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Fermento

Advertiu-os Jesus: “Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”.
(Marcos 8:15)

 

O fermento é um fungo responsável pelo crescimento da massa do pão. Ele faz toda uma massa crescer. Jesus usa a mesma ideia de crescimento nesse texto, mas, logicamente, não fala de algo físico e sim de algo espiritual. A massa seria o nosso coração, o fermento poderíamos colocar como ideias, filosofias, atitudes.

Qual era o fermento dos fariseus?

Sem dúvida o fermento deles é o legalismo religioso, a hipocrisia. Impressionante como esse fermento é fácil de encontrar nas “esquinas da vida”. Produto altamente disseminado, principalmente no meio religioso. E como esse fermento é potente, como leveda rapidamente um coração! Características desse fungo: regras acima das vidas, intolerância, cruzadas, sectarismo.

Qual era o fermento de Herodes?

Uma vida liberal, entregue aos prazeres da vida, sem responsabilidades morais. “Comamos e bebamos pois amanhã morreremos” seria seu lema! Produto altamente disseminado também, em um mundo onde o hedonismo (busca do prazer acima de tudo e todos) fala alto. Pessoas que vivem como canta o poeta: “vida louca vida,
vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”. Um homem que preferiu as últimas da Grécia do que as velhas do povo Judeu. Um homem coração de Alexandre. Características desse fungo: Egoísmo, hedonismo, escravidão de prazeres, insanidade.

Mas existe um terceiro fungo – O fermento do Reino! Jesus veio à terra para propagar e propiciar o Reino. Ele entra (“Porque o reino de Deus está dentro de vós”- Lucas 17:20-21) como uma pequena semente (Marcos 4:31-32) em nossos corações e cresce como um fermento!

A pergunta que fica para mim é: Que tipo de fungo tem levedado meu coração? O que está crescendo dentro do meu coração?

Qual fermento você tem comprado e usado?

Abraço a até a próxima!

A arquitetura de Herodes e a arquitetura de Jesus

Jesus veio à terra com uma única mensagem: “existe um Reino próximo (ao seu lado), arrependa-se e creia!” Sua intenção era estabelecer um reino na terra, começando pela Palestina, mas nunca restrito à Palestina. Para isso Jesus tinha, se quisesse um exemplo forte de como construir um reino! Herodes governou a Palestina por 34 anos, era mestre consumado na arte de formar um reino. Na Judéia e nos seus arredores, Herodes construiu mais de 22 templos, palácios, fortalezas e cidades de alto nível. Em Massada transformou uma rudimentar fortificação no alto de uma montanha em uma complexa fortaleza que parecia desafiar as leis da gravidade. Na Cesaréia construiu um dos maiores portos do Mediterrâneo, com estruturas submersas, que muitos afirmam que deveria ser considerada uma das Sete Maravilhas da Antigüidade. Com a ampliação do Segundo Templo de Jerusalém, construiu um dos maiores complexos sagrados da época, fazendo com que os santuários pagãos de Roma parecessem pequenos. O templo cobre uma superfície equivalente a 26 campos de futebol. No alto do monte Herodion ele ergueu um dos maiores palácios do mundo. E foi lá que ele escolheu ser enterrado.

Então por que Jesus não aprendeu com Herodes? Por que Jesus não buscou em Herodes um mentor? Era só adaptar o estilo político de Herodes, suas habilidades, visão com a retidão do próprio Jesus. Mas Jesus não fez isso. Viveu como se Herodes nunca tivesse existido! Jesus escolheu a margem da sociedade, pessoas sem importância, fracas, sem forças. Junto com Cafarnaum (sua sede) escolheu outras duas pequenas cidades para servirem como o “triângulo do Evangelho” – Corazim e Betsaida. Nesses lugares Jesus ensinou e treinou homens e mulheres dispostos a segui-lo. Duas características arquitetônicas definem essas cidades: primeira, as casa interligadas, casas construídas umas sobre as outras ou junto das outras (chamadas “insula”) e segundo, a presença da Sinagoga no centro da vila! As pessoas estavam muito relacionadas umas com as outras como pessoas com nome e muito relacionadas com Deus.

A arquitetura de Herodes oferecia um grande contraste: Edifícios projetados para multidões (teatros, arenas, fortificações). Ele construiu cidades seculares e impessoais (talvez a única exceção seja o templo, um agrado político ao povo judeu no meio de tanta secularização).  Tiberíades e Séforis eram exemplos dessa arquitetura bem ao lado do “QG” de Jesus.

Jesus, no entanto, usou da estrutura da insula e sinagoga para espalhar e propagar o reino. É como se falasse: “Siga-me numa rede de pessoas, uma teia de relacionamentos pessoais. Siga-me até o lugar onde essas pessoas se reúnem para adorar a Deus!” É claro a proposta da pessoalidade frente ao monstro sem rosto e sem nome da multidão impessoal. Pena é olhar através de minha janela e ver que a arquitetura de Herodes tem ganhado a queda de braço! Inclusive, por mais triste que pareça, dentro da própria Igreja de Jesus! Penso que talvez Jesus andaria às margens de sua própria Igreja se hoje estivesse presente fisicamente. Mas é iportante lembrar que Ele continua presente, lembrando seus seguidores da importância de propagar o reino às margens das “arquiteturas seculares”.

Abraço e até a próxima!