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Controvérsia & Convicção

Há coisas no cristianismo que são super claras para as igrejas em geral, como quem é Jesus ou que matar é pecado. Mas e as coisas mais controversas? Há diversos assuntos “proibidos” ou “complicados”  no que tange a diferenças de visões entre igrejas e mesmo dentro das igrejas. E isso é muito perigoso… Por que? Porque somos humanos.

St. Matthäuskirche, Berlim
St. Matthäuskirche, Berlim

Às vezes, tais assuntos controversos tomam proporções tão grandes que, somados ao orgulho humano, destroem amizades, igrejas, ministérios etc. Bom seria se todos nós fôssemos mais tolerantes e soubéssemos conviver melhor com o diferente, com o que tem uma visão um pouco distinta porém biblicamente possível e que mantém o foco em Jesus.

Penso imediatamente em Romanos 14. Parece que Paulo estava antecipando coisas que viriam a ocorrer no futuro e que trariam dissensões entre os cristãos (vide as mil-e-uma denominações de igrejas hoje existentes). Paulo diz nesse capítulo que saibamos conviver com aquilo que é diferente, por exemplo com o irmão que é mais novo na fé e tem menos entendimento. “Quem é você para julgar o servo alheio? É para o Senhor que ele fica em pé ou cai” (Rm 14:4). Haver brigas entre os cristãos não só é um mau testemunho para os de fora como pode perturbar a vida dos próprios cristãos: “não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu” (:15) Não nos detenhamos em picuinhas, pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (:17). Isso é o principal, é isso que devemos exalar.

Frauenkirche, Munique
Frauenkirche, Munique

Ele diz também que cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente (:5), seja no que for. Se não estamos convictos de algo que estamos fazendo, se não estamos convictos de tal coisa é certa, é bíblica, se estamos fazendo aquilo só porque todos os outros “cristões” fazem, tá errado. Estude, ore, busque, converse com pessoas. Temos que ter certeza e paz no coração sobre nossas convicções, não ir na onda dos outros. Até mesmo pra saber argumentar, defender o seu ponto de vista, não importa qual seja. A fé não é burra: a crença é em Deus, não nos líderes, não nos outros. Eles podem ajudar, claro, mas nunca substituir.

Pra terminar, Paulo também nos adverte: Cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus (Rm 14:12). Vai chegar um dia em que eu, individualmente, vou prestar contas do que eu fiz, do que defendi, em que cri. Não será meu líder em meu nome que vai prestar contas por mim, nem meu amigo, nem a igreja como um todo, mas eu mesma.

Lembremo-nos: “tudo o que não provém da fé é pecado” (:23).