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Sobre feridas Crônicas

Hoje nosso blog será presenteado com o texto de uma pessoa que admiro muito, e que leva a vida com Cristo muito a sério.  Obrigado por compartilhar conosco novamente, minha querida amiga Luiza Fagundes.
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Feridas crônicas são as que doem mais no inverno e, por mais que estejam quietas, qualquer esbarradinha faz queimar e doer demais, de um jeito que a gente achava que ferida crônica não pode doer. Agora percebo que são essas feridas crônicas, semiesquecidas, mas sempre abertas as que doem mais e nunca deixarão de doer simplesmente por tentarmos esquecê-las e, principalmente, porque tem sempre alguém esbarrando, por mais que a gente tente evitar.

Não adianta evitar esbarrões, o que precisamos mesmo é colocar remédio, aquele Mertiolate do tempo que ardia, aquela anestesia que parece doer mais que a dor que evita, aquela aflição da agulha costurando nossa pele, aquela recolocação de um dedo no lugar mesmo que doa mais que a pancada que deslocou o osso. E o médico é o Senhor, nosso Deus.

Durante algum tempo, já sendo cristã, achei que já tinha perdoado tudo que me feriu. O estranho é que a ferida ainda estava aberta. E racionalizando dei-me o direito de chorar, gritar, espernear, bater a porta, jogar na cara… Tudo na certeza de que estava no meu direito! Mas mesmo racionalizando e, de certo modo, me vingando, a ferida ainda estava lá na carne viva… Aquela que eu achava que já tinha virado cicatriz.

Cicatriz é uma marca: vai clareando com o tempo, mas geralmente não some de vez; não dói, mas é um lugar mais sensível; dá até para disfarçar com uma maquiagem. Mas ferida não! Está ali sempre doendo. E como maquiar a pele sangrando? Não adianta nada, dói ainda mais e suja a maquiagem.

Se ainda não cicatrizou, se não adianta maquiar, como curar?! A gente precisa ir ao médico e permitir que ela faça todos os tratamentos, mesmo os que parecem piores que a doença. Você não conhece esses tratamentos e não conseguiria tratar sozinha (mesmo se achando muito entendida de medicina), então você precisa confiar no médico!

Não adianta racionalizar, se justificar, se deixar levar pela emoção. Não adianta fingir, tentar esquecer, achar que o tempo vai curar… Coitado do tempo! Ele não cura nada! Pelo contrário: torna a doença crônica: você se acostuma com ela, mas ela não pode mais ser curada, se torna parte do seu organismo: uma parte indesejada com a qual você aprende a conviver.

Deus não. Ele não faz tratamentos paliativos, Ele traz a cura definitiva, mesmo que o tratamento seja longo, doloroso, e até mesmo contraindicado por muitos médicos entendidos. Ele não apoia nossas racionalizações ou rompantes emocionais. Ele nos diz a verdade (ou diz que não está na hora da gente saber), Ele é a verdade!

Que o Senhor trate nossas feridas. Ele é o Deus da cura e da restauração. Sejamos totalmente dependentes do Senhor, nos entreguemos em suas mãos, vamos permitir que Seu perdão transborde em nossas vidas. E por meio do Seu amor, do Seu perdão, também perdoar, verdadeiramente.

Vamos permitir que o Senhor cuide dessas feridas e as transforme em cicatriz. Que no início vão ser muito feias, mas com o tempo (e nisso sim o tempo pode ajudar) vão ficar mais finas.

Mt 6:12 “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”

*Adaptado de uma oração escrita em 10 de maio de 2013

Quando as feridas resolvem se encontrar

A fase era desesperadora. O rei estava louco e nós sabemos que a insensatez não é uma boa companheira para quem tem o cetro nas mãos.

“Meu pai vai te matar, amigão!” Essas foram as palavras de Jônatas para Davi. Ele não hesitou. Fugiu sem saber para onde ia. Passou em Nobe e encontrou-se com o sacerdote Aimeleque. Este lhe deu pão e a espada de Golias que havia sido morto pelo próprio Davi. Depois que saiu de Nobe, fugiu para Gate e diante de Aquis (rei da cidade de Gate), fingiu-se louco. A saliva escorria pela barba, mas tudo isso era medo de morrer. Finalmente, chegou à famosa caverna de Adulão. Alguns homens se juntaram a Davi. Homens sofridos, endividados e amargurados de espírito. Quando nossas feridas se encontram, nosso potencial cresce numa dimensão exponencial. Davi agora está preocupado com seu pai e sua mãe. Ele pede ao rei de Mispa para cuidar deles até que Davi descubra o que Deus iria fazer com ele. No meio dessa confusão, um profeta chamado Gade diz a Davi: “Não fiques neste lugar…” (I Sm.22:5) Davi abandona a caverna de Adulão e foge para o bosque de Herete.

Eu disse que a fase era desesperadora na primeira linha do post.

Legal Eduardo, mas aonde você pretende chegar com tudo isso?

Pretendo chegar na informação mais impactante da minha semana. Ao continuar lendo o cap.22 do 1º livro de Samuel, Saul (o rei louco que tem o poder nas mãos) ouve dizer que o Aimeleque havia recebido Davi quando ele passara por Nobe. Aimeleque é chamado e Saul o interroga.

“Por que você tratou bem o filho de Jessé? Será que não percebe que ter sido cuidadoso com Davi era o mesmo que conspirar contra mim?”

Não deu outra. Saul mandou matar Aimeleque e, como se não bastasse, morreram outros 85 sacerdotes e, como se não bastasse, da cidade de Nobe (onde eles moravam), morreram todos os homens, as mulheres, os meninos e as crianças de peito. Ahhh, os animais também morreram. (I Sm.22:18-19)

Apenas Abiatar, um dos filhos de Aimeleque, consegue fugir e traz a notícia a Davi. As palavras de Davi são categóricas:

“Fui a causa da morte de todas as pessoas da casa de teu pai.” (I Sm.22:22)

Eu desatei a chorar. Estava sozinho na minha casa enquanto lia as Escrituras. Levantei-me da mesa, fiquei de joelhos e chorava. Pensava em Aimeleque. Pensava nos 85 sacerdotes. Imaginava os homens, as mulheres, os meninos e os bebês que morreram. De repente, percebi que estava chorando compulsivamente. Um choro raro, quase desconhecido. Daqueles que havia muito tempo não chorava. Comecei a lembrar de pessoas e de situações em que fui a causa da “morte” delas. Diversas coisas que fiz que afastaram pessoas de Cristo. Meu coração sofria, meu espírito estava totalmente amargurado e minha sensação era de dívida com cada uma dessas pessoas.

Porque é fácil se lembrar do dia em que vencemos os nossos “Golias”. Difícil foi, naquela segunda feira, assumir que o currículo de Davi também trazia consigo um tópico chamado “Aimeleque”.

Minha oração é para que a misericórdia de Deus continue sendo a causa de não sermos consumidos e que, assim como as feridas de Davi se encontraram com as minhas, que as minhas se encontrem com as suas. Talvez a igreja seja uma grande “Caverna de Adulão”!

Um grande abraço!!!

Papo ruim

A noite tinha tudo pra ser especial. Noite de festa. Eles iriam comer juntos. Eram inúmeros os motivos para que celebrassem. Havia história e intimidade entre eles. Muitos queriam participar daquela ocasião, mas os convidados eram parte de um grupo extremamente seleto.

A surpresa da noite ficou por conta da atitude de Jesus. Ele se levanta e, plenamente consciente de quem ele era, começa a se despir e ajoelha-se diante de cada discípulo. Bacia e toalha nas mãos. Todos os pés ficaram limpos.

Após um discurso épico sobre a atitude de servir, o rosto de cada discípulo estava radiante. Que noite fantástica! Tudo estava espetacularmente maravilhoso, apesar do jeito surpreendente de Jesus. Até que de repente…

“… Um de vocês vai me trair.” (Jo.13:21)

“Ihhh, Jesus! Que papo ruim é esse? Papo sobre traição. Claro que não! Vamos mudar de assunto… Isso vai estragar o clima dessa noite!”

Algum discípulo poderia ter dito.

Já reparou como a verdade tem a capacidade de “azedar” um ambiente?

O clima havia mudado completamente. Alguns perderam o apetite. Outros esperavam Jesus dizer que aquela havia sido apenas uma brincadeira.

“Vocês acham que eu iria enganar vocês e dizer depois que era somente uma brincadeira?” (Pv.26:18-19)

Aquela afirmação era séria demais para que fosse usada como uma simples brincadeira. Eles se entreolhavam.

“Quem seria capaz de tamanho absurdo?”

Como não tinham ideia da resposta, Pedro fez sinal para João, como quem diz: “Pergunte a ele quem é o traidor!”

A resposta veio sem hesitação. O pedaço de pão molhado foi dado a Judas Iscariotes, conforme a explicação dada por Jesus. Judas se levantou e foi fazer o que já havia maquinado em seu coração. Era noite.

A verdade fez o papo ruim! O assunto proposto por Jesus era traição naquela que é chamada, ironicamente, de santa ceia. Talvez ela ganhara status de santidade depois que Judas saiu.

Mas o que era preferível? Deparar-se com a dureza da verdade ou permanecer abraçado à ilusão da mentira?

Jesus não tinha a menor dúvida.

“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Pv.27:5-6)

Noite memorável.

De Jesus vieram as feridas. Totalmente leais, porque feitas por Aquele que ama. Verdade explícita.

De Judas veio o beijo. Totalmente enganoso, porque continha o “hálito”de quem odeia. Senha combinada com os guardas. 

Depois de um tempo, a gente começa a adjetivar os momentos de exposição à verdade não como papos ruins, mas difíceis. Porque ruim mesmo, seria tentar fazer parecer que tava tudo bem.

Um grande abraço!!!

 

 

 

2 Coisas que o pai aprende com a filha sobre o “Pai”

Tenho uma filha com um pouco mais de dois anos, ela se chama Helena. Tenho consciência da responsabilidade de ensiná-la uma série de coisas, mas não tinha tanta consciência do quanto aprenderia com ela. Ultimamente tenho aprendido duas coisas que gostaria de compartilhar com vocês.

1º: O Pai que beija feridas:

Helena aprendeu que quando acontecer algum acidente onde ela se machuque precisa de recorrer ao pai com rostinho de choro. O pai tem a função de beijar a ferida, machucado (ou o pseudo machucado rsrsrs) para que aquele “sofrimento” termine.  no início eu me achegava a ela para beijá-la, hoje ela já chega, apontando o dedinho e dizendo: “dodói!” Fiquei pensando na magia que existe nesse processo, como a dor é aliviada pelo beijo do pai, e tenho certeza que isso ocorre ainda hoje em minha vida. Como preciso do Pai no momento de dor! Como preciso de sua atenção, de seu consolo, de seu beijo! As feridas não deixam de existir, a dor pode continuar, mas a certeza do beijo do Pai é um grande refrigério! Fico triste de pensar em tantos filhos que se distanciaram do Pai e não tem ninguém para beijá-los nos momentos em que as feridas se abrem! Nesse momento nem dinheiro, nem poder, nem drogas e nem vícios substituem os lábios do Pai! Não há melhor coisa do que desfrutar do beijo do Pai!

“Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (Cânticos 1:2)

 

A filha que ensina o pai à respeito do Pai

2º: O Pai que ensina orar:

Ontem a noite tive a oportunidade de orar com minha filha ao “papai do céu”. Agora ela está começando a diferenciar entre o “papai” o “papai noel” e o “papai do céu”. Mas enquanto fazia uma oração de agradecimento simples e ela repetia me veio à mente como não sei orar e como preciso do Pai para me ensinar a orar. Oramos o seguinte: “Papai do céu, obrigado pela mamãe, pelo papai, pela escolinha, pelos amigos, pelas vovós, pelo vovô, pelos titios e titias e pelo papa. Amém”  Ela repetiu tudo, foi papa (tomar mamadeira) e dormir um sono tranquilo. Como vi que não sei orar! Preciso que o Pai coloque as palavras em meu coração! E preciso aprender a descansar (dormir um sono tranquilo) após a conversa com o Pai.

“Se em algum momento nos cansamos de esperar, o Espírito de Deus está ao nosso lado, nos dando aquela força. Se não sabemos como orar, não importa. Ele ora em nós e por nós, utilizando nossos suspiros sem palavras, nossos gemidos de dor.” (Romanos 8:26 – Versão “A mensagem”)

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)

Que possamos desfrutar uma intimidade inocente e infantil com o Pai que beija feridas e ensina orar!

Abraço e até a próxima!