. Todos eles deram, menos um, que não tinha dinheiro. Esse cara se desculpou por não poder dar uma moeda e disse “não tenho grana pra te dar, mas posso fazer mais que isso, posso orar pela sua vida”. O mendigo largou a sacolinha que carregava e disse que isso era a melhor coisa que poderiam fazer por ele.  O cara perguntou o nome dele, pôs a mão no seu ombro e orou. Diz que o mendigo quase chorou.

Cuidar do que está dentro das pessoas é infinitamente mais importante que qualquer coisa: a verdadeira revolução vem de dentro. Agora, se é contra o cristianismo tentar fazer a vida material das pessoas melhor (seja ensinar alguém a ler, diminuir a desigualdade de renda, a exploração dos trabalhadores, dar cultura ou um prato de comida, seja o que for), então eu não sou cristã. Não foi esse tal de Jesus mesmo que, além de falar diversas coisas sobre ele mesmo, sobre o céu e a terra, curou cegos e paralíticos, alimentou multidões e aconselhou pessoas a doarem até mesmo tudo o que possuíam aos pobres?

Falando claro então: Nenhum sistema político humano jamais será perfeito. Nós somos falhos, portanto nossos sistemas também serão e nunca ninguém se sentirá completo se se basear somente nisso. A maior prova disso são os índices de suicídio nos países nórdicos, os mais igualitários do mundo e considerados como exemplo de social-democracia: se ter uma boa condição é suficiente para ser feliz, essa galera não tava se suicidando por lá.

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(Na foto ao lado, o Stasigefängnis, ou prisão do governo da antiga DDR, Alemanha Oriental, em Berlim, onde eles mantinham aqueles que eram contra o regime)

Lendo essa semana o evangelho de João, um versículo me prendeu a atenção. Jo 3:34: “Disse Jesus: ‘A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra'”. Será que essa é a nossa verdadeira preocupação, diária, de em tudo fazer a vontade de Deus e cumprir o propósito dele? É o que de fato nos alimenta? Será que não temos muito a melhorar ainda para sermos sal e luz em todos os sentidos para o mundo aí fora?

Desculpem o tamanho do post, ficou de fato muito grande, mas não tinha como…

1 Como curiosidade: ao decorrer do tempo, com a vitória da primeira corrente que não me agrada, o termo economia passou em inglês passou de Economy (ligado a economia política, à sociedade) para Economics (qualquer semelhança com o sufixo de Physics não é mera coincidência: a galera começou a achar que a economia era mais parecida com a física, ciência exata, do que com as ciências sociais, com o homem. Começou a achar que todos somos robôs e que temos uma única racionalidade.

2 Agradecimentos ao Renatão pela paciência comigo em momentos de revolta e também agradeço a ilustração.