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Super-homem

Friends

“Nowadays, nobody speaks about the way they feel about things”
“Hoje em dia, ninguém fala de como se sente sobre as coisas”
(Lighthouse Family – Question of Faith)

        

 

Em um episódio de Friends que vi faz pouco tempo, aparece um personagem bastante peculiar chamado Parker, namorado de Phoebe Buffay. Ele é um cara extremamente positivo, vê a vida com óculos cor-de-rosa, em tudo há arco-iris… Nada está ruim para ele, tudo está 100%.

De fato, o cara é muito irritante. A própria Phoebe, que no início gostava muito de Parker, vai se irritando com o moço até terminar com ele. E olha que ela é uma pessoa super de bem com a vida.

Enfim, o que quero dizer é que podemos reclamar da vida.

Não ter problemas não nos faz super-homens mas sim super-chatos. Mulheres-maravilha que escondem o que sentem escondem as suas dificuldades. Somos humanos. Ninguém é perfeito, todos temos problemas, não adianta negar. Nem pras pessoas e nem pra Deus.

Nietzche disse que devemos ser super-homens (Übermensch, ao pé da letra acima da pessoa ou super-pessoa) e não pessoas fracas, dependentes de Deus, pessoas débeis como a figura de Jesus na cruz. Devemos ser fortes, demonstrar do que somos capazes, não nos comportar como pessoas limitadas (isso é o que eu entendo do pensamento dele, posso estar errada).

Mas o que parece que ele não entendeu é que é quando nos entregamos a Deus é que somos fortes: “quando estou fraco então sou forte”, já disse Paulo em II Co 12:10.

Só Deus tem total controle das situações que enfrentamos. Só ele pode nos dar a verdadeira tranquilidade para que enfrentemos os desafios pelos quais passaremos. Um trecho de Filipenses (4:6-7), do qual eu gosto muito e que já citei aqui, expressa muito bem esse fato: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” Muitas vezes sofremos exatamente por isso: querendo ter um controle que é impossível que tenhamos, nos estressamos, ficamos ansiosos, sofremos à toa.

Ainda bem que não precisamos fingir que está sempre tudo bem. Ainda bem que temos um Deus que já passou pelas nossas experiências terrenas, como humanos, e nos entende perfeitamente. Ainda bem que podemos confiar nele, nos sentirmos especialmente fortes quando estivermos fracos. 

Ídolos

 Sarney, eu sou seu ídolo!”  (Popular confuso, pensando elogiar Sarney no último programa do pânico)

Ideal
Ideal
Dinheiro
Dinheiro

 

Não, não vou falar daquele programa ó-t-e-m-o da Record.  

 

 

 

Segundo a wikipedia, “um ídolo (do grego antigo εἴδωλον, “simulacro”, derivado de εἶδος, “aspecto”, “figura”) é um objeto de adoração que representa uma entidade espiritual. A idolatria é, portanto, a prática de adoração de ídolos. Na atualidade, especialmente após os avanços tecnológicos do século XX que permitiram maior acesso da pessoa comum a trabalhos de artistas, políticos, e personalidades importantes, o termo “ídolo” expandiu-se da esfera divina para a esfera humana”. E a idolatria continua sendo muito presente na nossa vida diária.

Madonna
Madonna

Podemos adorar diversas coisas no nosso dia-a-dia. Eu como cristã não adoro a algo abertamente como um deus, mas posso estar sujeita a isso veladamente: política, um ideal, dinheiro, futebol, música, sucesso, relacionamentos… e a lista vai. Muitas vezes, transformamos relações que podem ser saudáveis em doentias, em pecados, por colocar certas coisas fora de prioridades, acima do que não devem estar.

Muitas vezes, nosso maior ídolo é a nossa barriga, é nós mesmos. É fazer a nossa vontade, cumprir os nossos desejos: “O destino deles é a perdição, o seu deus é o estômago e eles têm orgulho do que é vergonhoso, só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3:19). Estômago, nesse trecho, não quer dizer o estômago em si que conhecemos hoje, relacionado à comida, mas em algumas culturas cria-se que o centro do “ser”, da pessoa, estava em seu ventre. Como hoje às vezes falamos da cabeça.

Só Deus é digno de adoração. Em Sl 16, Davi afirma só procurar refúgio nele, que fora dele não há felicidade. Vejamos parte do texto:

1 Guardai-me, ó Deus, porque é em vós que procuro refúgio.
2 Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.
4 Numerosos são os sofrimentos que suportam aqueles que se entregam a estranhos deuses. (…) Meus lábios jamais pronunciarão o nome de seus ídolos.
8 Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita; não vacilarei.
9 Por isso meu coração se alegra e minha alma exulta, até meu corpo descansará seguro,
10 porque vós não abandonareis minha alma na habitação dos mortos.
11 Vós me ensinareis o caminho da vida, há abundância de alegria junto de vós, e delícias eternas à vossa direita.
Futebol
Futebol

                                                                   

Me atenho a um trecho em especial: “Numerosos são os sofrimentos que suportam aqueles que se entregam a estranhos deuses”. De fato, Deus tem uma vida muito mais completa, abundante, que qualquer coisa pode nos proporcionar. A maior besteira do mundo que podemos fazer é dar as costas a essa oportunidade de ter uma vida plena, que jorre para a vida eterna (Jo 4:14) e tentar conseguir essa abundância de outra forma. É impossível.

Temos nos distraído com outros deuses, brincado com idolatrias? Ou esse Salmo de Davi tem sido verdade nas nossas vidas?

Uma vez, quando passei por uma situação difícil, brinquei com um amigo que ia comer, comer, comer até me sentir completa. Ele me desejou boa sorte, porque não havia comida no mundo que pudesse preencher o espaço que só Deus poderia ocupar na minha vida.

Ele assopra onde quer

“Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá”
(Gilberto Gil)

Como dito em um post anterior, faço uma matéria X de Antropologia. Ou pelo menos era o que eu achava. Eis que descubro no domingo último que minha matrícula está trancada nessa disciplina. O que aconteceu é que, no início do semestre, pedi pra trancarem uma matéria Y e trancaram a X, já que os códigos das disciplinas eram muito parecidos. Ótimo: faltando menos de 1 semana pro fim do semestre, descubro que tomarei bomba na matéria Y em que estou matriculada mas que não estou fazendo e fiz tudo da matéria X sem ser pontuada.

Sou uma pessoa muito preocupada, ainda mais no tocante a assuntos acadêmicos. Mas, num pleno domingo, não havia nada que pudesse ser feito.  Na segunda eu iria tentar resolver, mas preocupar não adiantaria. Orei muito, conversei com pessoas e, incrivelmente, acabei me acalmando, confiando. Fiquei muito feliz de ter deixado Deus cuidar das coisas, de não preocupar. E acabou que – bem, a “saga” não acabou ainda – parece que as coisas vão se resolver – isso se a moça da fafich que cuida desses assuntos voltar de férias logo -, coisa que eu achava meio impossível.

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, com oração e súplicas, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus que excede todo o entendimento guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Filipenses, 4:6-7) Viver o Fp 4:6-7 é sempre um desafio pra mim. Mas, como disse meu amigo Rafa, é o que Deus espera de nós, justamente por saber o quão libertador isso é. Ele quer cuidar de nós, quer ele mesmo carregar nossos fardos no nosso lugar. Em alguns momentos, temos vontade de “desentregar”, pegar as coisas de volta, tentar tomar conta delas. Mas a entrega deve ser um exercício diário, ou até mais que isso.

Entregar o futuro, entregar a vida: por quê?

Ultimamente, a frase que eu mais tenho dito é: “como é difícil formar!”. Para uma pessoa não decidida no campo profissional como eu, fico super perdida sobre o que fazer, como fazer, quando fazer… As oportunidades surgem, os prazos urgem…

Pensando nessas coisas e tendo que tomar diversas decisões profissionais nos últimos dias, lembrei de uma parte do Evangelho de João, do capítulo 3, a qual discutimos numa reunião de Alvo da Mocidade recentemente, que conta quando Nicodemos, um fariseu, questiona Jesus sobre nascer de novo e Jesus diz assim: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” Bem enigmática essa frase, não? Eu acho. Ao falar do vento, ao meu ver, Ele queria dizer que a vida de quem é nascido do Espírito Santo é direcionada por Ele, controlada por Ele. É muitas vezes imprevisível e nem pode ser colocada numa caixinha, “esmiuçada”, “rotulada”, “prevista”. Não é “humanamente controlável”. É uma aventura.

Céu de Cabo Frio
Céu de Cabo Frio, RJ

De fato, não só “o vento” é imprevisível, mas tudo na vida, nós caminhando com Deus ou não. Não temos controle sobre os dias de vida que temos, sobre possíveis acidentes, infortúnios, encontros, presentes, oportunidades… Ninguém consegue prever o futuro, só a mãe Diná, a sorte do orkut e os econometristas neoclássicos. Existe uma coisa chamada “incerteza” no mundo, como já diria Keynes (copiando de Marx! hehe): não temos garantia de que as coisas se realizarão como as planejamos.

Se o mundo em que vivemos é de imprevisibilidade, se não temos garantias 100% das coisas, porque não confiar e entregar nossas decisões àquele que, “imprevisivelmente” tem a visão de tudo e sabe o melhor pra nossa vida?

Viver é de qualquer forma uma aventura. Por que não, então, entregar nosso futuro, nossas decisões a Deus, que é quem sabe pra onde vamos e quer nos conduzir? Tentar controlá-las nós mesmos só nos trará sofrimento, angústia e frustração.

(Esse post é em homenagem à Nati Gesualdi. Obrigada por tudo, amiga!)