Arquivo da tag: ideologia

A Idolatria da Ideologia

” Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” Mateus 4:8-9
Quando pensamos que o diabo pediu a Jesus para ser adorado, a primeira ideia que vem a mente é: o diabo tá maluco! Como ele pode pedir adoração de Jesus? Chega a ser absurdo.  É claro que Jesus nunca ia adorar ao diabo.  Mas notem a resposta de Jesus:
“Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás  “Mateus 4:10

Jesus não repreendeu o diabo por lhe oferecer as posses do mundo.  Jesus repreende o diabo por tentar lhe induzir para a idolatria. A tentação de Cristo, por incrível que pareça, não foi necessariamente pela cobiça pelo mundo,  mas pela idolatria de um entidade que não é Deus. No caso, queria ele mesmo ser o alvo da adoração. É como se o diabo dissesse a Jesus: ” Olhe para o mundo. Vejas a glórias da civilização, veja como as cidades são edificadas, veja as riquezas em ouro e prata, veja tudo que construimos. O responsável por isto sou eu. Me adore! ”

Você já pensou que a idolatria é um tentação? O diabo em pessoa não tentaria Cristo com idolatria se tal inclinação não fosse poderosa. A verdade é que nossa carne é idólatra. Nossa cultura é idólatra. Nosso sistema educacional e idólatra. Desde os primórdios da humanidade, somos idólatras. Somos constantemente tentados a idolatrar algo ou alguém, somos constantemente tentados a adorar um ídolo. A idolatria é uma inclinação carnal, tão forte como a cobiça.

A adoração, implica, necessariamente, em alguma promessa. O ídolo sempre terá uma contrapartida,  uma recompensa. Quando o povo judeu aguardava Moisés retornar do sinai com os mandamentos, eles tiveram dúvidas. Moisés demorou para retornar e  povo pensou estar desamparado. Estavam perdidos no deserto. A solução que encontraram foi fazer um bezerro de ouro, e adorar a este ídolo. E porque um bezerro? No Egito, o deus “Apis” era um touro, o mesmo para os cananeus na figura de “Baal” ou “Moloque”. Curioso notar que ambas as divindades representavam a fertilidade. No fundo os israelitas queriam adorar um deus que lhes desse fertilidade como recompensa. Queriam reproduzir e ter filhos, queriam plantar e colher. Queriam suprir suas necessidades, expostas quando Moisés se ausentou por um tempo mais longo. Queriam obter a promessa do seu ídolo, a recompensa da sua idolatria.

Todas as vezes que o homem busca recompensas fora da promessa Divina, feita acessível por Cristo Jesus,  ele está incorrendo em idolatria. Todas as vezes que buscamos resultados ou realizações imediatas, depositando esperança e expectativa em soluções ou resultados trazidos por mãos humanas, estamos incorrendo em idolatria.

Em dias atuais, podemos dizer: todas as vezes que um cristão coloca uma ideologia política acima de sua fé, toda vez que ele busca melhorar o mundo pelo viés político em detrimento da pregação do evangelho, toda vez que gasta seu tempo apoiando outros homens enquanto deveria apoiar a Deus, ele está incorrendo em idolatria. Nós seremos tentados a fazer isto, o tempo todo. Seremos tentados a acreditar que o mal do mundo é a má distribuição de renda, que a saída para uma vida melhor são programas sociais mais amplos, que o capitalismo é a fonte da ganância ou que o comunismo é o caminho da destruição.  Seremos tentados a olhar para “as glórias do mundo”,  e seremos tentados a adorar aqueles que nos prometem mudanças. Seremos tentados a buscar a justiça e a igualdade em qualquer lugar que ela aparenta estar.  Seremos tentados a adorar uma ideologia para obtermos dela a sua promessa de dias melhores.

Então, o lugar do cristão é fora das passeatas? Deveríamos ter ficado em casa no dia 13 ou no dia 15? Esta resposta eu não posso dar. Mas posso reproduzir um conselho que ouvi de um pregador muito sábio, que disse:

“O Cristão deve ser um ateu político.”

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria. 1 Coríntios 10:13-14

Um abraço.

 

O que você tem comprado?

Hoje o assunto é venda. Não há outra época do ano melhor para falar sobre, pois agora, mais do que nunca, é hora de comprar! Vejamos como funciona o mecanismo através de abordagem, argumentação e fechamento.

Na abordagem somos levados a prestar atenção em algo que talvez não nos atraísse por si só. Pense em uma propaganda que começa com a expressão “atenção!” (típico das Casas Bahia) ou em um outdoor com uma imagem apelativa (de alguém seminu) e até mesmo o “off” de uma vitrine.

Depois passam à argumentação. Por meio dela somos convencidos de que aquele produto é necessário para nossas vidas e que sem ele jamais seremos completos. Muitos são os motivos que nos fazem crer que isto realmente é verdade. O silêncio é preenchido pela gama de informações imprescindíveis em relação à mercadoria, deixando nosso cérebro ocupado demais para refletir a respeito.

E então vem a fase do fechamento. Somos pegos por uma pergunta que nos obriga a tomar uma decisão! Normalmente ela já parte do pressuposto de que vamos realmente querer o produto, afinal, ele irá mudar nossas vidas!

Sem perceber, ficamos angustiados com a possibilidade de dizer não. Caso consigamos, há uma outra fase – a contra-argumentação. Nela, todas as nossas desculpas são descobertas e ficamos sem a possibilidade de escapar, a não ser assumindo a verdade tão difícil de ser dita em virtude da expressão na face do vendedor. Resta-nos o “não quero, não gosto e/ou não preciso”.

Tudo nesta vida é compra e venda. Fica fácil perceber isto quando o  produto é a compra de natal no shopping. Mas há uma venda há todo tempo ainda mais intrigante – a de ideologia! Sem perceber somos bombardeados com uma série de ideias e valores que querem que compremos, que vivamos, que consumamos… Penso ser normal, ao se tratar do mundo. Triste é pensar que isso acontece dentro da família cristã. Um CD que seria para Deus, um livro que deveria glorificá-lo, uma mensagem que deveria nos edificar…

Sinto-me só mais um em meio a tantas compras que resolvem problemas que não existiam antes de eu fazê-las. Vivo o desafio de prosseguir como as pessoas de Bereia em Atos 17 – examinando as escrituras para ver o que representa ou não o padrão de Deus, seja na compra de coisas, seja na de ideias.

Não poderia terminar diferente, deixo então a pergunta: e você, o que tem comprado?