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Sacerdócio e Idolatria

Por diversas vezes me pego questionando Deus sobre suas decisões. Faço isso como se meu juízo fosse bom o suficiente para tanto, mas convenhamos que é realmente complicado entender algumas situações ao longo da história do povo hebreu, e também da nossa própria história. Se meu último embate mental comigo mesmo e com as escrituras pudesse ser traduzida em romance, ficaria assim:

” – É sério que Deus colocou Arão como sumo-sacerdote?! Como pode!!

– É sério, uai! Ele foi o primeiro sumo-sacerdote israelita. Nosso Pai tinha todos os motivos do mundo para fazer isto. Ele é bem inteligente por sinal. E nunca erra.

– Eu sei disso. Mas não foi este mesmo Arão o que forjou um bezerro de ouro e incentivou a idolatria! Como Deus pode permitir que um idólatra se torne sumo-sacerdote?

– Primeiro, você deveria parar de julgar Arão com tanta rapidez. E depois, Deus ordenou o idólatra Arão pelo mesmo motivo que Ele permite que um idólatra como você tenha seu ministério e tenha até uma relação com Ele: Misericórdia e Jesus!

– Essa doeu hein! Mas você tem razão. Devo ser tão idólatra quanto Arão. A diferença é que meus bezerros não são de ouro. Preciso parar de fabricá-los. Ainda bem que temos as escrituras, Cristo para nos justificar, e um Deus disposto ao perdão! “

Só um Deus de amor e perdão pode usar pessoas como Arão, como eu e como você.

E por falar em você, eu me pergunto: quando você vai parar de fabricar bezerros de ouro e se comportar como um servo de Deus?

Um abraço.

A Idolatria da Ideologia

” Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” Mateus 4:8-9
Quando pensamos que o diabo pediu a Jesus para ser adorado, a primeira ideia que vem a mente é: o diabo tá maluco! Como ele pode pedir adoração de Jesus? Chega a ser absurdo.  É claro que Jesus nunca ia adorar ao diabo.  Mas notem a resposta de Jesus:
“Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás  “Mateus 4:10

Jesus não repreendeu o diabo por lhe oferecer as posses do mundo.  Jesus repreende o diabo por tentar lhe induzir para a idolatria. A tentação de Cristo, por incrível que pareça, não foi necessariamente pela cobiça pelo mundo,  mas pela idolatria de um entidade que não é Deus. No caso, queria ele mesmo ser o alvo da adoração. É como se o diabo dissesse a Jesus: ” Olhe para o mundo. Vejas a glórias da civilização, veja como as cidades são edificadas, veja as riquezas em ouro e prata, veja tudo que construimos. O responsável por isto sou eu. Me adore! ”

Você já pensou que a idolatria é um tentação? O diabo em pessoa não tentaria Cristo com idolatria se tal inclinação não fosse poderosa. A verdade é que nossa carne é idólatra. Nossa cultura é idólatra. Nosso sistema educacional e idólatra. Desde os primórdios da humanidade, somos idólatras. Somos constantemente tentados a idolatrar algo ou alguém, somos constantemente tentados a adorar um ídolo. A idolatria é uma inclinação carnal, tão forte como a cobiça.

A adoração, implica, necessariamente, em alguma promessa. O ídolo sempre terá uma contrapartida,  uma recompensa. Quando o povo judeu aguardava Moisés retornar do sinai com os mandamentos, eles tiveram dúvidas. Moisés demorou para retornar e  povo pensou estar desamparado. Estavam perdidos no deserto. A solução que encontraram foi fazer um bezerro de ouro, e adorar a este ídolo. E porque um bezerro? No Egito, o deus “Apis” era um touro, o mesmo para os cananeus na figura de “Baal” ou “Moloque”. Curioso notar que ambas as divindades representavam a fertilidade. No fundo os israelitas queriam adorar um deus que lhes desse fertilidade como recompensa. Queriam reproduzir e ter filhos, queriam plantar e colher. Queriam suprir suas necessidades, expostas quando Moisés se ausentou por um tempo mais longo. Queriam obter a promessa do seu ídolo, a recompensa da sua idolatria.

Todas as vezes que o homem busca recompensas fora da promessa Divina, feita acessível por Cristo Jesus,  ele está incorrendo em idolatria. Todas as vezes que buscamos resultados ou realizações imediatas, depositando esperança e expectativa em soluções ou resultados trazidos por mãos humanas, estamos incorrendo em idolatria.

Em dias atuais, podemos dizer: todas as vezes que um cristão coloca uma ideologia política acima de sua fé, toda vez que ele busca melhorar o mundo pelo viés político em detrimento da pregação do evangelho, toda vez que gasta seu tempo apoiando outros homens enquanto deveria apoiar a Deus, ele está incorrendo em idolatria. Nós seremos tentados a fazer isto, o tempo todo. Seremos tentados a acreditar que o mal do mundo é a má distribuição de renda, que a saída para uma vida melhor são programas sociais mais amplos, que o capitalismo é a fonte da ganância ou que o comunismo é o caminho da destruição.  Seremos tentados a olhar para “as glórias do mundo”,  e seremos tentados a adorar aqueles que nos prometem mudanças. Seremos tentados a buscar a justiça e a igualdade em qualquer lugar que ela aparenta estar.  Seremos tentados a adorar uma ideologia para obtermos dela a sua promessa de dias melhores.

Então, o lugar do cristão é fora das passeatas? Deveríamos ter ficado em casa no dia 13 ou no dia 15? Esta resposta eu não posso dar. Mas posso reproduzir um conselho que ouvi de um pregador muito sábio, que disse:

“O Cristão deve ser um ateu político.”

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria. 1 Coríntios 10:13-14

Um abraço.

 

Direito de Sofrer

Desde criança fui ensinado que não deveria ficar me lamentado por qualquer coisa. “Qualquer coisa” em geral se referia àquelas miudesas na vida de um pequenino que na época parecem ser o mundo. Não ter o brinquedo da propaganda, não ter isso, não ter aquilo. “Tem tanto menino na rua querendo comida e você chorando por um carrinho”.

Com o passar do tempo as coisas vão se tornando mais sérias, as coisas de criança realmente se mostram pequenas e é isso aí. Surgem coisas muito importantes, algumas que de fato “valem à pena o sofrimento”.

Semana passada estive com uma oportunidade de ouro, em termos profissionais. Apareceu-me um estágio que me deixou louco e que apenas o pensamento de talvez não consegui-lo me deixava arrasado. Agora não se tratava apenas de uma questão infantil, nem era bem um preocupação material (não era definitivamente pelo salário que o estágio era atrativo), o que seria pequeno, ali sim estava diante de mim: Uma razão “justa” pela qual sofrer.

Já viram isso? As questões em que se legitima padecer. Muitas outras aparecem pela vida: o vestibular é hors concour. Há também o sofrer por amor. Mesmo se o alvo da honraria não valer uma lágrima sequer, a pessoa se sente livre para derramar quantas quiser e ficar naquela ali, absorta em seus sentimentos. Quantos e quantos exes são assim.

Qual a cura para o sofrimento? A questão não é bem essa. Temos que mudar de perspectiva.

Primeiro que não há isso: direito de sofrer. A pessoa que sofra pelo que quiser, a pergunta aqui é outra: você vai querer sofrer… por isso?!

E isso, assim, inclinado, mostrando o quão pouco vale é fruto de uma relativização das coisas. Pois no meu caso, por exemplo, o que era aquilo, o estágio-deus? O vestibular-deus, a menina-deus? Ora, temos que parar é de idolatrar as coisas que vemos como “nobres”. Idolatrar o banal é fácil ridicularizar mas lembremo-nos de que só deve haver um Deus e só um digno de adoração. Isso inclui todo o resto, as coisas vistas como nobres ou não. O estágio, a posição, a honra, a sabedoria.

Quantas pessoas não ficam sofrendo “por amor” sendo que nãaverdade estão é sem amor-próprio, sofrendo por ciúmes. Ciúme não é nobre, ninguém admite sofrer por ele, é bem melhor dizer que se sofre por amor. A pessoa passa de boba a elevada.

A Bíblia nos ensina plain and simple: grande será o sofrimento dos que correm atrás de outros deuses. E aí, quão nobre é isso?

No final das contas vemos que Deus de fato tinha razão em declarar no primeiro mandamento a Moisés que não deveria haver outros deuses. Para o nosso próprio bem.