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Quem é este tal de Deus?

O Gênesis acabou por se tornar o primeiro livro da Bíblia. Mesmo não sendo o primeiro a ser escrito, tornou-se o livro que inicia a narrativa da trajetória de Deus com o ser humano. Como qualquer bom início, ele traz consigo um pouco a respeito do personagem principal. Nele encontro a resposta que sempre me vem à cabeça, sobre quem é este Deus.

Sempre que o leio, chama minha atenção os atributos de Deus. Assim, o vejo como um engenheiro, um arquiteto, um pedreiro (1:3), alguém que deseja prosperidade (1:22), que sente satisfação (1:31). Alguém que se cansa (por que não?) (2:2). E que deseja ardentemente a vida (2:7), e não só a vida, mas sim a vida compartilhada (2:18). Vejo um Deus que permite à sua criatura livre arbítrio (3:22). Difícil imaginar, mas um Deus que passeia (3:8). Fácil de pensar, um Deus que expulsa da sua presença (3:23) e que utiliza seu senso de justiça (6:13). Vejo também como se sente feliz com o ser humano (4:4), mesmo tendo se arrependido de tê-lo criado (6:6). Acima de tudo, o que salta aos olhos logo no início da Bíblia é a vontade deste Deus de se relacionar com o homem e a mulher, seu anseio pela preservação da espécie (3:19), fazendo com eles pacto nesse sentido (9:9) e atribuindo-lhes responsabilidades (3:19).

Este é um Deus pessoal, segundo descrição do seu livro-guia para nossas vidas. Não sei como você enxerga, mas eu tenho uma clara dificuldade de imaginá-lo como alguém que realmente tem estes atributos. Muitas vezes me pego crendo que ele é uma pedra esculpida por um bom artesão, ou tão somente um monte de gesso estático e distante em cima do altar.

Minha oração em um dia específico da minha semana é para que este Deus seja cada vez mais próximo de mim, para que possamos passear juntos, para que eu possa entregar-lhe minha indignação e crer na sua justiça com o mundo, para que eu possa confiar que é alguém que anseia por minha vida e que, acima de tudo, é um amigo íntimo a quem jamais faria algo de ruim, como o pecar.