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Quem quer ser JK?

Estátua do Memorial dos Povos Indígenas
Estátua do Memorial dos Povos Indígenas
Estátua de JK - Memorial
Estátua de JK – Memorial

No domingo último, fiz uma visita ao Memorial JK em Brasília. Imponentes o prédio e suas instalações. É impressionante ver como a iniciativa desse cara de construir uma nova capital no meio do nada deu certo. Quero deixar isso bem claro, porque de forma alguma quero que pareça que não acho que o que ele fez tenha sido importante.

 

É que na frente do Memorial JK fica o Memorial dos Povos Indígenas. Muito arrumadinho e muito interessante. Mas não chega nem aos pés em estrutura ao do JK. Sem climatização pros materiais orgânicos, sem muitos funcionários… Enfim.

Aí eu fiquei pensando: “Poxa, um cara tem toda aquela estrutura em sua homenagem… E milhões de índios têm isso pra lembrar sua memória e contribuição?” Será que eles não mereciam mais? Afinal, o sangue desses milhões de anônimos corre nas nossas veias, influenciou a nossa vida, a nossa linguagem, cultura

Lembrei de um filme que vi faz muito tempo. Tróia. Posso estar muito errada, mas se não me engano, há uma cena em que Aquiles (Brad Pitt) diz que temos duas escolhas na vida: ou ser importante para nossa família e nossos pares, ser uma pessoa amada por eles, mas ser esquecida após um tempo por não ter sido uma pessoa famosa; ou ser uma pessoa pública, que dá a vida por algo maior e por isso será relembrada eternamente.

Não estou fazendo juízo de valor de JK ou dos índios, mas gostaria de deixar a pergunta: quão grande é a nossa ambição? Será que queremos ser “índios”, anônimos na multidão que influenciam e vivem silenciosamente, que não serão lembrados com pompa no futuro ou será que ambicionamos ser “JKs”, buscando glória e homenagem para nós mesmos?

A minha experiência diz que ninguém quer ser invisível.  E talvez seja sim que nós passemos pela terra de forma “invisível”, sem fazer grandes feitos, sem revolucionar nações ou descobrir a cura do câncer. Na verdade, os que se “destacam” mesmo são pouquíssimos. Nem todos terão um mausoléu gigantesco como o JK.

Nos esquecemos, porém, de que ninguém é invisível de fato, todos nós importamos pra Deus. Deixo então um poema, que já é bonito em português, mas tenho certeza que no original em hebraico deve ser mais bonito ainda:

“Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.
Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção
Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado
e entretecido como nas profundezas da terra
Os teus olhos viram o meu embrião;
todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro
antes de qualquer deles existir”
(Salmo 139)