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Morte e Vida (Severina)

“Somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem. Para estes, na verdade, odor de morte e que dá a morte; para os primeiros, porém, odor de vida e que dá a vida. E qual o homem capaz de uma tal obra?” (2 Co 2:15-16)

Como dito nesse versículo “de abertura”, representamos algo como Cristãos que as pessoas muitas vezes não entendem e muitas vezes repelem por não considerar verdade pra elas. É verdade, os cristãos são muitas vezes vistos como “morte”, como a materialização de muita coisa que há de mal no mundo e por isso foram perseguidos. Cristo mesmo foi perseguido, assim como Paulo, Pedro, Águeda

O Martírio de Santa Águeda, que teve os seios arrancados
O Martírio de Santa Águeda, que teve os seios arrancados

E, quantas vezes não somos vistos como “morte” no meu meio não por sermos cristãos, mas pela arrogância com que apresentamos a mensagem cristã (você, se não fosse cristão/ou se não é cristão, seria amigo de alguém que tem uma atitude de superioridade sobre sua fé em relação aos outros? eu não!)?

Quantas vezes com os meus pecados não mancho o nome de Deus e aí sou de fato morte e testemunho ruim para os de fora? A lista vai: ignorância, intolerância, orgulho, falta de sabedoria, de sensibilidade, de cuidado, de discrição (=fofoca)…

Sobre essa última da lista: fofoca. Muitas vezes, até mesmo não por mal, acabamos espalhando coisas que não devíamos, contando segredos dos outros, fazendo comentários inapropriados. Isso é muito ruim: pra quem é o assunto, pra quem escuta (pois às vezes escuta coisas que não eram pra ser divulgadas, que podem mudar a imagem que se tem de uma pessoa) e pra quem fala (os amigos passam a confiar menos nessa pessoa). Eu, recentemente, passei por uma situação muito legal em que poderia ter feito um comentário ruim sobre uma pessoa e não fiz. Pelo contrário, orei por ela, pelo que tinha ocorrido e as coisas se encaminharam de uma forma muito melhor. Se eu tivesse externado o que estava pensando, não só teria influenciado outra pessoa a pensar como eu (ou a me achar uma hipócrita, por eu me dizer cristã e sair fofocando), como reforçaria meu próprio pensamento.

Fogueira de São JoãoMoral da história: se agimos como Deus quer, somos morte para os de fora. Se agimos como Deus não quer, somos também morte para os de fora, por mal testemunho. Que nos resta fazer? Cito Daniel 3:17-18, trecho que mostra o que acontece com Mesaque, Sedraque e Abedenego, judeus que decidem fazer a vontade de Deus mesmo no exílio babilônico e se recusam a adorar uma estátua de ouro do rei Nabucodonosor. A pena para tal desobediência é a fornalha. Eles respondem ao rei, quando presos: “Se assim deve ser, o Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha ardente e mesmo, ó rei, de tua mão. E mesmo que não o fizesse, saibas, ó rei, que nós não renderemos culto algum a teus deuses e que nós não adoraremos a estátua de ouro que erigiste.” É meio assim: olha, tô com Deus e não abro. Ele pode nos tirar da fornalha se Ele quiser, mas mesmo se for pra gente morrer, nem assim vamos adorar a sua estátua!

Esses caras, que são salvos no final (foi mal, estraguei o fim da história!), viveram uma vida de fé e entrega completa. Foram morte no sentido de choque com a cultura em que viviam, mas o seu testemunho, no fim das contas, tocou até mesmo o rei.

Nos deixando levar pela vontade de Deus, fazendo o que ele deseja de nós, nem imaginamos quais fronteiras romperemos e onde podemos chegar.

“Procedei com sabedoria no trato com os de fora. Sabei aproveitar todas as circunstâncias”. Cl 4:5