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pra mim, pros outros

Hipocrisia nao é uma palavra nova na historia.

“A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico).”

Hipocrisia é agir e pensar de uma forma, mas publicamente defender outra. Viver por padroes duplos. Faz parte de uma estratégia para manter uma imagem ou poder, algo do qual nao se quer abrir mao.

Nesse momento de crise economica, quanta coisa tem sido defendida por politicos e economistas e passada como “o melhor para a populacao”, “a unica alternativa para o pais”, quando na verdade estao pensando no que é o melhor para o seu bolso ou para a manutencao do seu poder politico. Medidas de corte, de recessao, que acabam com familias, destroem meios de vida, desesperancam os jovens.

Me pego pensando tambem em quantas vezes, na esfera pessoal, também transpareco ser algo que nao sou em prol do que quero aparentar ser. Meu padrao duplo que me faz julgar as pessoas com certos olhos e me avaliar a mim mesma com outros.

Como seria o mundo se vivêssemos pelo que falamos realmente ou se falassemos o que realmente pensamos? Como naquele filme “O Mentiroso”, com o Jim Carrey. Porque sim, se nem quando nos perguntam sem “tudo bem?” respondemos a verdade (a resposta automatica é sempre “tudo bem e você?”), quanto mais nos omitimos e nos escondemos quando os assuntos sao um pouco mais complexos.

Regra e Relacionamento

“Mas é possível limpar o rosto com o mesmo espelho que mostra como você está sujo? – Perguntou Sarayu” (A Cabana, pág. 189)

 

Em leitura recente de A Cabana, me deparei com uma parte bastante interessante do livro, em que a Trindade (Deus, Jesus e o Espírito Santo), em uma conversa com um homem chamado Mack, questionam-no sobre os 10 mandamentos. O livro, obviamente, é uma ficção, mas pode nos trazer diversas reflexões interessantes, como essa que gostaria de propor.

No livro, “Deus” questiona o que Mack pensa sobre os 10 mandamentos e as regrinhas que existem (fazer boas obras, ir à igreja, ler a bíblia etc), que nos “levam a Deus”. Mack segue o senso comum e diz que essas regras existem para que as pessoas sigam e fiquem próximas de Deus. Mas será que é isso mesmo? No livro, “Deus” diz que, na verdade, essas regrinhas não têm a função direta de nos tornar justos perante Deus, mas pelo contrário, têm o objetivo de mostrar o quão pecadores e limitados somos. Daí a frase de abertura: não é cumprindo nenhuma dessas regras que vamos chegar até Deus, não importa quão boa seja a nossa intenção, pois essa não é a função das “regras”.

O que nos faz chegar até Ele é o próprio Jesus, aquele que sim conseguiu cumprir todas as “regrinhas” propostas, não falhou em nenhum aspecto da lei e foi completamente irrepreensível. Só um relacionamento com esse cara é capaz de nos levar até Deus, não o seguir uma regrinha.

Catedral de Brasília
Catedral de Brasília

Isso me faz questionar a minha própria vida: até quando eu como cristã tenho vivido mais por regrinhas (ir à igreja, ler a bíblia, buscar não pecar, fazer caridade etc) e menos por relacionamento com aquele que me criou? Assim, deixamos de ganhar tudo e nos contentamos com muito pouco. A vida por regrinhas é vazia e sem sentido, além de ser hipócrita. Eu não quero ser hipócrita, pregar algo que eu não vivo. Não quero que o “falar é diferente do agir” seja uma verdade na minha vida. E isso depende de cada um de nós.

É fé, é relacionamento, não é regra. “Porquanto pela observância da lei nenhum homem será justificado diante dele, porque a lei se limita a dar o conhecimento do pecado” (Rm 3:20)