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Os Pais da Igreja – Justino Martir

Nascido na Síria Palestina, no ano de 100, Justino Mártir representa um novo desafio à Igreja nascente. O Cristianismo chegava agora aos intelectuais, aqueles extremamente envolvidos com a filosofia grega. Começa um conflito dentro da comunidade do “Caminho”: A filosofia é útil?

Ele se torna cristão através de uma experiência relatada por ele em um de seus escritos (“diálogos com Trifão”). Um encontro com um idoso, em uma praia, onde este lhe revela Cristo  e seus profetas anteriores. Justino, um homem educado em retórica, história, poesia e na filosofia estoica e platônica, se rende a Cristo.

Com isso,  passa a defender a ideia que Cristo é o primogênito de Deus e que é o Logos (segundo relata João). Segundo ele, todo o gênero humano participa desse Logos. A real filosofia aponta para Cristo.  Ele se coloca como filósofo para demonstrar e ensinar (primeiro em Éfeso, depois em Roma) que Cristo era a verdade que a filosofia procura. A Igreja poderia se valer da filosofia, do pensar… e não tê-la como inimiga.  Segundo Justino, a inimiga do Cristo eram as diabólicas idolatrias das religiões pagãs e seus falsos deuses. O confronto era da verdade contra o “mito do costume”.

Justino morre  decapitado como um mártir no ano de 165, depois de duas cartas de defesa da fé escritas para o imperador Marco Antônio (Apologia 1 e 2). Um teórico que não se eximiu da prática cristã. Que lutou por uma Igreja que pensa e que não tem a filosofia como inimiga, mas como amiga intima, já que detém a única resposta verdadeira para todos os dilemas e buscas do homem.

Que possamos pensar, sem medo…

Um abraço e até a próxima

O que você tem comprado?

Hoje o assunto é venda. Não há outra época do ano melhor para falar sobre, pois agora, mais do que nunca, é hora de comprar! Vejamos como funciona o mecanismo através de abordagem, argumentação e fechamento.

Na abordagem somos levados a prestar atenção em algo que talvez não nos atraísse por si só. Pense em uma propaganda que começa com a expressão “atenção!” (típico das Casas Bahia) ou em um outdoor com uma imagem apelativa (de alguém seminu) e até mesmo o “off” de uma vitrine.

Depois passam à argumentação. Por meio dela somos convencidos de que aquele produto é necessário para nossas vidas e que sem ele jamais seremos completos. Muitos são os motivos que nos fazem crer que isto realmente é verdade. O silêncio é preenchido pela gama de informações imprescindíveis em relação à mercadoria, deixando nosso cérebro ocupado demais para refletir a respeito.

E então vem a fase do fechamento. Somos pegos por uma pergunta que nos obriga a tomar uma decisão! Normalmente ela já parte do pressuposto de que vamos realmente querer o produto, afinal, ele irá mudar nossas vidas!

Sem perceber, ficamos angustiados com a possibilidade de dizer não. Caso consigamos, há uma outra fase – a contra-argumentação. Nela, todas as nossas desculpas são descobertas e ficamos sem a possibilidade de escapar, a não ser assumindo a verdade tão difícil de ser dita em virtude da expressão na face do vendedor. Resta-nos o “não quero, não gosto e/ou não preciso”.

Tudo nesta vida é compra e venda. Fica fácil perceber isto quando o  produto é a compra de natal no shopping. Mas há uma venda há todo tempo ainda mais intrigante – a de ideologia! Sem perceber somos bombardeados com uma série de ideias e valores que querem que compremos, que vivamos, que consumamos… Penso ser normal, ao se tratar do mundo. Triste é pensar que isso acontece dentro da família cristã. Um CD que seria para Deus, um livro que deveria glorificá-lo, uma mensagem que deveria nos edificar…

Sinto-me só mais um em meio a tantas compras que resolvem problemas que não existiam antes de eu fazê-las. Vivo o desafio de prosseguir como as pessoas de Bereia em Atos 17 – examinando as escrituras para ver o que representa ou não o padrão de Deus, seja na compra de coisas, seja na de ideias.

Não poderia terminar diferente, deixo então a pergunta: e você, o que tem comprado?