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O cordeiro que usava túnica

“Os soldados, pois, quando crucificaram Jesus, tomaram-lhe as vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e pegaram também a túnica. A túnica, porém, era sem costura, toda tecida de alto a baixo.” (Jo.19:23)

Jesus estava no madeiro. O cordeiro seguiu para o matadouro como uma ovelha muda. O sacrifício sangrava num altar que tinha forma de cruz.

Ele usava uma túnica. Teria sido um presente de sua mãe? Ela era sem costura, toda tecida de alto a baixo. Os soldados lançam sorte para ver quem iria ficar com ela. Não faria sentido rasgá-la como fizeram com as vestes. A túnica tinha lá seu valor.

O cordeiro era o objeto do sacrifício. A túnica, era a vestimenta própria de um sacerdote.

No sacrifício é assim: o cordeiro morre; o sacerdote mata.

O que isso significa?

Que na cruz Jesus foi (ao mesmo tempo) cordeiro e sacerdote. Morreu e matou. Passivo como cordeiro, ativo como sacerdote.

Deus fez tudo.  Bem próprio da graça.

Nesse caso, graça sobre graça.

Um grande abraço!!!

 

E quem duvida que Deus é bom?

Um ano se passou. Ainda lembro dos detalhes daquela terça-feira. Coração alegre, eufórico. “É hoje que eu vou começar a namorar a Ana Luisa, Deus?” Era difícil de acreditar… Para quem sabia que o coração também hospedava seus traumas, um novo relacionamento era a certeza de que a sorte estava sendo restaurada. “Deus, parece absurdo, mas eu estou gostando dela… Quem iria imaginar que isso aconteceria novamente comigo? E o mais legal é que eu olhava para ela e também reconhecia um sorriso que, além de lindo, era contagiante, envolvente e revelava reciprocidade. Não deu outra!

Ficamos como quem sonha… Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo. Aqueles que nos viam e conheciam um pouco das nossas histórias diziam: “Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles!” E nós corroborávamos com tais palavras: “Sim! Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.”

O clima no alto da cidade era esse. Perfume no ar, coração acelerado e lágrimas nos olhos… Era a hora de fazer o pedido! “Ana Luisa, você me permite lutar muito para te fazer feliz?” Aquele “sim” foi dito, sucedido por um beijo doce de quem eu não fazia ideia de quão fantástica era. (PS: quem conhece o coração da Ana Luisa, sabe do que eu estou falando!) Demos as mãos, oramos e entregamos aquele namoro nas mãos de Deus.

Completamos nossos primeiros 365 dias juntos! Um ano de uma história que evidencia a bondade e o cuidado do nosso Papai do céu. A Ana Luisa é um presente Dele na minha vida. Já ouvi a explicação de que quando Deus nos dá algo que não merecemos, o nome disso é graça. Então, tá explicado! Sei que não mereço, mas descobri que a graça não leva em conta nossos méritos.

O desejo é continuar olhando para a cruz, para que o sonho continue ganhando vida e para que Ele me ensine o que significa “morrer” por aquela a quem amo.

“A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do SENHOR, a esposa prudente.” (Pv.19:14)

Deus sabe qual tem sido a minha oração…

Que o amor tenha vida longa e que ele sempre seja motivo de celebração!

Um grande abraço!!!

Post dedicado à Ana Luisa Pos dos Reis. Minha vida é bem melhor com você do meu lado.

Afinal de contas, o que é a Graça?

Um dos conceitos mais sublimes do cristianismo é “Graça”. Em diversos sermões, pregações, em livros, em conversas, em comentários bíblicos e em todo o universo cristão a chamada Graça está sempre presente, sendo analisada, discutida ou servindo de base para outros estudos. Aqui mesmo no Outras Fronteiras nós encontraremos diversos textos que versam sobre este tema. Mas será que nós sabemos de fato o que é a Graça?

Para entendermos melhor o que é a Graça, vamos pegar os versículos 8 e 9 da carta aos Efésios, em seu capítulo 2. Foi o mesmo texto utilizado por nosso amigo Gabriel em seu texto do dia 12 , aqui no blog , e você pode ler o post aqui .  Ela diz assim:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Podemos, de cara, fazer três afirmações sobre a graça. Primeiro: A Graça é que nos salva. Segundo: Ela não é fruto de nenhuma atitude do ser humano, nem pode ser por nós produzida ou conduzida. E terceiro: Ela é um Dom de Deus.

Percebemos então que a Graça não é um conceito singular. Ela é plural, e é justamente na sua pluralidade que Deus revela um pouco mais de seu caráter. A Graça é um presente que recebemos de nosso Pai, de formar imerecida. Este presente, além de conduzir para a salvação, nos permite viver de uma forma que agrade à Deus.

“Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade.”  Hb 12:28

Percebem como a Graça é sublime? Deus, sem olhar nosso merecimento, nos chama para perto de Dele. Além de nos chamar, ele nos fornece tudo que precisamos para atender ao Seu chamado e tudo que precisamos para viver como homens que foram chamados. Isto é a Graça! É um dom sublime de um Deus que quer viver com seus filhos. Como seus filhos não apresentam em si mesmos absolutamente nenhuma condição de atender ao Seu chamado, o próprio Deus nos fornece estas condições.

Desta forma podemos dizer que a Graça é a forma incontestável que Deus usa, diariamente, para nos mostrar Seu amor. Por esta Graça nós somos chamados, por esta Graça nós devemos viver e por esta Graça seremos salvos.

Você já aceitou a Graça em sua vida? Ou ainda tenta individualmente ser “bom o suficiente” para viver com Deus?

Um abraço!

Cartas a um cristão como eu #3

Belo Horizonte, 08 de Agosto de 2015

Caro Ed, desta vez quem teve que lidar com a demora em responder foi você, não é mesmo? Me perdoe a falha. O ritmo agitado e a negligência com o uso do meu tempo me fizeram protelar muito (o pedido de perdão fictício foi a minha maneira de pedir perdão ao leitor pela minha atual negligência em vos escrever aqui no blog.) Mas aqui estamos, e temos bastante a conversar. Tanto que não creio que este assunto se encerrará com poucas correspondências…

Falávamos sobre a liberdade que existe no perdão divino e da nossa constante necessidade em depender dele, uma vez que a nossa ignorância e teimosia em escolher pelo pecado é também constante. Bom, a questão levantada por você é pertinente, mas não verdadeira, na minha opinião. Não se levarmos em conta os conceitos de GRAÇA e AMOR.

Por graça entendemos do favor imerecido do Único  que pode nos livrar da condenação do pecado. Por amor vamos considerar a escolha deliberada e eterna do Único que pode nos tratar com graça de fazê-lo dia após dia, chamando o auge desta escolha de cruz. São conceitos rasos para a complexidade dos termos, mas vamos partir deste ponto.

O perdão não pode ser considerado obsoleto se considerado à luz destas duas palavras. O pecador, de antemão amado, encontra graça a cada vez que cai, se arrepende e busca ao Pai. A graça aponta para a cruz, e a cruz o lembra do amor. E o amor, como disse Paulo, jamais acaba. Antes, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.” Eu até entendo o seu sentimento e os seus questionamentos. Pensando de maneira humana é realmente um abuso o que fazemos. A repetição do erro e do pedido de perdão pode parecer manipulação, hipocrisia e até mesmo artimanha para se viver de forma libertina e deliberada. Creio que isso de fato possa acontecer, mas veja bem, o enganador nunca corrompe a graça e o amor, apenas engana a si mesmo e à sua própria consciência. Mas o pecador arrependido vive o paradoxo de experimentar, ainda que repetidas vezes, um movimento que se torna inédito da parte de Deus, o perdão que se renova e  que nasce da graça e do amor. Analisando sob a perspectiva divina não existe manipulação e nem abuso, existe a escolha deliberada e o favor imerecido de um Pai para com todos os filhos  que caem em si e que se mostram arrependidos dos seus atos.

Agora, vamos tomar novamente os conceito de graça e amor que escrevi acima. Observe como a ação deles move o ser humano. Do pecado ao arrependimento, do arrependimento à graça, que faz lembrar o amor e que nos leva para a cruz, e daquele ponto em diante experimentamos liberdade, até que pecamos de novo, e tudo se repete. Bom, eu não diria que se trate de um ciclo. Escolha um ponto em um círculo, caminhe com ele por toda a extensão do limite do mesmo e você chegará ao mesmo lugar, e será eternamente assim. Prefiro comparar este movimento do amor e da graça a uma espiral, que caminha sempre adiante, num movimento aparentemente cíclico, mas que está em constante evolução. Ser perdoado é sempre progredir, e nunca regredir ou continuar estagnado. Sempre avançamos para a cruz quando experimentamos do favor divino, e por mais que pareça que vamos acabar no mesmo ponto de antes, depender do perdão constante de Deus e busca-lo com arrependimento é esquecer das coisas que para trás ficaram e progredir para o Alvo, rumo ao prêmio da soberana vocação.

Não compreendemos a mente e o coração de Deus, Ed. É impossível. Mas saiba que de alguma forma maluca e maravilhosa Ele está sempre pronto para nos redimir, ainda que os erros sejam repetidos por diversas vezes. E não só isso, Ele faz com que essa constante dependência do Seu perdão seja um ganho para nós. Não fuja do perdão divino, Ed. Abrace-o e agarra-o quantas vezes forem necessárias, pois Deus o tratará com graça e amor quantas vezes forem necessárias.

Espero, de coração, que tudo isso tenha feito algum sentido.

Com carinho, Dudú Mitre.

Insuficiência obesa

Era dia de Marcos 8. Eu estava no meio do estudo do último domingo e um dos participantes disse: “O meu problema não é carregar a cruz para segui-lo. O meu problema é assumir que não consigo carregá-la e que sou fraco. É como se não fosse a cruz que pesasse… O que pesa mesmo é a incapacidade de carregá-la!”

Eu não sei se os outros participantes do grupinho entenderam a profundidade dessa revelação. Para se ter uma ideia, na segunda-feira eu mandei uma mensagem para esse amigo, dizendo que estava orando pela sua vida e partilhando que eu sabia muito bem o que ele queria dizer. Afinal, quantas vezes minhas lágrimas não foram derramadas diante da minha insuficiência?

Como se não bastasse, na terça-feira à noite, recebo uma mensagem no whatsapp. Era a foto da página de um livro em que Jesus falava com alguém que o seguia. Ele dizia assim:

“Talvez a coisa mais difícil para você aceitar nesse momento seja o fracasso. Assumir que você não consegue viver o que deseja. Esta é a cruz que você menos quis, a cruz que você menos esperava carregar. De algum lugar você tirou a ideia de que eu esperava que sua vida fosse uma história imaculada de sucesso, um espiral ascendente indestrutível de santidade. Não percebe que eu sou realista demais para isso?

Eu testemunhei Pedro dizendo que me amava a ponto de morrer comigo e, logo em seguida, negando-me por 3 vezes ao dizer que não me conhecia. Tiago e João reivindicaram poder e queriam se assentar ao lado do trono, em troca do serviço ao Reino. Filipe, depois de 3 anos comigo, ainda não compreendia que a imagem do Pai estava refletida em mim. ‘Como assim, mostra-nos o Pai, Filipe?’

A questão é esta: espero mais fracassos seus do que você espera de si mesmo!”

Por que a gente se esquece de que onde abundou o pecado, superabundou a graça? (Rm.5:20)

Por que a gente se esquece que Ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó? (Sl.103:14)

Ele já havia declarado que o seu poder prefere se aperfeiçoar na fraqueza, porque quando somos fracos, então é que somos fortes, lembra? (II Co.12:9-10)

“No tocante a mim, confio na tua graça;”(Sl.13:5)

Que essa seja a nossa confiança. Que essa seja a nossa oração.

Porque a graça, meus amigos, faz emagrecer toda e qualquer insuficiência obesa. Torna a cruz leve como uma pena.

A árdua luta pela santidade absurdamente se transforma num caminho de alívio, refrigério.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos…” (I Jo.5:3)

Porque penoso mesmo, é viver sem a cruz nas costas!

Um grande abraço!!!

Post dedicado ao Leonardo Miranda e à Bruna Pinheiro. Obrigado pelo estudo de domingo e pela mensagem de terça-feira! Eles acabaram virando um post!

 

Pra quem não gosta de genealogia

Após terminar de ler um profeta do Antigo Testamento, peguei minha Bíblia numa manhã e pensei: “O que vou ler agora?” Fui para o índice e os meus olhos brilharam quando passei pelos evangelhos. “É isso, Deus! Tô com saudade de ler um dos evangelhos…” Decidi pelo 1° evangelho e, assim, comecei a leitura de Mateus. Aí aconteceu aquilo que é de praxe! Coisas nunca antes notadas, saltaram aos olhos e fizeram o coração arder. Quer um exemplo?

O Evangelho de Mateus começa com a descrição da genealogia de Jesus. Parece apenas um amontoado de nomes. Parece…

“Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;”(Mt.1:6)

O texto parece bem óbvio. Jessé foi o pai de Davi e Davi foi o pai de Salomão.

O que não pode deixar de ser mencionado é que “Davi gerou a Salomão, da que fora mulher de Urias, ou seja, Salomão (o rei mais sábio da história de Israel) foi fruto da relação entre Davi e Bate-Seba (que havia sido mulher de Urias).

Davi havia forçado Bate-Seba para que tivessem relação sexual. Sexo ilícito, sujo, condenável aos olhos de Deus. Ela era casada com Urias na ocasião. Ela manda o recado, depois de um tempo, dizendo estar grávida. Davi fica desesperado. Tenta fazer parecer que o filho de Bate-Seba fosse, na verdade, de Urias. Como não consegue, trama matá-lo e a cereja desse bolo de pecados é um assassinato.

Agora, uma dúvida: por que Deus, no meio da descrição da genealogia do seu próprio Filho Jesus, registra esse fato? Para que as palavras do fim do versículo (“da que fora mulher de Urias”)? O que Davi iria sentir ao ler isso? Será que não podia ser “Davi que gerou a Salomão, que gerou a Roboão”?

Acredito que está escrito assim, por pelo menos, 2 razões:

1) A história de Deus tem sido construída por homens pecadores como eu, você e o rei Davi. A compreensão daqueles que vivem com Deus é que “onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus.”(Rm.5:20)

2) Nas mãos de Deus, aquilo que é sujo, indigno, perverso e caótico pode se transformar em algo, simplesmente maravilhoso, como a genealogia de Cristo. Os primeiros versos da sua Bíblia dizem que a terra, porém, estava sem forma e vazia. Daí, Deus resolve colocar as mãos no caos e surge o cosmos! Foi assim com Davi, no caso de Bate-Seba.

No início, o nome “Bate-Seba” significava para Davi pecado, adultério, assassinato. Depois, passou a significar graça, misericórdia, perdão, e um filho chamado Salomão! É assim quando Deus resolve colocar as mãos…

O que existe na sua vida que ainda tem o significado de pecado? 

Você não acha que já passou da hora de você entregar isso nas mãos de Deus?

A genealogia do Reino de Deus continua sendo escrita. Nomes de pecadores são registrados. Históricos repletos de sujeira, mas que não trazem vergonha. Porque numa genealogia onde abunda pecado, há um nome repleto de graça! E a graça Dele é tão abundante, mas tão abundante que não há histórico que permaneça sujo.

Você compreende o que significa o nome de Jesus na genealogia?

Um grande abraço!!!

Sola Fide – Somente a Fé

O ano é 1517. O Papa Leão X, querendo reconstruir a basílica de São Pedro, promove uma grande ação de vendas de indulgências para angariar os fundos necessários. Esta era uma prática comum da Igreja Católica.  O perdão para qualquer pecado podia ser comprado. Com dinheiro suficiente os assassinatos, traições, depravações, roubos e toda sorte de inclinação carnaval eram apagados da ficha celestial de qualquer um que pudesse pagar o preço.

indulgencia

Esta prática foi muito comum dentro da Igreja Católica, e só foi revista e revogada em 1567. Sem dúvidas, a Reforma Protestante, liderada pelo padre Martinho Lutero, teve papel importante nesta mudança. Martinho foi o primeiro membro eclesial a lutar contra este tipo de prática, alegando que a Igreja estava comercializando algo que Jesus nos possibilitou ter pela Graça de Deus.

O Sola Fide significa Somente a Fé, e hoje em dia é uma corrente de pensamento base para a maioria das igrejas cristãs reformadas.  Ela prega que nenhuma obra humana poderá nos conduzir até o perdão, somente nossa fé em Cristo. Muitos cristãos hoje sequer pensam nesta questão, uma vez que ela se tornou fundamento da cosmovisão cristã. Acredito que poucos cristãos acreditam que se pode comprar o perdão de algum padre ou pastor. Contudo, apesar de ter na vendas de indulgencia um exagero de fácil contestação, a Sola Fide ainda é um assunto que merece nossa atenção, uma vez que muitos cristãos continuam agindo como se pudéssemos obter o perdão através de diversas outras ações que não a Fé verdadeira no Cristo.

” Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”  Gálatas 2:16

Entender e aceitar a Sola Fide implica que todo ser humano é incapaz de obter a salvação apenas por si mesmo.  Por exemplo:  A caridade, sem fé, não passa de uma ação humanitária.  Ser caridoso não aproximará ninguém de Cristo e não permitirá a ninguém ser perdoado por outras transgressões. Por outro lado, notem que nenhum homem de fé deixa de ter a caridade em seu modo de agir, uma fez que a fé é a propulsora mestre da caridade. Quando esta aparece em um cristão, ela é fruto da fé. Desta forma, as boas obras aparecem naturalmente na vida daquele que exercita sua fé em Cristo. Tais afirmações foram lindamente escritas por  Tiago, principalmente no capitulo 2.

” Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. “Tiago 2:18

O perdão não pode ser comprado, uma vez que ele é um dom gratuito de Deus, através do Cristo. Mas quantas vezes nos pegamos tentando comprar o perdão de Deus, barganhando boas atitudes em troca de uma consciência tranquila.

Você tem barganhando com Deus? Ou tem convicção de sua graça e reforma sua fé no Cristo?

Um abraço!

As duas varas

Eu me tornei pastor do rebanho destinado à matança, os oprimidos do rebanho. Então peguei duas varas e chamei a uma Favor e a outra União, e com elas pastoreei o rebanho.   (Zacarias 11:7)

Esse verso mexeu muito comigo! Um Deus que assume o controle depois de notar que seus pastores não cuidavam de suas ovelhas. O método de Deus como pastor? Vara! E não apenas uma, mas duas. Vara do favor e vara da União! Essa é a forma como Deus cuida de suas ovelhas, com graça e unidade.

Mas, o que me deixa mais perplexo no texto é que as ovelhas rejeitam Deus como pastor! Ovelhas que preferem os pastores mercenários. Aqueles que as levam para o matadouro, que as tratam como mercadorias. Uma pena! Ovelhas cegas, que preferiram a ração colocada para a engorda. Que preferiram os currais ao invés da liberdade. Que preferiram ser apenas mais um número do que ser a amada!

Ainda bem que não sofremos mais isso! rsrs

Devia ser difícil essa época de Zacarias!

Abraço e até a próxima!

É chegada a hora!

Levando um papo despretensioso com a minha mãe lhe expus um desejo: “Mãe, lembra aquelas buchas de tomar banho que o vovô usava para lavar as costas? Será que ainda acha pra comprar?”. E no dia seguinte, lá estava ela. O boxe do banheiro ganhou um novo item: um cabo de plástico comprido que abriga uma grande quantidade de cerdas macias, ideal para alcançar aquela área nas costas que a falta de flexibilidade não me permitia, até então, limpar direito. Os resultados vieram logo após o primeiro uso, e o problema das áreas intocadas pelo sabonete foram resolvidos.

A ajuda que recebi do objeto me fez pensar. Será que não existem lugares na minha alma em que eu não tenho conseguido alcançar com as minhas limitações? Será que existe algum canto em meu coração em que a graça ainda não tenha limpado?

A resposta é positiva. Muito do que sou ainda não foi transformado, moldado e corretamente higienizado. O pecado está tão fundo e tão impregnado que as vezes é preciso um esforço a mais para alcança-lo. Alguma forma, técnica ou exercício para limpar toda essa “sujeira”.

“Calma lá! É isso mesmo? Você está falando em metodizar a graça?”

Sim, vai mais ou menos por aí…

“A graça não descarta o método, nem o método, a graça. A graça prospera no método, e o método, na graça. (…) A formação espiritual é um processo.”

Essa concepção é sem dúvidas contrária a ideia da graça como passividade, como é amplamente defendida. Podemos buscar a graça. Buscar meios, formas e métodos de nos limpar, de alcançar o favor imerecido de Deus a cada dia. Não que ela venha de nós (vem do Alto), mas pode ser alcançada e esta ao alcance de quem realmente deseja dela desfrutar.

“Mas vem a hora” disse Jesus, “e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque são estes o que o Pai procura”. Já é hora! É hora de parar de esperar que as coisas aconteçam do nada e começar a se mover para alcançar as maravilhas que se obtém junto com a graça. É chegada a hora.

Maravilhosa Graça

Em meio ao caos, um favor imerecido. Nada se pode fazer para se fazer digno de recebê-lo. A graça chega até o ser humano como um presente inesperado e constrangedor. Nocauteia o orgulho, rompe as defesas, liberta e transforma! Homem ou mulher, negro ou branco, jovens e adultos. O favor imerecido de Deus pela humanidade está a presentear a todos.

Gostaria de ilustrar isto com algumas idéias que ouvi de um homem chamado Wintley Phipps.

Exite uma vertente no Blues Norte Americano chamada de “Espiritual Negro”. São canções de caráter religioso – principalmente protestante – com raízes africanas e muito ligadas ao sentimento e sofrimento dos escravos negros. O curioso é que todos os “Espirituais Negros” foram escritos apenas com as notas pretas do piano. Existem cinco notas pretas no piano (para os interessados e entendedores, são elas: Dó sustenido, Ré sustenido, Fá sustenido, Sol sustenido e o Lá sustenido), e ao longo do instrumento elas apenas se repetem em oitavas cada vez mais agudas. Estas cinco notas são chamadas de “escala pentatônica”. Na América antiga, esta escala costumava ser chamada de “escala escrava”.

Segundo Wintley Phipps, se você estudar a história da música religiosa Norte Americana, vai encontrar também o que chamam de “Espiritual Branco”. Músicos e compositores religiosos brancos, que dedicaram a vida a compor hinos maravilhosos, que marcam até hoje a história do cristianismo Norte Americano.

Com o passar dos anos, as duas vertentes passaram a interagir, e a miscigenação musical entre “Espirituais Negros” e “Espirituais Brancos” se tornou comum.

A música “Amazing Grace” é considerada pelos estudiosos o mais famoso “Espiritual Branco” escrito em “escala escrava”. Um homem chamado John Newton foi quem a escreveu. Antes de se tornar cristão, Jonh Newton era capitão de um navio de escravos. Não se encontra nenhum registro na literatura e nos grandes bancos de dados musicais Norte Americanos sobre quem escreveu a melodia da música, mas todas as fontes confirmam John Newton como o escritor da letra. Acredita-se que ele tenha ouvido os negros de seu navio cantarolando a melodia, e ajustou as suas palavras com a melodia escrava.

Existem cristãos. Negros ou brancos, legalistas ou libertinos, chatos ou legais. Existem cristãos com os quais nos damos bem, e cristãos com os quais nos damos muito mal. Existem alguns que declaram a mesma fé que você, mas que vivem de maneira muito diferente daquela que você considera adequada. Existem cristãos com os mais variados tipos de problemas, dificuldades, falhas no caráter e no modo e vida. Existem ainda alguns que são simplesmente diferentes. Mas todos esses estão debaixo da “Maravilhosa Graça”. Por Deus, todos são vistos sob a perspectiva da cruz.

A “escala Divina” não faz acepção de pessoas, gostos ou jeitos. E “escala Divina” nos apresenta uma vida maravilhosa, um padrão fantástico de vida, e tudo isto só é possível por causa da “Maravilhosa Graça” derramada através de Cristo e entregue a todo aquele que crê.

“Por que pela GRAÇA sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” Efésios 2:8

Imagem de Amostra do You Tube