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humanismo versus Humanidade

É um equívoco conciliar o humanismo com o Evangelho, uma vez que não se pode pretender que o homem seja a medida de todas as coisas num universo em que Deus é o soberano criador. O humanismo é um culto aquilo tudo que diz respeito ao homem. Nenhuma corrente humanista pode ser alinhada com a Palavra de Deus,  porque o humanismo é sistêmico. É de satanás, enfim. Não há nada que permita deificar o homem e tornar o caído a referência que não seja anti-evangelho. Pô-lo neste lugar tem outro nome, pelo que saiba, idolatria.

Mas nada que tenha a ver com humanidade. Conquanto tenhamos todos sido concebidos em iniquidade, Cristo, para mim, veio também restaurar a humanidade, porque, por meio dEle, todas as coisas se fizeram novas. Imago Dei esquecido, apagado numa vida de pecado, mas que pode ser ‘redescoberto’ em Jesus. A humanidade não é sistema, mas carrega qualidade. E Jesus é homem da humanidade, é o Filho do Homem. A humanidade é, então, a relação com a qualidade de tudo o que é humano.

A regeneração está em encontrar o seu verdadeiro ‘eu’? Ninguém encontra seu verdadeiro ‘eu’ fora do encontro com Jesus. Eu só me encontro em Cristo. Fora de Cristo eu não me encontro em mim, em mim eu estou perdido. Só em Jesus encontro o meu ‘eu’. O meu ‘eu’ está tão corrompido que não sei quem sou eu. Só começo a saber quem sou eu quando em Cristo eu aprendo o que é ser um homem, o que é ter um ‘eu’, o que é ser gente, o que é amar.  E aí, do ‘eu’ de Jesus para mim, eu começo a me enxergar, a me entender e a me perceber.

 

Humana

“Errar é humano”, chavão que muita gente gosta de dizer. Somos humanos quando nos convém, mas na maioria das vezes agimos como se quiséssemos negar esse fato. “Somos semelhantes ao atleta desafiado a correr cem metros em cinco segundos. Depois de várias tentativas fracassadas, ele põe a culpa nas condições da pista ou no tênis apertado. O fato de que o projeto é humanamente impossível parece nunca o afetar” (:28).

Ninguém nunca quer admitir a sua falibilidade, a sua impotência, a sua pequenez. Por mais expert em qualquer assunto que se seja (os do meio acadêmico que o digam!), por mais bem-sucedido/rico que se seja, não importa: não sairemos da nossa condição de não-deuses nem finalmente subiremos ao Olimpo (por mais que muitos creiam por aí que são sim deuses).

Recebi faz alguns dias uma notícia que muito me chocou. Um dia ele estava ali, presente com os amigos. No dia seguinte, já não estava. Ninguém imaginava, ninguém poderia prever. O choque que sempre traz a morte parece ressignificar as coisas, nos reaproximar da realidade da nossa pequenez. Será que podemos continuar com essa auto-imagem de super-heróis imortais?

O novo testamento nos apresenta um Jesus radical, não um reformador. Para segui-lo verdadeiramente temos que nos lembrar diariamente de quem somos frente a Ele. “O novo testamento só é relevante se captarmos o significado fundamental das exigências do evangelho, apesar de, ao mesmo tempo, compreender que nunca poderemos cumpri-las completamente” (:33). Não nos tornamos filhos de Deus por mérito próprio, mas por misericórdia de Deus: tentar chegar a Ele por nossas próprias obras (ou até acharmos que temos algum instrumento de barganha com Ele pela nossa “bondade e altruísmo”). Ao mesmo tempo, conformar-se com o cumprimento morno de um bando de preceitos é a receita para uma vida hipócrita.

Abençoados sejam os conscientes de sua falta de mérito e abertos à misericórdia divina. A fé, se não transforma o nosso interior, não é fé verdadeira, é falsidade. A plenitude é mais do que servir/lutar por um mundo melhor/direitos humanos/causas ambientais (que são todas coisas ótimas, obviamente): é uma convocação à santidade pessoal, à conversão contínua e à transformação constante do caráter, que por sua vez depende da consciência da nossa humanidade.

Sozinhos somos nada.

(Trechos de “Convite à loucura, de Brennan Manning)

O mito de Fausto – a humanidade e suas buscas

A humanidade já experimentou várias tentativas de chegar aos céus. Algumas delas bastante literais. É o exemplo da Torre de Babel. Outras intentavam alcançar alguns de seus predicados. Viver o céu sem estar lá fisicamente. São várias as qualidades que relacionamos ao firmamento.

Mencioná-lo é lembrar, por exemplo, da divindade e sua morada, de tudo o que é sacro, daquilo que nos inspira poesia, do belo, do amor. Não é outra a razão para essa busca, senão que a firme atmosfera nos desperta inquietação e curiosidade. Seria a infinitude alcançada por nossos olhos.

Não é, porém, de amor que nós vivemos. Os interesses pessoais são a motivação da nossa existência. “Como posso conhecer o triunfo, se não identificar uma maneira de dominação?”, indagaria o mais desavisado. Domina quem deixa de ser mais um na multidão, enfim, o destacado alvo de cobiça. Outra dúvida surge logo. Como posso obter destaque? A resposta é a mais óbvia desde Sócrates, ou melhor, desde que dominamos o fogo. O CONHECIMENTO traz o que todos nós almejamos.

A engrenagem do conhecimento

Logos é a razão, a sabedoria, o conhecimento. Aí está mais um dos predicados do céu. Ou estou mentindo quando atribuo o conhecimento e a sabedoria ao firmamento? Conhecer é próprio do inventor. Quem é que sabe mais do motor do carro senão aquele que o projetou? Aí nos encontramos de vez na busca por alcançar outra qualidade dos céus.

Ora, é tão bom dominar. E, assim, vamos dando cada vez mais de nossas vidas a fim de ganhar o saber. Saber matemática e filosofia. Saber história do Brasil, história do mundo e química. Saber biologia, física, línguas. Não sei se é fato por todos conhecido, mas o momento em que vivemos é conhecido como pós-industrial ou ERA DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO.

Sinceramente, não se pode negar que a famosa tragédia de Fausto (poema de Goethe) é o fiel retrato de nossos tempos. Esse personagem, misto de lenda e história, vendeu-se à Mefistófeles para superar o conhecimento existente em sua época. Conseguiu neste acordo, inclusive, viver 24 anos sem envelhecer.  Entregou-se ao saber, em sinal claro às suas pretensões. Era chamado Dr. Fausto, o típico título do prepotente. Levou a vida desonrosamente e, mesmo apaixonado, terminou num lugar que não gostaria de estar.

Os degraus, a maçã é o prêmio. Espera-se não seja podre.

Este é quem buscamos. O conhecimento que nos enobrece, porque divindade, ou porque a ele servimos como se divino fosse. Anseio ainda maior da humanidade é que, mesmo ávidos por logos, não sejamos todos objetos de uma “apostinha”, como Fausto, entre Deus e Mefistófeles, para conhecerem nossa reação diante dos desafios. Porque melhor sorte que Fausto, somente teve, que sofreu uma provação e saiu sem casa, sem família e sem saúde. No fim, porém, teve o dobro do que antes possuía.

Não perca o texto de amanhã. Daremos sequência as ideias iniciadas hoje.

Abraço e até amanhã!