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Do luxo da humildade

“Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Lucas, 18:25)

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6:24)

 

Tenho visto coisas ultimamente que muito me entristecem: como se já não bastasse vivermos em um mundo materialista, com pesar vejo que muitos dos meus amigos ou conhecidos cristãos têm embarcado na mesma rota da sociedade que criticamos.

Tenho visto pessoas julgando umas às outras (e elas mesmas) pelo sucesso profissional, pelo carro que têm na garagem, pelo tamanho da conta-corrente (ou das aplicações financeiras), pela quantidade de títulos acadêmicos, pelo tamanho de sua empresa, tudo isso numa versão mais refinada da teologia da prosperidade, apesar de todo mundo dizer ser contra essa idéia.

Tenho visto cristãos embarcando na furada do “sucesso profissional” e deixando a ambição falar mais alto, trocando as prioridades e tendo uma relação doentia com o seu “ganha-pão”, trocando família, amigos (e Deus!) numa busca incessante por realização na esfera profissional.

Tenho visto amigos confundirem excelência com opulência; empenho com entrega irrestrita; trabalhar pra sobreviver com viver para trabalhar.

Tenho visto pessoas servindo ao dinheiro, se medindo pelo dinheiro, se vendendo ao dinheiro e medindo suas relações pelo dinheiro. Pessoas que já não se importam com aquele que os servem e que estão tão contaminadas com a ideologia do nosso mundo contemporâneo que acham que está tudo bem em ter uma outra pessoa como serviçal, uma pessoa que nunca terá as mesmas oportunidades que ele na vida. “Deus quis assim…”

Tenho visto que nos esquecemos do Cristo das pequenas coisas, do Cristo que disse que seria o maior aquele que fosse indefeso como uma criança, do Cristo que se revolta com a injustiça, do Cristo que não quer inversão de prioridades em nossas vidas.

E eu me pergunto: como anda a minha relação com Mamom, o “deus-dinheiro”? Ele certamente é um deus que enfetiça. O versículo acima é mais que conhecido e todos sabem que ele não fala literalmente dos ricos, mas daqueles que têm o “espírito dos ricos”, i.e., os que servem à Mamom. Para servir a Mamom, não é necessário ter muito dinheiro: é necessário somente amá-lo.

Não estamos aqui para sermos mais uma peça na engrenagem do sistema, pra reproduzir tudo aquilo que tem sido feito aí fora, mas sim para fazer a diferença. A sua relação com Mamom tem feito a diferença no seu meio?

Trabalho Menor

Semana passada entreouvi a conversa de duas caixas em um grande supermercado enquanto era atendido. Uma comentou um pouco surpresa que o gerente estava varrendo o chão. A outra argumentou que ele como chefe deveria dar o exemplo mas que ela mesma nunca varreria ali: “eu não varro nem em casa”, completou.

A execução destes “trabalhos menores” no emprego sempre foi uma coisa à qual sou atento. Meus pais sempre diziam que as pessoas que pensam pequeno não admitem fazê-los.

Em contextos “mais altos”, há aquela história antiga de que “estagiário tem que pegar cafezinho na empresa”. Muitas empresas pecam pela forma como concebem o papel do estagiário na organização – pior para elas – mas acredito que a indignação das pessoas ao passarem por situações como esta deve-se ao fato de se sentirem menos dignas com a atividade.

 

Não julgo quem pensa assim. Não julgo mas não apoio.

Não julgo porque de fato realizar um trabalho “menor” é a função de pessoas que são menos prezadas. Não apoio um, porque se tem alguém que poderia buscar cafezinho esse alguém é o estagiário (falo por estagiário que sou) e dois, porque não deveria ser o trabalho que torna uma pessoa menos ou mais prezada. Nada, na verdade, deveria ter este poder.

Bom, mas como vivemos em um mundo da realidade e não da verdade, é isso que torna uma pessoa menos prezada para várias pessoas. E não vou tirar o meu da reta. Vou apenas lembrar a execução de um trabalho menor.

Um homem que de fato era menosprezado por muitos.

Uma ceia.

Uma bacia.

Uma toalha.

Já sabe.

É necessário ter uma certa segurança interna para poder se submeter ao trabalho de um escravo.