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O ovo ou a galinha?

Galo de Barcelos
Galo de Barcelos

Me espanta ver o tanto que galinha é um bicho burro. De verdade. Na minha casa, temos algumas galinhas e às vezes fico lá olhando o movimento delas. E se você espalha comida no terreiro inteiro, não importa, elas se amontoam num primeiro momento naquele lugar onde caíram os últimos grãos e ficam lá se degladiando por comida enquanto tem comida de sobra espalhada. Vai entender.

Uma galinha aqui em casa acaba de “dar a luz”: um pintinho preto e um amarelinho (só não pode contar pra ela que um deles é adotado, mas também ela nem iria entender: meu pai aproveitou que ela estava chocando e encheu de ovos de outras galinhas embaixo dela). Perto daqui de casa, há alguns gaviões (não digam que eu moro no mato, vi um gavião semana passada perto do Diamond) e temos medo de que eles peguem os pintinhos. Por isso, meu pai deixa a galinha com os pequenos quase sempre presos para que eles não corram o risco, pelo menos até estarem maiores.

Mas a galinha, coitada, não entende nada. E deve ficar reclamando de ficar lá presa. Mal sabe ela que é pro bem dos filhotinhos. Mas o fato é que, quando o meu pai chega perto dela pra trocar a água ou dar comida, ela fica tão alvoroçada de medo que ele faça algo aos filhotes que às vezes chega a pisar os mesmos, machucando-os. Evitamos de chegar perto, pra que ela não se assuste mais ainda.

Eu, obviamente, não sou uma ave e estou de fora da história. Tenho uma visão que elas não têm. E acho que, maaaaais ou menos da mesma forma, Deus deve olhar pra nós também e ver o tanto que a gente é limitado. Ele tenta nos mostrar: “olha, tem comida mais além ali”. Ele vem nos dar água, cuidar da gente com todo o carinho, mas não entendemos. Às vezes nos assustamos com as suas ações mais diretas, reclamamos sem saber o porquê de tal ou tal fato que acontece conosco. Brigamos. Culpamos a Deus. Achamos que sabemos mais. Queremos tomar as rédeas e nos tornarmos “animais falantes“, que fumam, usam terno e andam como os humanos, como em A Revolução dos Bichos. Cumprir um papel em nossas vidas que não conseguiremos nunca cumprir: o papel de Deus.

Prendemo-nos a coisas pequenas, achamos que sabemos muito, mas temos na verdade um cérebro de galinha. “O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água” (Jr 2:13).  Ele quer nos ajudar a sermos menos limitados, mas nós muitas vezes não fazemos a nossa parte e trocamos uma fonte de água viva pra nos contentarmos com cisternas rachadas, que não conseguem reter água. A gente fica olhando pro chão, ciscando pra trás e bicando uns aos outros. Teimamos. Igualzinho a elas.